quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

De onde mesmo que a felicidade vem?



Quem sabe esse tempo de espera não seja apenas um teste ou uma provação necessária para que eu perca meus medos infantis de ver um amor partir. Ou ficar. Aprender. Semear. Se amar. É nesse tempo sem alguém do lado que entendo que é preciso saber ser feliz sozinho. Porque quem não é feliz consigo mesmo, não é capaz de ser feliz ao lado de outra pessoa. Afinal, felicidade vem de dentro, não do outro.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

O que a gente merece



Uma hora a gente percebe o quanto merece ser feliz. E o quanto as coisas têm que dar certo, têm que entrar nos eixos, têm que funcionar, nem que seja na marra. Quem tá de fora não compreende o quanto a gente se esforça pra merecer cada gesto amigo, cada conquista, cada palavra que soa mais perfumada que flor. Quem não calça os nossos sapatos não vê o tanto que a gente rala pra conseguir respeito, carisma, abraço de quem apareceu há pouco. Por isso temos é que nos ocupar mais com aquilo que provoca a vontade de ser eterno. Temos que dar atenção é pra quem reza pra gente antes de dormir, quem liga pra gente na hora que acorda, quem lembra do nosso aniversário, quem celebra nossas vitórias e estende a mão quando a gente cai. Temos mesmo é que deixar de lado quem só acena de longe, quem esquece da gente quando tá com outras companhias, ou quem tem coragem de dizer que nos ama só quando tá carente. A gente tem é que ter na mente quem nos deu tudo em troca de nada, quem cuida da gente quando falta saúde, quem nos acolhe quando falta dinheiro, quem nos perdoa quando aumentamos o tom de voz, quem nos deu a vida, quem nos ensinou valores, e a amar. Por isso, tô abrindo mão de amizade pingada, de amor mendigado, de sinceridade surrada e de palavra bonita, mas sem verdade. Se é pra ser feliz, tem que ser sem medo e sem dó. Se é pra curtir a vida, que seja com vontade, sem piedade. E se for pra rir, que seja alto, só pras pessoas lembrarem dos lugares de onde a nossa felicidade insiste em brotar: de dentro, do berço, da alma. E de Deus.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Se cuida também



Passei o dia inteiro sem lamentar sua ausência, e confesso que não vivia um dia tão longo desde os meus oito, dez anos. Olhava as horas fingindo que era apenas um ato rotineiro de alguém que tem tantos compromissos, tantos pensamentos, tantos sentimentos, que esqueci de me alimentar, sabe. Não, não foi culpa sua. Não, não quero pena. Foi só um dia um pouco sombrio, mas mantenha a tranquilidade, eu sei que o sol volta amanhã. Me acostumei tanto com a sua presença até criar uma convicção absurda de que você sempre andava comigo, mesmo distante, que eu havia me esquecido de como era saborear meus momentos sem um ponto exato de tentativa de um alcance, meio patético, admito, e que denominei amor. Está sendo bom essa distância, entende? Porque com ela aprendo a me virar, nem que seja pros lados, tentando encontrar vestígios seus. Você sabe, abandonar um livro, ou abrir mão de uma história, nunca foi meu forte. Mas a gente tem que reaprender a viver no mundo real, não era isso que você me dizia? Temos que aprender a 'fincar os pés no chão', mas acho que levei tão a sério que quis ser árvore, criar raiz, ter um lugar fixo ao seu lado. Nossa, como eu quis e sonhei com tudo o que vivemos, foi tudo tão intenso! Aí me desfaço, e me transformo numa árvore frágil e breve, tipo aquelas recém plantadas na porta da escola, e que os moleques não deixam criar vida, crescer, dar frutos. Mas estou bem, acredite. Você pode ter me ensinado a amar, mas também me ensinou a morrer, e eu só sei agradecer por isso. Porque morrer em vida, por dias, meses ou anos, requer sabedoria. Requer silêncio. Requer vontade. Requer elegância, charme, carisma, delicadezas. Escolhi uma morte discreta, confesso, mas de tão discreta que foi, escolhi a vida. Escolhi seguir em frente, voltar, viver outras histórias e deixar pra morrer outro dia. Você nunca mereceu meu fim, mas o meu melhor. Vivemos o melhor. Vai passar, talvez seremos amigos um dia e riremos de muita, muita coisa mesmo. Vou seguir meu caminho agora antes que o dia termine, meio torto, meio bobo, meio perneta. Ah, e aquele 'se cuida' tá de pé, viu? Tão de pé que agora faço algo que ninguém soube fazer: cuidar de mim... Assim como cuidei de você.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Vai passar



Ironia é se doer quando o que mais queríamos era nos livrar daquilo que nos provocou tanta dor. É ver partir o amor da nossa vida levando a certeza de que nunca mais haverá outra vez. É deixar os sonhos escorregarem por nossas mãos e serem quebrados no chão duro da realidade, como se fossem a lousa mais paraguaia do mercado. É desfazer as malas e refazê-la para apenas um. É tentar vender a passagem do outro, pra quem sabe o prejuízo ser um pouco menor, ou ao menos despistar o coração com o trabalho e os negócios. É ter pena, muita pena, mesmo com o peito dilacerado, de quem quer ir. De quem vai. De quem já foi. Uma constante ironia nos faz brindar a perda da pessoa que tanto amamos, e chorar pela mesma perda escondidos, debaixo de um edredom num dia quente de verão, bem baixinho que é pra nem Deus escutar. E mais irônico ainda é ter de acreditar que foi bom, deve ter sido bom e vai ser bom tudo ter chegado ao fim. Se a fé e a esperança são o que nos restam, só cabe a nós usá-las, mesmo com toda dor do mundo, mesmo com toda amargura do mundo, mesmo com toda a nossa andança e desacreditança. Há uma voz na alma que diz que vai passar. Assim como passam os dias. Assim como passa, outra vez, o trem que perdemos. Assim, disse Caio, como passa o vento entre nossos cabelos, sempre nos lembrando a direção a seguir: pra frente.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Vazios



Chega uma certa idade, não muito avançada, em que tornamo-nos mais exigentes com nossos preciosos finais de semana. Nada de hipocrisia, chatice ou frescura: aprendemos a nos valorizar, a dar valor ao tempo, que se mostra mais curto todos os dias. E o mais bonito, damos valor e importância aos nossos vazios. Pra sair de casa agora é assim: não vejo tanta graça em passar a noite segurando copos cheios se, ao meu redor, estiver carregado de pessoas vazias. De vazio basta eu, oras, não por me considerar melhor do que ninguém, mas por não me considerar merecedor de momentos sem sentido. E sim, não faz sentido abandonar meu quarto se for pra mergulhar numa banheira repleta de água com gás acompanhado de pessoas que simplesmente acham chique, legal ou coisa do tipo. Também não pretendo sair com autocríticos e pseudointelectuais, tampouco com moralistas e defensores do partido puritano. Longe de mim. Só quero gente do bem, com ideais, com críticas carregadas de novas soluções, com humor na risada, brilho no olhar e que não precise apontar fulano na mesa do lado pra ficar se achando o cara. Quero companhias que não me troquem pelo facebook, twitter, whatsapp ou outros aplicativos no celular durante um papo ao vivo, entendem? Que não me olhem de ombros, buscando algo ao redor da mesa, que não necessitem contar ao mundo via instagram o quanto a noite está boa, ou que não precisem se autoafirmar o tempo inteiro que estão legais, num lugar bacana e com pessoas demais. Posso parecer patético, mas é que a gente tem que aproveitar nossas epifanias pra por a boca no trombone, pra falar mesmo para, sei lá, arranjar solução pro mundo, pras pessoas, pra vida. Tudo bem, posso estar fazendo tempestade em copo d'água, mas me deixem pensar em como seria bom largar um copo cheio e segurar uma mão com firmeza, pra provar que ali não é mais um momento vazio. Acredito num novo tempo, em que a gente só vá sair de casa quando não for pra repetir nossos nadas, nossos poréns, nossas reticências. E de agora em diante, vazio bem feito é vazio com um livro na mão, com uma pipoca no colo ou com a cabeça deitada em um ombro que bem me quer. Porque meus dias não merecem morrer na companhia de ninguém. Porque meus dias, nossos dias, merecem mais que um copo na mão e um celular na outra. Merecem mais vida gostosa de se viver, vida tranquila, vida com quem possamos contar ou estender a mão. Vida real.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Gratidão



Quando a gente dá-se um tempo para "colocar a cabeça no lugar", logo vem uma ideia brilhante: a de sempre recriar. Viver dias iguais de formas iguais é o que diminui a vontade de ser, crescer, ser feliz. A gente começa a perceber que felicidade é mais simples do que imaginamos: basta estar ao lado de pessoas que nos amam e nos respeitam, reforçando laços e renovando as brincadeiras, o papo, os móveis, o carinho, a forma de demonstrar amor. Gratidão, hoje, é a única palavra que eu consiga definir os meus dias. E que eles sejam cada vez melhores, Amém.

Paciência



Tenho aprendido a ter mais paciência. A esperar sem aquele peso da idade, nos ombros e no peito. Tenho aceitado mais a vida, as coisas, as situações e as pessoas como elas vêm e vão. Talvez seja a paciência quem tenha me ensinado mais bonitesas. Dentre elas, a de largar a mão de quem quer partir e a de acolher quem quer ficar. Agradecer as manhãs cinzas e as noites frias, sem vontade de que fosse diferente, com a arte de encontrar beleza onde todos desaprenderam a vê-la. Podem me chamar de acamodado, mas isso só mostra o pouco que sabem de mim, do tanto que amo, do tanto que sonho, do tanto que faço. Se um dia eu tivesse a chance de dizer apenas duas últimas palavras, diria: "Eu acreditei." E acredito. E confio nas pessoas, por mas que elas demonstrem que não, pois eu sei que a única coisa que posso perder confiando é a chance de ver alguém sendo verdadeiro. Comigo, consigo, para com a vida. Descanso do mundo toda vez que olho pra dentro de mim e vejo aquilo que tenho cultivado. Durmo tranquilo toda vez que, ao fechar a porta do meu quarto, eu consigo ter certeza que dei o meu melhor. E que o melhor, muitas vezes, é só a resposta da vida pra gente. Aquela, de que é preciso aprender a esperar para fazer o nosso julgamento. E saber, no fim do dia, que sim, foi o melhor... pra nós.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Oração



Oração bonita é aquela que a gente faz pensando nos problemas do mundo. Fome, miséria, desigualdade, injustiça, roubalheira e hipocrisia. É aquela reza doída, mas cheia de esperança em um mundo melhor. Tem muita gente boa do nosso lado, mas a correria dos dias nos cega diante dela. Agradeço quem doa sangue, alimento, tempo, dinheiro, roupas, leite, abraços e sorrisos. Mas não vale querer virar estrelinha porque fez o bem ao nosso igual. O mundo não precisa de caridade, gente, mas sim de compaixão. Piedade. O que a sua mão direita faz, a esquerda não precisa saber, lembram disso? Mas um detalhe é essencial: a não ser que usaste a mão pra ferir, mesmo que indiretamente, outro alguém. Oração de verdade a gente faz em qualquer canto, com qualquer barulho, e com todo o amor. É desejar baixinho com que a vida da gente melhore junto com a do amigo ali do lado. É parar de se contorcer diante do que não temos, pra aprender a oferecer o nosso melhor. E o que temos de bom não é pouco não, é só acreditar. E fazer. Que a vida, diariamente, trate de nos oferecer forças pra transformar o mundo num lugar melhor. E nessa oração eu posso contar pra vocês: isso a vida já fez.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Coração



Ironicamente, quando alguém nos abandona, o nosso coração, antes longe, começa a bater dentro da gente. E a gente aprende a se virar com tanta palpitação, tanta exigência, tanto barulho que ele faz. Parece que quanto mais o coração bate dentro da gente, maior ele fica. E mais coisas nele cabem. Mais gente, mais sentimentos, mais esperança, mais fé. E mais trabalho. Coração, de uma hora pra outra, vira chefe: aquele que manda. E manda embora, pra longe. Aquele que ordena. E ordena a bagunça. Aquele que governa desgovernado. Até chover. Até transbordar...


(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A regra é outra



Às vezes penso que essa gente precisa é de ouvir algumas verdades. Aquelas, que as colocam nem que seja por alguns segundos, no devido lugar. Que as faz perceber que ninguém precisa ser da mesma tribo pra aprender a ter fé e fazer chover. Que faça esse povo parar de medos bobos, de desconfiança imatura, de tanto pé atrás. É clichê esperar o pior de quem age bem com as pessoas, porque parece que o que todos querem é que a máscara alheia caia. E que acabe a festa. E que finalize o Carnaval. Gente, qual é o medo? Deixa o outro fazer poesia, às vezes poesia é que mantém o outro são. Deixa as pessoas sorrirem pras outras, pega essas minhocas, que insistimos em colocar na cabeça de quem tá à nossa volta, e vamos todos pescar! Deixa o mundo prometer, no final das contas é ele que não vai dormir sem pensar no que não fez. E vamos tratar de ser feliz. E vamos entender de uma vez por todas que não somos bonzinhos o tempo inteiro, somos é responsáveis pelos nossos atos. Chega de falar que não confia, que odeia inveja, que ninguém é bom o bastante. Gente que vive desse discurso não deve é saber jardinar sem jogar ervas daninhas na plantação do vizinho. Ou não sabe fazer outra coisa senão vigiar, que nem espantalho. Deixa de preocupação, minha gente, ser feliz pode ser facinho. Abraça forte o que ama, e rema pra longe do que te coloca medo. Ou então enfrenta. Em frente. Inseguranças todos têm, não precisa jogar a culpa em ninguém por isso. Esquece a inveja e vá já fazer o bem. Pode se permitir pensar besteira sim, mas não deixa isso te levar pro caminho que você aprendeu que não é o certo. Lembra depressa que ainda dá tempo de dar um beijo na mãe e no pai, um abraço no irmão, um pedido de desculpas ao amigo, um aumento ao patrão, um beijo à moça da padaria, um xô pra lá nos namoros sem futuro, um up no casamento que ficou xué. E esquece depressa essa mania besta de julgar, guardar mágoa, inventar picuinha, perder a cabeça por pouco e provocar mal-estar. A regra é outra, minha gente, é deixar portas abertas, espaços vazios e peito limpinho. É prender pela liberdade e ensinar o outro a voltar. E ser feliz, nem que seja sozinho, só pra no fim das contas ter história boa - e verdadeira - pra contar.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Amores impossíveis, amores imprevisíveis, amores improváveis



Amores impossíveis desenharam-me de uma forma única. Sempre me chamaram a atenção pessoas cuja reputação não necessitasse ser a melhor, mas a mais, digamos que, importante. Não me apaixonei por coisas, não vejo graça. Me apaixonei por pessoas. Pessoas pequenas de coração grande. Pessoas que me mostravam o que fazer sem alguma palavra. Pessoas exemplo, para os meus pais. E é claro que foram amores impossíveis não pelo que havia de bondoso, mas de especial. Me pegava louco de amores por quem atraía mais pessoas que a banda mais famosa da cidade. Sou amante de cheiros, de vozes, de olhares fraternos. E qualquer um pode ser dono disso tudo, quando existe uma outra pessoa buscando alguém para se apaixonar. E sim, eu sempre busquei alguém para me apaixonar. Mas acontece que eu não era a pessoa certa para elas, embora acreditasse que elas fossem feitas para mim. Nossa, como amei loucamente! Como me vi necessitando de um outro alguém para que pudesse encontrar a tal felicidade. Como eu me perdi, meu Deus! E como eu sofri, chorei, esqueci de mim mesmo, me desrespeitei, perdi completamente o valor. Mas criei asas fortes. Criei rios largos. E muros, bem altos...

A gente vai crescendo e quem nos são apresentados? Amores improváveis. Aqueles por quem passamos sonhando grande parte de nossa juventude, e os que vão surgindo em nossas descobertas. O problema em ser um amor improvável é que ele deixou de ser impossível, e passou a ser provável (no sentido "desgustativo" da palavra, se é que me entendem) e improvável (em se tratando da probabilidade de dar certo). Bom, aí sim começamos a aplicar aquelas disciplinas que apreendemos ao longo de nossos estudos, inclusive na Matemática. Cálculos amorosos são o fim, mas é o que nos sustenta. "Eu não vou ligar porque...", "eu não vou procurar porque...", "eu não vou acreditar porque...", "eu não vou insistir porque...". São questionamentos calculistas que nos defendem e nos afastam daqueles que amamos. Somos fartos em racionalizar a essa altura do campeonato. E perdemos o medo dos amores impossíveis. Aliás, julgamos que perdemos esse medo. E nos tornamos uma bola de ping pong em aço, que por pesar tanto quica menos, mal sai do lugar e é resistente, muito resistente. Os amores improváveis, além de tudo, são oferecidos a nós - ou seriam procurados por nós? - nos momentos em que estamos quase nos situando em algum lugar. Só pra nos desviar do caminho...

Ah, os amores imprevisíveis! Fazem parte de uma crença bonita e sem fim. Você se arruma para a escola, para o trabalho ou pr'aquela confraternizaçãozinha na casa do vizinho sempre com a esperança do "vai que...", "e se...", "quem sabe...". Você crê ainda em sorte no amor, mesmo depois de tudo dar errado. Até que você aprende que o segredo não é esperar, é esquecer um pouco essa ânsia de ser dois. É aprender a gostar de você sozinho, a cuidar de você como se fosse - e é - o seu maior amor. Chega um momento na vida da gente que as histórias de amores impossíveis e improváveis ganham charme, ganham espaço nas nossas conversas e até um tom de graça, quando lembramos o quanto éramos imaturos. Amores imprevisíveis existem, ainda que eu não os conheça empiricamente. Podemos perder tudo, mas nunca a fé. Um dia achei que o amor fosse a raiz de todos os sentimentos, mas eu me enganei, sabe... Sinto que o amor acaba, mas a fé de continuar vivendo o amor permanece, enquanto houver ferida, enquanto houver vida. Não é à toa que acho a coisa mais bonita da vida essa capacidade das pessoas seguirem em frente, mesmo com tudo desabando, mesmo com a esperança ao chão.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Gente

"Sobre todos aqueles que continuam tentando, Deus, derrama teu sol mais luminoso." (Caio Fernando Abreu)


 
Hoje eu vim falar de gente. Essa gente mesmo, do nosso dia-a-dia, que gasta mais horas sorrindo, com pensamento positivo fluindo nos olhos, com a auto-estima que mais parece um sol, que ilumina onde passa. Hoje vim ganhar meu tempo desejando sucesso a quem almeja, e paz a quem precisa. Tô desejando paz principalmente pra quem só sabe viver de picuinha, de montar drama, de relembrar feridas. Porque tudo isso só me aponta detalhes de quem se ama pouco e quem não tem coisa verdadeiramente boa pra se preocupar. Vim agradecer os ombros amigos que surgem de esquinas que mal passamos, as palavras amigas de quem nem conhece a gente direito, os elogios vindos de quem a gente nem acreditava que tinha um coração - mas que nos surpreende ao mostrar que tem, e enorme! E não só falar, mas orar mais pr'aqueles que não acreditam em boas intenções e só veem espinhos em buquês de flores. Aplaudir quem segura a língua, a maldade, o rancor, a inveja, e troca tudo por uma boa caminhada ao entardecer, ao invés de deixar o corpo pagar o pato. Vim dizer pra esses amores malucos virem quentes que eu tô fervendo, porque medo de amar é o que tá em falta aqui em casa. Vim dar boas vindas aos viajantes, oferecer carona aos carentes, e apontar novos rumos aos maus intencionados. E é claro, tô passando pra dar até logo e volte sempre pra quem é aventureiro, desejando boa sorte e deixando de lembrança os bons momentos que tivemos. E só espero uma coisa: que os opostos continuem se atraindo, e que o bem prevaleça. Que as cabecinhas difíceis encontrem as melhores companhias, aquelas que são capazes de fazê-las melhores, não no sentido individualista, mas comunitário. O mundo é uma equipe, gente, e é válido o clichê de que não dá pra ser feliz sozinho. Dá trabalho, e muito, seguir o caminho que transborda o bem, mas a gente vai tentando, e relevando, e perdoando, e transformando mágoa em prece, tristeza em esperança, decepção e fé. Acredito mesmo é na vontade de fazer as pessoas felizes, porque é o que está todos os dias em nossas mãos. Somos livres e temos a capacidade plena de transformar, com gestos, com atos, com silêncios e palavras. Conforme a frase - magnífica! - que li recentemente: Pensar antes de fazer é grátis. Não fazê-lo sai caríssimo. Simples assim.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Natal

 
 
Chega de pesos desnecessários, lenga lenga, conversinha de esquina, leva e traz, papo de gente infeliz. Chega de reclamar de fulano ou ciclano, mostrar os pés atrás que tem com alguém, sorrir com demasia pra quem não se suporta. Natal é recomeço, e pra recomeçar é preciso o mais difícil pra se conviver: aceitar e perdoar. Se nenhum desse itens existe, é melhor tocar o barco pra outro rumo. Todo dia é tempo de travessia. Todo dia é tempo de renascimento. Mas só falar ou escrever não basta, tem que viver. Do contrário, é só mais uma das mentiras de natais. O maior ato de coragem é aceitar uma coisa como ela é sem precisar dar significados. Significado também é defesa. Do que vc precisa se proteger? Do amor que não se sabe se é recíproco? Da amizade que não se quer dividir? Das relações profissionais que não podem se transformar em algo mais íntimo? Ou de ser vc? Natal, antes de tudo, é aniversário de Jesus. Não quero falar de fé, nem testar a fé de ninguém. Mas antes de desejar feliz Natal é preciso conhecer as margens desse dia. Natal existe pra nos fazer lembrar de quem viveu e morreu por um único propósito: as outras pessoas. Pra quem temos vivido? Com que propósito temos vivido? Fica a dica de reflexão pra gente, enfim, encontrar o verdadeiro e íntimo significado de feliz Natal!
 
(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 2 de dezembro de 2012

O que for pra ser, vigore

"Sentei-me ao chão com as minhas insatisfações. Procurei um baú antigo, nos guardados da casa, pra ver se me trazia de volta uma lista de possibilidades. Fraquejei no momento em que um retrato teu me veio à mente. Mas fechei os olhos com força, até que a imagem se esfumaçasse, e jurei pra mim mesmo que não haveria de ser com você, não mais. Porque pra mim, amor que fere não me acrescenta em nada. O que me faz infeliz, eu descarto na hora." (Cris Carvalho)




Irônica a maneira como que em busca de algo de verdade, nos deparamos com tantas mentiras. Quebramos a cara. Nos iludimos assim, de graça, como quem sabe que não vai dar certo, mas insiste assim mesmo nos erros. Parece que quanto mais difícil, maior a vontade. Amor-desafio, eu diria. E, de corajosos que somos, não desistimos. Insistimos no ato de começar o dia bem e logo encontrar uma pequena fenda aberta, de onde saem aqueles malditos sentimentos de abandono. Mas a cada encontro com a solidão, aprendi a agradecer...

Abençoados sejam os momentos que nos salvam de nós mesmos. Do nosso vício de direcionar energia para a palavra-mágoa, a imagem-mágoa, ou a mágoa da felicidade distante. Abençoados sejam nossos amigos, que nos livram por algumas tardes ou noites desse sentimento inferior. Abençoados os bons drinques, que nos alegram instantaneamente. Abençoados os chocolates, os livros e filmes - de ação e suspense, por favor. Abençoada seja a calça folgada como sinal de que você está entrando em forma, e quem sabe não seja a sua melhor forma de existir. E abençoada seja a maneira de compreender que não é necessário ter tanta pressa. Tudo é aos poucos, assim como o amor. É que a gente tem a mania de viver os melhores momentos como se fossem os últimos, o que nem sempre soa tão bem, então aquela sensação de que tudo o que é bom dura pouco bate na porta. Mas apaixonar demora muito, e como demora! Assim como desamar. Assim como decidir que caminho seguir. Assim como demoram quaisquer memórias que nos façam quase desistir de se fazer feliz, se fazer bonito e se dar o devido valor. Demora muito pra gente ser feliz todo o dia, mas a gente aprende. Tem que ter olho pequeno e enxergar muito bem. Tem que ter ouvido que só capta o essencial, e boca que só diz o que for possível de, caso seja necessário, engolir. E não nos esqueçamos que em qualquer relacionamento que estamos, a felicidade é pouco perceptível, até que percamos algo ali. Não vamos perder pra dar valor, não precisamos. E nem vamos nos agarrar àquilo que nos coloca abaixo de zero. Acredite, tem sempre alguém nos querendo bem. Isso sim importa.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Simplifique





Simplifique sua vida: Se não estiver a fim de sair, atenda ao telefone e diga. Se não está bom, diga também. Se tiver algo acontecendo, seja honesto (pois no final, estará sendo mais honesto com você). Não chame um colega de amigo, nem tampouco vice-versa. Não confie em estranhos. Dê mais valor na sua intuição, e para além disso, desconfie dela. Use manteiga de cacau nos lábios em dias muito quentes ou frios. Não critique pessoas que estão surgindo em seu círculo social (aparências enganam e elas podem se tornar seu maior tesouro). Aprenda que suas exigências mudarão conforme a abertura de sua mente. Escute seus pais quando disserem "leve um guarda-chuva" ou "leve uma blusa de frio" ou "não vá". Não pergunte a uma criança se você está bonito quando você estiver de baixo astral. Não espere ser cortejado por alguém que te serviu somente para tapar buracos (pessoas percebem isso e mudam de atitudes para com você). Crie menos expectativas em relação ao outro (pessoas erram, esquecem, não percebem). Não queime o filme de ex ou amigo com quem ainda pretendes reatar laços. Não espere muito do final de semana ou feriados (boas surpresas adoram o acaso). Não deixe as coisas para a última hora, deixe para, no mínimo, faltando umas duas rs. Não mande e-mails ou mensagens contendo informações de terceiros, algumas pessoas podem usar isso contra você. Nunca esqueça sua identidade em casa. Desconfie arduamente das pessoas que tentam te distanciar dos velhos - e verdadeiros - amigos. Tenha mais cuidado com as palavras que usa para se despedir de alguém, podem ser as últimas de ambos. E por fim, opte por não viver programações: a vida foi feita pra ser mais natural.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Passagens



Enquanto o dia nascer, virá com ele a certeza de que tudo o que fiz, tudo em que acreditei e tudo o que se foi sempre tiveram o melhor de mim. Nascerá, ao longe, escondida entre as nuvens, uma esperança que ascenderá luzes onde o olhar já se escureceu. E serei capaz de fazer de novo, acreditar de novo e suportar de novo. Quem vai, que leve consigo tudo aquilo que sufoca, que aperta, que trava, que não surpreende. Mas se quiser deixar alguma coisa, que seja apenas as boas recordações, nada de vestígios de sentimentos doídos atrelados às bordas da alegria recriada. E quem vem, que traga consigo somente a capacidade de se colocar no lugar dos outros. Isso sim é dádiva a ser valorizada. Porque o resto, tudo o que sobra, não passa daquela beleza que sai com sabão e água.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Reelabore, reinaure-se, renasça



Não tão rápido, nem tão fácil, muito menos prático como abandonar uma leitura nem um pouco interessante. Amor envolve mil e uma dores, quando não vivido até o fim. Até o último suspiro por um sentimento. Até esvaziar a última gota de sangue dos pulsos - metaforicamente, por favor. Até a mudança das nossas atenções. Se soubéssemos das bolas de neve em que entraríamos, não teríamos aceitado nem um mísero 'oi'. Mas, infinitamente, tá na hora de sair do papel de vítima. Parar de alimentar os pensamentos que nos tornam megalodramáticos, melancólicos, viciados em abstinência de endorfina. E mudar, nem que seja por um minuto, a música de fossa. Que a gente vive em um mundo de expectativas é lógico, embora a todo tempo esqueçamos. Não que gostemos de sofrer, cá pra nós, mas um bocado de sofrimento é como pimenta, diferentemente aproveitada pelos baianos ou pelos japoneses. Cada um sabe como tem que ser temperado, mas aquele velho clichê de que ninguém nasce sabendo é a mais besta verdade que já ouvi. Precisamos sofrer o ardume dos sentimentos pra só assim considerarmos valedor de pena ou não. E não admitamos que sofrer é natural, porque não é, não mais, não neste nosso zeitgeist. O espírito do momento é  o prazer instantâneo, é suportar pouca dor, ou querem abrir mão da eficácia dos medicamentos? Eu quero! E não, não curto sofrimento, nem tampouco aquele provindo das palavras. Mas suporto. Sou resiliente. E creio que todos sejam. Quer uma dica? Elabore seus sentimentos. Suas vontades. Seus planos, suas perdas, seus sonhos, isso mesmo, no pronome possessivo "seu/meu". Elabore não, Reelabore, reinaure-se, renasça. E o "como?" é a frase mais mágica que encontrei em uma quinta-feira nublada de novembro. Não vou dizer que a vida é uma só. Que o tempo passa. Que morreremos. Não mais. Não direi que você é aquilo que você come, que você faz, e não o que você acredita. Precisamos de pouco, sabe... Um pouco que a cada dia se torne mais. Mais paciência ao ouvir. Mais amor ao falar. Mais coragem ao persistir, e ao desistir só aquela coragem que sobrar. Porque sou da geração que persiste porque quer, e depois não precisa culpar ninguém por isso. E que persiste no fácil e ignora o difícil. Essa ideia de que tudo que vem com facilidade se vai com facilidade não me contaminou. E a melhor que consegui produzir foi a de que tudo vai ser diferente se a gente quiser. Se a gente se esforçar. Se a gente acreditar. E o mais essencial, verdadeiro, óbvio, correto, e sei lá mais o que: se a gente fizer. Se a gente se levantar. Se a gente agir. Às vezes, a gente precisa sonhar pra descansar da vida. Mas se a gente não viver e deixar os sonhos descansarem, acho difícil sair do lugar onde tudo dói... até o amor.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Para todos os amores que não chegaram ao final feliz



‎Como pode a palavra FIM, com apenas 3 letrinhas, ser tão significativa na vida da gente... A resposta gira em torno daquilo que doamos nosso tempo, nossa força, nossas expectativas e sentimentos. E só a gente sabe o quanto é doída a dor de partir, de ter que abdicar planos, mundos e tantos fundos. Ah, se soubessem como me sinto quando escolho ir ou abrir mão de algo que um dia foi tão importante - e que ainda continua sendo, por merecer cada palavrinha presente aqui. Mas a verdade é que tudo tem um tempo na vida da gente, assim como a gente tem um tempo na vida das pessoas. Só que a gente esquece. Esquece a voz bem baixinha do coração, que pede pra gente parar. E pede pra respirar. E nos diz, bem devagarzinho, pra não nos assustar, que os ventos estão mudando. Uma mistura de saudade, alívio, medo, amor, dor, arrependimento... e vodca. Muita vodca! Até quando vai durar eu não sei, mas que seja dito o quanto tentei que desse certo, que fosse bom pra nós. Prefiro abençoar aquele sonho que não chegou no final feliz, que se perdeu no meio de tanta coisa miúda - e que, ironicamente, ganhou forma de miudeza também. Abençoar as pessoas que vêm e vão. Abençoar os amores que não deram certo. Abençoar aquela que ainda não foi a minha vez. E esperar. Paz, pra acalmar meu peito. E amor, novinho em folha. Pra bagunçar tudo de novo, me fazendo feliz outra vez!


(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 11 de novembro de 2012

Tá na hora de viver novidades


"[...] O meu coração partiu. Para outro lugar." (Gabito Nunes)



"Tá na hora de viver novidades", pensei. Porque de repente me dei conta que há amizades e amizades. Relacionamentos e relacionamentos. Encontros e encontros. Dentre eles, alguns sufocam. Você começa a se fechar em um único mundinho, talvez por medo do que possa vir ou surgir - ou por parecer confortável terras já conhecidas. Mas quando se vê, as coisas se transformam em cimento. Você começa a ser o que as pessoas esperam, não você mesmo, e isso te enforca. Te distancia do que queria realmente ser. As relações começam a ser cristalizadas, programadas. E você passa a já saber, como um dejavú, o que acontecerá no próximo passo, qual será a próxima música. Se você tenta sair um pouco, logo eles querem que você rasteje de volta, e ironicamente ficam felizes com isso. Pode sim haver amor, mas não surpresas. E surpresas é o que move a vida. O que enche o peito de luz. O que dá gás a um balão, para que ele voe mais alto, pra longe, mesmo sabendo que no final ele possa retornar ao ponto de partida. Mesmo que depois de um tempo nada mude, você começa a entender a importância da viagem. E sabe o que é imensamente interessante em um novo relacionamento? Nos primeiros encontros, você se dá a oportunidade de ser uma tela em branco, onde você pinta quem você quer ser. A maioria das pessoas faz isso. Mas enquanto você projeta o que quer ser, escapa-se uma fenda do que você realmente é. E nessa fenda, você vai percebendo o que te impede de se tornar quem realmente você desejaria ser. Herdamos as histórias de amor, de amizade, de cumplicidade, de traição. Herdamos de filmes, novelas, revistas. E perdemos a gloriosa capacidade de ser quem somos. Então compreendo que eu não mudei muito. Estou apenas me redesenhando, apesar de, por diversas vezes, a ponta do lápis quebrar, ou o perder, ou alguém o tomar de mim mesmo. Por tudo isso e mais um pouco, gosto da liberdade. Gosto de críticas. Gosto de como as pessoas me olham, pois só no olhar do outro que consigo me ver, um pouco tremido, embaçado, mas ainda sim consigo ver quem sou. Ou o que esperam de mim. Antes que o outro fale. Antes que o outro julgue. Apenas com o semblante, com meu Eu refletido nos olhos do outro. Rio leve, afinal não sou nem o que o outro vê, nem tampouco o que penso que sou. Sou quantidade, não qualidade. Morro de amor, de saudade, de inveja, de vontade, de sono, de sede, de fome, de pressa, de tanto esperar. Mas aceito com doçura as mortes que a vida tem. As mortes que nos fazem Ser. Porque a gente, a gente pode sim morrer. Agora os sonhos e a esperança... Jamais!

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O que ficou





Nunca me considerei ingênuo demais porque confiei meu coração às pessoas que mentem. Que enganam. Que traem. Não guardei ressentimento algum, embora ainda que doa um pouco, por aquelas que não me concederam a honra da dança. Que não se adequaram aos meus passos. Que não entenderam meus vazios sem fim. Que não quiseram ficar. Jamais me culpei por aquele amor robusto que se tornou fraquinho quando eu falhei em mantê-lo aceso no peito. Que perdi por poucas palavras. Que abandonei por orgulho, pela descrença em ser feliz. Posso ter caído diversas vezes por um sentimento tão solitário, mas confesso que a cada vez que me levantava eu era maior - e acredite, bem melhor. A humilhação pela presença se espalhou pelo meu corpo por algumas quarentenas sim, estiveram em meus momentos doentes - e quem não teve ao menos um? Valorizei cada sorriso dado e correspondi com os melhores que eu soube dar. Posso até ter sido imensamente tolo ao oferecer esse melhor de mim a quem não merecia, mas ressalto, foi o Meu Melhor. O mais belo e precioso. Sacrifiquei-me, doei-me, e orei a cada segundo não para que as coisas fossem do meu jeito, mas para que acontecesse o necessário, algo que ainda não consigo entender. O que ficou, ficou na memória. No peito, Na saudade. Na fotografia. Quando estou bem, sinto que valeu a pena, mas tenho lá meus momentos de que seria melhor não ter vivido algumas emoções. Se ainda me importa, nem que seja um pouquinho, talvez eu arrisque dizer que foi um sentimento inventado por mim. Mas não, eu sei que não, não foi ilusão. Foi realmente amor.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 4 de novembro de 2012

Desejo maior



Só os românticos desacreditam no amor, porque bem lá no fundo, num lugarzinho desconhecido, existe uma força que pulsa, que geme, que brilha, que faz cócegas e que aperta devagarinho - mas que ninguém pode saber, ainda, que se chama Acreditar. Sobrenome Fé. Família da Esperança. Onde a melhor definição de Amor é o que esperamos dele, e não realmente o que ele possa ser (se é que ele seja alguma coisa). Habita as estranhezas perfeitas, onde a dor e o amor vêm da mesma fonte. Onde se faz possível amar a mesma pessoa mais de uma vez. Um lugar para abrir caminho para o novo, que consiste principalmente em regar o velho, para que sobreviva em paz na nossa memória carente de recordações. Você sabe que está lidando com essa força quando os olhos vazam, acontecendo a entrega plena juntamente com o medo de não ir de encontro total com o que se almeja. Uma casinha de desejos imperceptíveis, como o que desejo a mim, a você, aos outros, à nós...

P.S.: O meu maior desejo é que você sonhe com alguém bem próximo, com quem menos espera, e que passe o dia todo suspirando por esse alguém. Nada de não ver o rosto da pessoa ou achar que é alguém que vem do futuro ou de fora, lamento. Será alguém do seu convívio. Às vezes é preciso ser surpreendido por um Amor de Possibilidade. Então esquece os clichês de gente encantada. Se tiver sorte, você ainda terá mais uns 60 anos pra isso acontecer - começando agora.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

sábado, 3 de novembro de 2012

Dias melhores



Tenho agradecido muito pelas novas situações em minha vida: me permiti viver melhor. Me fizeram acreditar que eu fosse uma pessoa de pouca conversa, poucos amigos, poucas histórias pra contar. Acreditei, e eu, que sempre lutei pelos meus ideais, comecei a viver na sombra de outras pessoas. Por ter a obrigação de entender o outro, me sentia no dever de ceder. Então fui vendo meus dias virarem cinza, em que a capacidade de escolha fugia das minhas mãos. Sim, abri mão de muitas coisas pra ver pessoas felizes (e muitas delas, eu tenho certeza que valeu a pena!). Nunca escondi de ninguém que com muitos eu tenho laços, com outros - neste caso, a minoria - prefiros os nós. E o que me fez desatar os nós que me enforcavam foram as pessoas mal agradecidas, os eventos negativos, ou aqueles que ainda não sabem o que querem. O mundo está repleto disso! O incrível é que você inicialmente tem um prejulgamento que pode estar certo, mas o seu dever de entender o homem holístico tornou-se maior que seus direitos de cuidar de si mesmo, de sentir a forma como algo se apresenta aos seus olhos, às suas mãos. Então jogamos ao léu a nossa capacidade de intuição, apostando em teorias. E transformamos uma pessoa comum, ou às vezes não tão boa assim, em amigos, amores, parcerias. E alimentamos a necessidade da presença do outro sem sequer olhar para nós mesmos. Aprendemos o jeito do outro, fazemos de tudo, absolutamente tudo para agradar, e o que nos sobra? Impaciências, tristezas, somatizações. Até que numa tarde comum e ensolarada de agosto, um anjo toca em sua mente, em seus ombros, em seu coração. Você passa a perceber o quão curta é a vida pra se preocupar com insignificâncias. Você aprende, um pouquinho a cada dia, a eliminar tudo aquilo que te trava, te prende ou te sufoca o riso. Você começa a dar valor em você a partir do momento em que decide o que merece. No meu caso, decidi o que eu não merecia. Interessantíssimo com as cores reluzem quando você começa a entrar em sintonia consigo mesmo, é o que, magicamente, tem me acontecido. Quando deixei de dar atenção àquelas vozes que criticavam tudo o que chegava (que poderia sim ser presentes especiais), foi que a luz começou entrar. Perdoei muitos e enormes erros sim. Atitudes estranhas, pessimimos, palavras ao vento, promessas não cumpridas, sorrisos falsos, mentirinhas (das menores até as mais sérias), também. E não, nem pretendo as esquecer. Quem utiliza as palavras como instrumento de trabalho sabe perfeitamente onde se aloja um discurso e a capacidade que ele tem em nos fazer doer, doentes. Comecei a eleger denominadores em comum, que é a forma como as pessoas têm em se vitimizar. "Ninguém me liga, ninguém me ama, ninguém é o bom o bastante pra mim, ninguém...". Grandes distorções cognitivas crescem, enraizam, e tenho plena consciência que este é um dos momentos onde as pessoas presisam de ajuda - excepcionalmente psicológica. Apoio ajuda, não atitudes. Como podem as pessoas não perceberem o muito que fizeram para elas, algo tão óbvio quanto o nascer do dia? A verdade está em querer enxergar sem se fazer sofrer. Essa é uma forma das pessoas se defenderem, eu sei, mas a partir de hoje, fora de uma boa parte da minha vida profissional, não me deixarei levar pelos mecanismos de defesa alheios. Não mais. Eu não preciso ser sempre o primeiro a correr atrás, pedir desculpas, iniciar uma conversa, telefonar, mandar flores, sorrir. Mas sempre, sempre serei o primeiro pr'aqueles que passaram pela minha análise reflexiva de merecimento, porque o que eu tenho de mais importante são as pessoas que amo. E se entre elas, houver uma que viva de apontar defeitos alheios (que muitas vezes não são alheios), não hesitarei em desatar os nós da vida: manterei apenas os laços, fáceis de reatar, fáceis de refazer. Uma laranja podre entre laranjas saudáveis apodrece o cesto inteiro, isso é natural! E por acreditar tanto na força da natureza, dos belos destinos, da felicidade para todos, comecei a concordar com a teoria das águas em algumas situações: contornar obstáculos...

...Melhor é seguir cantando: "[...] Dias melhores pra sempre..." (Jota Quest)

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A necessidade de voar



De nada adianta lutar contra os ventos da mudança, porque por onde ele tiver de passar ele vai passar. Por isso, olho com esperança para cada folha que cai, para cada calafrio que causa, para cada medo que provoca. Quando a gente aprende a ver o tempo como aliado, também aprende a perceber com doçura que tudo o que nos deixa, deixa muito de si, assim como nós ao deixarmos etapas, momentos e pessoas deixamos muito de nós. Nada de preocupações ou culpas sem precisão, pois nem sempre um pássaro que voa está indo embora. Talvez voar por aí proporcione grandes e melhores retornos.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 9 de setembro de 2012

Lamento e reencontro



Por me preocupar tanto com o belo e com o leve para a alma, percebi que me esqueci jogado num cantinho sem nome. Um cantinho úmido, sem luz, habitado por vozes que não falam, por pensamentos que não fluem, por forças que não movem nem uma pena. E quanta pena! Até que desacreditei no amor pra mim. É lindo esperançar os dias, mas mais bonito seria se não houvesse essa pressa de ser feliz. Gosto de ouvir histórias de quem deu certo, e sou apaixonado inclusive por aquelas que trazem essas palavras: enfim deu certo, mas eu esperei muito, e também sofri muito até aqui. Por isso, hoje abandonei qualquer racionalização que queira me acalmar. Permiti me sentir infeliz por uma noite...

Eu tenho vivido de quases que muitos nem sonham entender. Quase amor é uma dádiva para aqueles que sabem contá-lo, escrever sobre ele. E se você não se cansou das minhas palavras, pode ser que tenhamos algo em comum.

Sou muito fácil em gostar, sou sincero em sentir, mas não sou bom em lutar pelo amor de ninguém. Valorizo tanto os sinais humanos que quase faço contato que seres desconhecidos. E percebo que quanto mais eu falo, quanto mais eu penso, e quanto mais eu escrevo, mais distante fico daquilo que quero dizer. Portanto, é preciso ser direto: desapegar dos sentimentos dói tanto! Segurar a emoção, o choro, o suor, o coração é uma tarefa árdua. Quase amar alguém é uma idiotice, mas percebi que tornou-se um hábito que me sustenta no mundo. Há uma forma de ignorar a dor e seguir suportando a minha neurose.

O que quero não está escrito, não pode ser explicado, mas hoje tive uma certeza: não é nada do que eu vivi. Um amor que se parece com o conhecido é pouco, é mínimo, é bobagem. Esqueci mãos, pés, olhos, dentes, pele, cheiro, timbre. Mas não palavras. Ah, aquelas palavras de desculpas tolas para se tentar explicar aquilo que não se formalizou. Percebi que a quantidade de estímulos é o que me segura, o que me faz querer ficar, morar, resistir. Explicações geralmente me provocam o oposto. E por me respeitar, por me amar, por me considerar, por conviver com minha essência e por ainda estar em processo de autoconhecimento, decidi me dar o devido valor. É claro que com muitos deslizes, mas sempre com a tentativa de acerto. Se eu tentei com tantas pessoas, por que eu não tentaria comigo? E assim, após essa discussão nem um pouco inteligível - pelo menos do ponto de vista de leitor - que resolvi abandonar as expectativas, a busca, a esperança, a fé, o amor. Mas só por essa noite, sabe por que? Porque viver pensando demais cansa. Porque amar sozinho dói. Porque o tesão só acontece depois de rituais de gentileza. E porque me tornei, in-felizmente, um comerciante, que oferece amostras grátis de sentimentos a quem chega e só pergunta as horas. E comerciantes, como eu, que têm estampado na cara que pratica-se o "fiado", acabam sendo usados enquanto vale a pena, enquanto convém. E convenhamos: preciso de sorte. Preciso de orações. Preciso de muita luz, muita fé, muita esperança, muito amor. Preciso reencontrar agora todos os afetos que me afetam, que me compõem, para que eu possa me recompor. E foi isso que fiz. Me despi até chegar à minha nudez de sentimento, para que eu pudesse entender qual a minha essência. Há a possibilidade de um vaso de barro não conter barro? Pois é isso que me norteia: embora eu ainda não o tenha, continuo feito de AMOR.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Partir



Sabe quando você passa muito tempo sentado de mal jeito, sobre a perna, e depois não consegue se levantar? Aquela dormência chatinha, que te faz parecer rir de tão sem graça, mas trata-se de um quase choro? É por aí que quero falar. Porém, sobre outra parte do corpo. O coração. O órgão do corpo que a gente menos sente quando "formiga". Debruçamos expectativas sobre o peito que quase nem bombeia sangue pra sobreviver. E a gente cuida de quem está fora, e vai deixando de perceber a importância que se tem por dentro. As batidas do coração enfraquecem, ou não são mais sentidas por causa dessa dormência. E dormem sonhos. E dormem vontades. E dormem aqueles sorrisos de paz. Lembra aquele momento em que você faz uma compra e sai sem o produto? Daí você sente que falta alguma coisa, que está esquecendo de alguma coisa. Até perceber que faltava você! Caramba, como pude esquecer o produto mais valioso, pelo qual gasto minhas energias, meu tempo, meu trabalho? Onde está a gente na hora que a gente mais precisa, meu Deus? E a gente pensa em cair fora, pensa em ficar, pensa se suporta, até que criamos coragem, uma linda coragem de dizer "basta"! Então os órgãos do sentido voltam a trabalhar com a intuição, coisa que nunca, nunquinha, deveria ter deixado de acontecer. E o ouvido melhora, e é claro, a gente ouve melhor até o que não é dito. Pois a gente sabe direitinho quando o coração de outra pessoa não está batendo no ritmo do nosso. Então você decide ir embora, mesmo com medo, mesmo com vontade de ficar, mesmo com vontade de desaparecer, mesmo com aquele Para Sempre transformado em Nunca Mais, mas no fundo algo diz que será melhor. Porque se a gente não escuta os "nãos" do amor a tempo, se a gente não desliga daquilo que não funciona, ou se a gente persiste em algo sem futuro bonito, corremos o risco de perder a história que sempre esperamos viver.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Flor azul



A cada acontecimento, procurava uma explicação para o seu alívio. E ignorava os maus sentimentos, porque para si não era permitido senti-los. Até que ficou cheio, abafado. E se viu no espelho brilhante demais, trabalhado demais, feito um lustre de fino porte. Colorido, bonito, atraente, engraçado, meigo, amoroso, leve aos outros olhares, feito um balão. E vazio, feito um balão. Procurava entender de onde vinha essa tristeza, e a nomeou angústia, pois angústias são sentidas, não explicadas. E começou a perceber suas atitudes diante de dias ruins. Deixou um pouco de lado as explicações e se permitiu decepcionar, chatear, ter raiva, ódio, chorar. O susto pela permissão desses sentimentos paralisava cada músculo da sua face. Foi lindo sentir tudo isso - pensou. Trocou subitamente a palavra lindo por importante. Engrandecedor talvez. E necessário. Não como uma forma constante de olhar as coisas, mas como uma maneira sincera de se viver. E compreendeu que sorrisos sinceros são sementes delicadas, que precisam ser cultivadas com pequenas e cuidadosas doses de sofrimentos elaborados. Estava tornando-se fiel a si. 'Mas pra onde foi essa pessoa que aprendeu a ser gente?' - Alguém perguntou. Regar a flor azul que enfim nasceu.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Semear e colher



Não mereço isso, não poderia ter acontecido aquilo, há algo de errado na minha vida. Obrigado por tudo, a cada dia uma nova surpresa, isso foi a melhor coisa que me aconteceu nesses últimos dias. Te amo, não te suporto, fica, vai. Me ajude, bem feito pra você, eu te avisei, estou contigo. Não desista, siga em frente, abra mão, você não vai conseguir. Pensamentos. Atitudes. Energia. Vibração. Por tudo isso, como já disse o poeta, a regra é simples: "se você quer saber o que vai colher amanhã, basta observar o que está semeando hoje."

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Manhã de terça-feira



Era manhã ainda, e havia uma certeza bonita de que o dia seria melhor. As coisas seriam feitas sem aquela porcentagem de exigência que até ontem pairava em tudo e em todos. Como pode sorrir tranquilizar? E então, esqueceu todos os sapatos apertados e passou a caminhar descalço, sem medo de se cortar ou se machucar em algum espinho. A vida estava mais natural. A luz do dia acariciava a pele. Aquelas gotas de tinta acidentalmente derramadas sobre uma ou duas cartas serviram apenas como um sinal para um obsessivo que é escravo da perfeição: melhor não enviá-las, não ainda, não agora. Porque ela poderia fugir ou se assustar. Talvez chamaria isso de liberdade, se não existisse uma vontade de se amarrar, de ficar, de persistir. Mas foi chamado de amor, um lindo amor, e com entrega.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 12 de agosto de 2012

Sentimento presente



Somente quando duas vidas se cruzam por completas é que abre-se a possibilidade de ficar. E completude significa caminhar com o lado certo e errado, sem medo da entrega, sem medo dos diversos rumos que se pode tomar um coração. E aquele momento da escolha, aquele momento em que você percebe que havia tudo para dar errado e dá certo, é que caracteriza uma bela história. A nossa história.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Essência



Por mais que a vida insista em me mostrar seus espinhos, eu prometi voltar meu foco pras flores. Então canto, em todos os cantos. Sorriso é pouco, o que quero e espero espalhar por aí é quase que feitiço bom, serenata de paz, luz multicor. Pr'aqueles que me ofereceram mentiras, tenho minhas verdades guardadas, num cantinho especial chamado esperança. Com um remo chamado amor, navego num barco de fé. Prometi gostar a cada dia mais das pessoas, por mais que algumas insistam em me fazer perder a confiança. Por mais que algumas desfaçam minhas expectativas sobre os sentimentos puros. E por mais que algumas me façam esquecer quem sou. Um dia, a gente entende que enquanto houver perfume, a beleza das flores continuará nos encantando. Mas sem essência, que fique claro, meus olhos não brilham mais.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Os "clicks" da vida




Gosto dos clicks que a vida faz. Em um click você finalmente percebe o que é duradouro e o que é passageiro, o que é com ternura e o que é aventura. É no click que você entende quando está se levando uma vida que te tira a paz. Aprendi que mover céu e terra para alguém é lindo, mas a gente tem que se respeitar. Se lembrar dos nossos valores, princípios, e o essencial: nossos sonhos. Por isso parei de remar contra a maré em mim mesmo. Quem sempre sonhou com a completude, não espera e nem suporta metades. Porque quando você reconhece o seu valor, definitivamente, não é qualquer pouco que te satisfaz.

(Por Geraldo Viela Mano Júnior)

Tempo




Procurei o Tempo para que curasse minha ansiedade, ou me desse a mão para atravessar meus diversos momentos difíceis. Pedi ao Tempo apoio nas horas de pouca fé e desilusão. Gritava por socorro diante da perda da esperança, suplicava para que me fizesse esquecer, implorava bom amor, e o Tempo o tempo todo ali, atento, olhando nos meus olhos. O Tempo me esperou secar as lágrimas e, com um leve sorriso, colocou suavemente a mão direita no meu ombro e disse: - Deixe-me passar...

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Cuide do que você tem



Cuidar do que temos nas mãos. Valorizar sentimentos oferecidos, pois ao contrário de flores, estes não morrem com tamanha facilidade. Olhar pro céu e agradecer é pouco, é preciso ir além. A regra é simples: o velho ditado 'Tudo que vai, volta' não funciona mais comigo. Se eu for, meu bem, acredite... eu não volto.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Quando se vai um amor



Impossível não seria, se você soubesse me olhar nos olhos e enxergar amor transbordando em mim. De tão intenso, talvez eu não pudesse demostrar que adoraria te ter ao meu lado com aquele Para Sempre que aprendemos logo na infância. Tudo bem. De nada vai adiantar eu ficar fazendo careta pras outras pessoas que entram e saem da sua vida. Vou repetir: entram e saem. Já não acredito mais em paixão que anula, porque a partir de agora você me ensinou a amar. A me amar. E a dar um passo de cada vez, respeitando o tempo que me chama pra ser feliz sempre que sol aparece ou que uma nuvem paira no céu. Não estou abrindo mão desse amor bonito de saborear, gostoso de viver, e um pouco doído de sentir. Deixo a vida trazer os melhores presentes. E por saber que alguns presentes veem com defeito, te deixo voltar de onde veio, para que venha ser perfeito como jamais deixei de acreditar. Vá com Deus, ok? Não se esqueça que vou te esperar... só que agora pelo tempo que eu quiser.


(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

O Presente



De repente, bateu uma sensação de que hoje é um dia especial. Não por hoje ser hoje, nem por hoje ser mais um dia. Hoje é O Dia. O momento presente, aquele que não te oferece nada, mas que espera que você o oferte algo bom. Inúmeros sentimentos, todos espalhados sobre a mesa. Difícil decisão sobre qual desses presentes escolher e oferecer. Fiz um embrulho bonito, com laço verde mata, de cetim. Embalagem azul brilhante, feito céu. Dentro coloquei a fé, que ocupou quase todo o espaço. Ao redor, coube algumas sementes: sorrisos, amores, esperanças, verdades, gentilezas. E rezei baixinho, só pra Deus ouvir. Tudo feito, entreguei o presente ao meu Presente. E por incrível que pareça, tive a sensação de que uma criança no mundo sorriu.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Sinais



Entender cada gesto, cada mudança, cada atitude. Silêncios também dizem muito. Embora o coração insista, a alma sabe quando é a hora de partir. Por mais que sejamos um pouco pessimistas, acreditar é o que nos move, no guia, nos orienta. Tem dia que é preciso ser e se mostrar frágil, para que as pessoas entendam de uma vez o que somos e o que queremos. Seguir as pistas, enxugar o rosto, sorrir sozinho mesmo quando o que se quer é desabafar. Um dia me ensinaram sobre o trânsito: verde - siga em frente, amarelo - atenção, vermelho - pare. E assim aprendi a ler os sinais. Sinais não mentem. Pessoas... talvez.


(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

terça-feira, 24 de julho de 2012

Voar



Reinventei o amor levando a vida devagar, sem muita bagagem e sem pegar carona no desespero. Abri a porta dos sentimentos nobres e decidi esquecer essa mania de amar demais, querer demais, esperar demais. Aceito metades e me tranquilizo toda vez que imagino-as se transformando em inteiros. Dei tempo ao tempo, fechei os olhos e rezei. Um dia me disseram pra manter os pés no chão e, de distraído que sou, retirei toda a poeira da pureza que em mim habita e coloquei alguns grãos de esperança no bolso. E voei.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Aceito e agradeço



Foram muitos dias tentando decifrar cada desencontro, cada perda, cada esquecimento. Até entender que decifrar não era a tarefa principal, mas sim aceitar e agradecer. Pois só foram possíveis as poesias porque alguém se dispôs a se entregar até o seu limite. Fecho os olhos e vejo fé. Vejo luz. Vejo anjos. Um dia a gente entende que cada minuto perdido em prol de um sonho se reveste na realização do mesmo. Porque esperar não é perder tempo. É querer o melhor.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Tesouros




Que não percamos a fé nas pessoas, nos sentimentos, nas atitudes. Porque carecemos constantemente de brilhos nos olhos, produzidos pela esperança. Que possamos espalhar luz pelos caminhos, e que sejamos mestres em ensinar e aprender a renovar. E que o destino se encarregue de trazer ao nosso encontro nosso próprio interior, para que possamos distinguir os bons. Tem muita gente bacana no mundo... gente tesouro, eu diria, porque é cavando que a gente encontra.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Florir





Continuar acreditando é o que nos resta depois de tantas dúvidas, tantas desilusões, tantas decepções. Fazer brotar de novo a confiança é a única saída para dar espaços aos bons sentimentos. Que sejam menos penosas as nossas relações, e que um escudo protetor nos afaste de pessoas que nos querem para brincar de sofrer. E se essas pessoas aparecerem, desejo imensamente que não as levemos a sério, e que o anjo mais puro desça e nos proteja. Que possamos cuidar de quem nos ama e nos apaixonar a cada dia mais por essas pessoas, que se preocupam e se importam com a gente. Dar um desconto a essa carência, que nos permite deixar a porta do coração sempre aberta, sem tranca e sem segurança. Que tenhamos sabedoria para distinguir amor de mero encanto. Nada de paixões avassaladoras, porque somos de um tempo em que se acredita em amor bonito e sereno. E se não aparecer a gente inventa, enfeita o caminho e se rega por dentro, até outro amor novinho florir pra gente.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Quando a gente decide viver




Te tirar de vista: aos poucos meu coração me dizia que era a forma mais bonita de te esquecer. Lembrar de você sorrindo, ao invés de tê-la por perto, indiferente. Tornar o que sinto mais calmo, até que descanse, porque não acredito na morte dos sentimentos. Mas acredite, não há mais condições para apertos no peito. Por isso decidi viver com o que a vida me oferece, e não mais com a esperança de ter aquilo que tanto implorei...

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Talvez



Talvez Deus queira que você conheça muita gente errada antes da pessoa certa, para que quando conhecê-la, afinal, saiba estar verdadeiramente agradecido.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Desejo...




Que minha ânsia por querer dar certo se transforme em paz, e que só me faça vibrar aquilo que for de essência pura, leve e transparente.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Coragem



Lembre-se todos os dias de cada emoção pela coragem que teve em cuidar e se preocupar com alguém. Porque ser feliz é só pr'aqueles que não se acovardaram, mesmo que tantas vezes com todo medo do mundo.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)