quinta-feira, 14 de julho de 2011

Restaurando o coração - Viver intensamente

"Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. O romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando, porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu" (Luís Fernando Veríssimo).




Depois de alguns tombos, a vida exige da gente mais disciplina, melhores condutas, mais respeito com a gente mesmo. Após a arte de se entregar às relações, de vivenciá-las e de perder todas as boas expectativas possíveis, um caminhão de ideias tenebrosas perambulam sobre nossas cabeças. Inclusive a ideia de não se importar mais com os sentimentos dos outros, de não ser mais bobo, não ser feito de otário, não cair na lábia de ninguém. Nos transformamos em pessoas, ou coisas, ou sei lá o que, amarguradas. Perdemos o sentido de algum ponto que antes acreditávamos existir. Mas acredite, ainda existe. O amor, a amizade ou o parentesco não termina porque você teve más experiências. Ou melhor ilustrando com a velha frase de que 'mesmo que seu coração esteja em pedaços o mundo não para'. Na certa, levaremos algum tempo para deixar curar essa ferida que se formou. E nesse tempo, outras mil maravilhas podem sim acontecer. O que nos fará encontrá-las é a escolha, sempre. Você pode escolher caminhos que já percorreu algum dia, momentos especiais que já não se lembrava mais: ver tv na cama dos pais, pintar o rosto de uma criança e deixar ser pintado, visitar um asilo, tomar chuva sem pressa ou medo de se molhar, comer na cama, sair com amigos, mandar uma mensagem pra alguém que há tempos não conversava, puxar papo com um ex-colega de classe, aprender algo que nunca pensou em fazer, destrinchar de cada música o som de um instrumento e tentar reconhecê-lo, passear de bicicleta, subir num local bem alto só pra admirar a vista, fazer um desenho livre, dançar no quarto, tomar cerveja no bico, escutar muitas piadas, assistir a filmes que goste, ler coisas que lhe agradem, roubar uma flor e dá-la pra alguém... Sabe quando você vê no perfil de uma pessoa, ou que seja no msn, a frase 'vivendo intensamente'? Então, acredito muito nisso. Ninguém precisa fazer muito pra se viver intensamente, basta fazer aquilo que goste sem a intenção de prejudicar alguém. Claro que não é possível uma pessoa com característica introvertida sair fazendo mil loucuras, mas é óbvio que todo mundo tem a capacidade de correr atrás daquilo que lhe faz bem. Ao certo, o sentimento que não é cultivado deixa poderosos mecanismos que nos afastam do mundo, do bem estar, da vida. E lutar contra isso não será tarefa de ninguém além de nós mesmos. As pessoas se esquecem o quão breve é a vida, e de que dela nada se levará. Se esquecem que os pais, os amigos, os irmãos, os colegas de trabalho não estarão conosco por mais de 50 anos, e que o tempo passa, e que iremos nos separar. Triste e desesperador, não?! Mas essa é a vida, e se você é do tipo que procura não pensar nessa hipótese, pode ter certeza que você nunca aprenderá a viver intensamente por achar que as coisas são para sempre, mas sinto muito, não são...

Não me tire a solidão sem em troca me oferecer a verdadeira companhia... Essa é a frase que eu gostaria de carregar na testa. Mas logo penso que seria apenas pra me defender. Ninguém, absoltamente ninguém, tem o manual de como agir perante a gente. E vice versa. Só assim vou entendendo que as pessoas que aparecem em nossas vidas têm intenções parecidas com as nossas, principalmente a de ser feliz no amor. Acredito que ninguém seja bobo o bastante pra perder seu tempo fazendo mal a alguém, afinal é o mesmo tempo que poderia se encontrar o amor da sua vida! E hoje só não confundo mais amor com orgulho ferido. É quase a mesma coisa. Você passa um tempo se relacionando com alguém mas sempre desejando que essa pessoa mude, ou que venha outra melhor pra ocupar o lugar. Ué, até então não há amor, pois amor é também entender os defeitos do outro, e principalmente saber lidar com eles. Mas aí essa pessoa decide ir embora, e o que acontece? Sentimos falta, sofremos, queremos de volta. Mas no fundo só queremos ter a chance de dar a cartada final, talvez em outra ocasião; queremos estar sempre por cima! Pobre de nós, mais uma vez perdemos a oportunidade de encontrar o amor de nossas vidas por criancice, por orgulho, por não saber otimizar nosso tempo. E não deixamos o outro ir por que não queremos sofrer. Quanto egoísmo...

A partir de hoje prometi sempre me perguntar se é amor ou orgulho ferido... Prometi me amar mais, cuidar dos meus pensamentos para que meu corpo também fique feliz. Prometi deixar tudo aquilo que quer ir seguir seu rumo, e mais ainda, prometi pedir para que fique apenas uma vez. Prometi notar onde foi que eu errei e pedir desculpas olhando nos olhos, como também prometi dar uma única chance e deixar as pessoas também terem a oportunidade de se desculpar. Prometi ligar no outro dia uma única vez, e esperar; se não houver respostas, prometi sentir-me bem em pensar que sempre haverão outras pessoas, outras ocasiões, outros amores. Prometi odiar por um dia, e dormir com a certeza de que outro dia novinho em folha existirá pra que eu possa recomeçar sem rancor. Prometi ficar bem com as pessoas que amo a cada anoitecer, pois não sei se o dia de amanhã virá para todos nós. Assim também, prometi ter muito cuidado com as palavras que deixo a alguém, podem ser as últimas e também aquela que me definirá caso eu não esteja aqui pra me defender. Prometi ir a lugares desconhecidos, experimentar novos sabores, sem medo de sair de fininho caso eu não goste. Mas prometi a mim mesmo ser sincero e dizer sutilmente que não gostei. Prometi aproveitar todas as festas e abandonar a dor pra dançar um pouco. Afinal, a dor pode nos esperar chegar em casa. Prometi amar menos vezes, mas sempre com mais intensidade. Prometi me decepcionar, viver a perda, me emocionar. Prometi deixar de ser a sombra das pessoas pra ser protagonista da minha história. Prometi deixar de ser vítima nas diversas situações e, principalmente, entender que se eu quis, eu também fui culpado. Prometi me aceitar do jeito que sou. Prometi me calar quando alguém gritar comigo, as coisas só poderão piorar se eu quiser. Prometi sorrir e responder 'porque você quer saber?' quando eu não estiver afim de contar algo pra alguém. Prometi me preocupar apenas com a opinião dos meus pais, eles sim são pessoas que não pretendo decepcionar. Prometi amar mais meus irmãos e suportá-los, eles também deve me achar entediante às vezes. Prometi ser mais amigo dos meus amigos, e além de tudo, tentar entendê-los, principalmente quando eles não quiserem a minha companhia. Prometi dar o máximo de mim em tudo o que eu fizer, e me orgulhar de mim mesmo, e me envergonhar de mim também. Prometi ser mudança constante. Enfim, a minha maior promessa foi não ser obrigado a fazer tudo aquilo que prometi, pois não pretendo me acorrentar a crenças nem tampouco a opiniões, e sei que sempre farão parte da minha vida os erros, os acertos e a aprendizagem...

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

terça-feira, 12 de julho de 2011

O tamanho de uma pessoa

Pessoas sábias falam sobre ideias; Pessoas comuns falam sobre coisas; Pessoas medíocres falam sobre pessoas...





Sinceramente, me espanto com a agilidade que passo de sábio a medíocre. Tenho lá meus momentos de recaída... Mas enfim, admito isso. E quem não admite? Bom, aí já não é mais o nosso problema. Na certa você já percebeu do que eu falo aqui: pessoas. Mas preciso dizer sobre elas para que assim possamos refletir sobre nós mesmos. A vida é assim: um dia estamos ótimos, cheios de expectativas, bom humor elevado. Mas aí, por pouquíssima coisa, entramos em crise existencial. O fato é que negar a si mesmo aquilo que é do próprio ser humano virou modinha. Tentar pagar de justo e bom samaritano também. Quando leio textos de autoajuda logo imagino o quanto sou especial, já que esses textos me dão razão em tudo de errado que faço. Poucos são os textos que me dirão pra seguir o caminho da minha conduta ética-moral. Não é possível implicar a todas as pessoas a lei de não fazer ou desejar mal ao outro. Essas leis são válidas a nós, regidos por normas culturais e dúvidas em relação às situações. Quando digo dúvidas, me refiro a pensar hipóteses diante os acontecimentos. Poucos fazem isso. Tornou-se cultural fazer valer apenas meu ponto de vista. O que fazer, o que fazer, o que fazer? Angustiante é pensar que se meu 'disconfiômetro' vive ligado, eu sempre perceberei onde errei, e sentirei culpa, ao contrário de muitos por aí. Porém, mais angustiante ainda é saber que estou errando e ainda continuar no mesmo caminho...

Somos seres diferentes, fato. A mídia adora sensacionalizar o massacre de um cara que surtou. E nós adoramos chamar o possível louco de monstro. Sim, mais uma vez estamos reproduzindo o sentimento de massa. As pessoas são diferentes, volto a dizer. E imagino que seja 'perdida' a vida daquelas pessoas que não vivem essa guerra que a maioria de nós possuímos dentro de si. Essa dúvida de fazer ou não fazer, os riscos que se pode correr. Deve ser terrível não conhecer os dois lados. Se nós que nos questionamos a todo momento nos sentimos sem rumo, imagine uma pessoa sem controle? O real motivo para esse protótipo de discurso é justamente tentar compreender o nosso tamanho. E entender que agiremos de diversas formas, às vezes completamente opostas àquilo que nos foi ensinado. Nessa situação, ninguém tem tamanho único. Vamos falar de pessoas, de coisas, de ideias. Contudo, o que nos define são nossas ações. Se sei que faço mal em julgar e reclamar, porque continuo? Onde está o problema? Num confronto entre duzentas e uma pessoas, você é a certa e considera as outras duzentas erradas... Não lhe resta nenhuma dúvida? Se sua resposta for não, é melhor parar por aqui...

Julgamos o outro fácil fácil, é só esquecer nosso lado obscuro...

Não sou exatamente do tamanho que me vejo, muito menos do que você vê. Sou do tamanho do que faço, do que sinto e do que passei para chegar até aqui, e isso eu chamo simplesmente de Caráter...

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Cansaço

Foi quando me vi sem a mínima vontade de lutar que me lembrei que só tenho uma vida, e que nela alguém me ama e espera o meu melhor...



Uma verdade: nem sempre levamos a vida que queremos. Outra verdade: mentimos quando discordamos dessa primeira. Tem dia que bate um cansaço tão grande da vida que dá vontade de sumir, hibernar, parar o tempo... Quando tudo se torna tão comum, tão estável, tão chato, queremos logo que a mudança caia do céu. Queremos novidade, queremos adrenalina, queremos arriscar a deixar nosso porto seguro. Há quanto tempo você não sente aquele medo do novo? A partir daí nosso coração começa a pedir algo diferente. Mas você continua aí, sentado, esperando algo de bom aparecer na janela do seu msn. A verdade incomoda, então lá vai mais uma: aqui você não vai encontrar nada além do que já viu... As pessoas de verdade vão te fazer sofrer sim, e você nem sempre vai ser legal pra elas. Mundo virtual só te faz sentir uma coisa, aceitação. Sim, estamos fartos de não sermos aceitos da forma que somos, com toda nossa carga emocional, nosso medo, nossas neuroses e psicoses, nossa chatice, nossa criancisse, nossa inocência, nosso caráter ou falta dele, nossa falta de paciência. Estamos fartos de sentir tristeza sem entender o porquê. Estamos imensamente cansados de tentar decifrar nossas angústias. Então o que fazer?

Se Valorizar e se Permitir...

Primeiramente, reconhecer nosso valor, nossas diferenças, o quanto somos especiais pra alguém, como somos capazes de ser e fazer alguém feliz. Lembrar que temos um espaço e que não estamos de passagem, estamos aqui para construir algo bom. Em segundo plano, permitir sair do comodismo. Todos temos nosso jeito de ser, nossa característica, nossa máscara de persona. E às vezes é isso que nos priva de viver algo novo. E nos incomoda. E nos retém. O segredo é se permitir ser aquilo que você deseja ser, criar coragem, conhecer pessoas, dizer que ama ou que atitude não lhe agradou. O máximo que poderá lhe acontecer é você estar bem consigo mesmo. Um dia percebemos que cansaço é como chute na bunda. De alguma forma vai te jogar pra frente... Mas é claro, você também tem que querer caminhar. Com o seu primeiro passo, por mais insignificante que possa parecer, você verá que já saiu do ponto onde se encontrava, sozinho, da forma que tem que ser...

Cansei de buscar a pessoa perfeita se nem eu mesmo posso ser perfeito sempre. Cansei de chorar pelos cantos, ter pena de mim, buscar alegrias em coisas e pessoas que nada me acrescentariam. Cansei de descontar em meu corpo as desavenças que a vida me ofereceu. Me embebedar, comer porcarias, não praticar exercícios só me fizeram gostar menos de mim. Cansei de implorar atenção, agora vivo em função daquilo que me faz feliz. Me incomodou, me retiro, não vamos discutir com pequenas bobagens. Guardo essa energia pra conquistar meus objetivos, afinal, se trata da mesma energia! Não quer, não brigo, sigo meu caminho com a certeza de que estar só é bem melhor que estar com a pessoa errada, assim não penso desesperadamente em encontrar a pessoa certa. Bateu tristeza? Talvez eu não saiba o que me faz feliz, mas com certeza posso me afastar de tudo aquilo que não me quer e nem me faz bem! ;)


(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Eu Desisto




É isso mesmo, entreguei os pontos, não dá mais, acabou... Essa frase soa com tanta força, não é? Mas é verdade, eu desisti mesmo. De um monte de coisas...

Desisti de reclamar de quem não quer aprender. Decidi me concentrar em quem quer. E se você olhar bem direitinho, perto de você tem um monte de gente sedenta de conhecimento.

Desisti de tentar emagrecer para ser igual a todo mundo. Resolvi ter o peso que eu devo ter, por uma questão de saúde, por uma questão de bem estar. Só isso.

Desisti de tentar fazer com que as pessoas pensem do jeito que eu gostaria que elas pensassem. Achei melhor buscar respeitar o outro do jeito que ele é. Imagina se o mundo fosse feito de milhões de pessoas iguais a mim... Ah, isso ia ser um tormento!

Desisti de procurar um emprego perfeito e apaixonante. Achei que estava na hora de me apaixonar pelo meu trabalho e fazer dele o acontecimento mais incrível da minha vida, enquanto ele durar.

Desisti de procurar defeito nas pessoas. Achei que estava na hora de colocar um filtro e só ver o que as pessoas têm de melhor. Defeito todo mundo acha, quero ver achar qualidades em quem parece não tê-las.

Desisti de ter o celular mais “psico-tecno-cibernético” do mercado. Agora eu só quero um telefone, pra falar.
É muito frustrante comprar o mais novo modelo e dias depois ver que ele já foi superado. É pra isso que a indústria trabalha. Aproveitei o gancho e apliquei o conceito também a outros produtos: relógio, computador, máquina fotográfica, carro.

Desisti de impor minha opinião sobre tudo. Decidi que de agora em diante vou ouvir todas as opiniões, mesmo as contrárias, e vou tentar tirar proveito de cada uma delas. É mais barato compartilhar as opiniões do que brigar pra manter só uma.

Desisti de ter tanta pressa. Tudo na vida tem seu tempo, e se não acontecer, não era pra acontecer. Não quer dizer que eu vou “deixar a vida me levar” e parar de correr atrás do que eu acredito, mas não vou me desesperar se eu perder o vôo. Sei lá o que vai acontecer com o avião...

Desisti de correr da chuva. Tem coisa mais bacana que tomar banho de chuva? Há quanto tempo você não sente aquele cheiro de terra molhada? E se o resfriado chegar, qual o problema? Não vai ser o primeiro nem o último.

Desisti de estudar por obrigação. Agora eu faço da leitura um momento de prazer... Cadeira confortável, pezão pra cima, um chocolate quente, minha gata ronronando do lado. Os livros agora ficaram menores e mais fáceis, mesmo que seja a CLT ou a NBR 9004.

Desisti de buscar uma planilha de indicadores toda verdinha. Os índices são assim mesmo, às vezes melhoram, às vezes pioram. Isso é o mundo real. Eu não vou deixar de fazer a gestão sobre eles, mas decidi que não vou mais sofrer por isso. Bons ou ruins eles devem gerar aprendizado e isso é o mais importante.

Desisti de trabalhar para fazer o meu sistema da qualidade ser perfeito. Eu prefiro mantê-lo sob controle, funcionando, ajudando as pessoas, ajudando os processos, dando resultados, mesmo que aos poucos.

Com essa filosofia eu ganhei um monte de parceiros, ao invés de cultivar inimigos. Se eu fosse você, desistia também.


Tem um monte de coisas que você faz, carrega e sente, que não precisa...


(Por Thais Cadorim)

domingo, 10 de julho de 2011

Saudade

Escorre pelos olhos a saudade que já não cabe mais no coração...




Saudade... Sentimento que adora chegar à noite, quando estamos sós. Ela existe pra molhar nosso travesseiro, pra fazer apertar nosso peito, pra calar nossa voz. Se eu pudesse transformá-la em pó, com certeza teria um ataque alérgico. Ora, saudade é o que mais tenho vivido nos últimos tempos. E olha que nem era pra ser assim com os dias breves que venho levando. Mas e quem disse que a saudade está aí pra nós? Ela só quer alguém pra manifestar sua existência e nos mostrar a todo momento que precisamos do que está de fora pra ser feliz. Saudade é na verdade uma falta sem cura, que só ameniza quando se está junto, mas não se pode matá-la. Saudade do que viveu, do que ouviu, do que viu, do que sentiu. Saudade de quem morreu, quem se foi, quem não disse adeus. Saudade de quem partiu, de quem sumiu, de quem correu. Saudade. Sentimento sem nenhuma nobreza, que nos faz perder o ar por não ter dito tudo o que queríamos, por não ter aproveitado mais cada instante, por algo que ainda não vivemos... Claro que é possível sentir saudade daquilo que não vivemos! Basta deitar, imaginar uma, duas, três vezes ou mais momentos que seriam inesquecíveis com alguém especial e logo suspirar de saudade. Como se tivéssemos vivido algo em nosso pensamento que nos trouxe sensações e nos deixou marcas. Felizmente podemos nos satisfazer ao menos em pensamento, pois se não fosse isso talvez perdêssemos a graça de viver. O bom da saudade é isso, ela nos faz lacrimejar e voltar a ter brilho nos olhos antes opacos por viver na escuridão. E é quando você chora que contrai os músculos dos olhos, do rosto, e se faz jovem novamente, e se faz gente novamente, e se faz forte novamente. As pessoas se vão, a saudade fica. O dia termina, a saudade aparece. Se eu tivesse força suficiente, talvez reviveria algumas coisas em minha vida, alguns amores, algumas perdas. Mas pensaria rapidamente e agradeceria, afinal, pra que reviver a perda se já doeu uma vez? Prefiro ficar na minha, tomar bons drinks e quando me deitar, sozinho, suspirar...

E sentir saudade...


(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Sobreviver ao amor

E hoje "vou me enganar mais uma vez, fingindo que te amo às vezes, como se não te amasse sempre." (Tati Bernardi)






Seu Anjo da Guarda


Quando eu vejo seu sorriso
Lágrimas escorrem por meu rosto e não posso fazê-las voltar
E agora que eu sou mais forte descobri
Como esse mundo se torna frio e abre caminho até minha alma
E eu sei que descobrirei bem no fundo que poderei ser o único

Nunca deixarei você cair
Eu estarei de pé com você eternamente
Eu estarei lá por você do começo ao fim de tudo
Mesmo que salvar você me mande para o céu

Tudo bem, tudo bem, tudo bem
As estações estão mudando
e as ondas se quebrando
e as estrelas estão caindo todas por nós
Os dias aumentam e as noites diminuem
Eu posso te mostrar que serei o primeiro

Nunca deixarei você cair
Eu estarei de pé com você eternamente
Eu estarei lá por você do começo ao fim de tudo
Mesmo que salvar você me mande para o céu

Por que você é, você é, meu verdadeiro amor, de todo meu coração
Por favor, não o jogue fora
Por que eu estou aqui por você
Por favor não se vá
Por favor diga que você vai ficar, ficar

Me use como você quiser
Me persua sutilmente só por emoção
E eu sei que ficarei bem
Embora meus céus se tornem cinza

Nunca deixarei você cair
Eu estarei de pé com você eternamente
Eu estarei lá por você do começo ao fim de tudo
Mesmo se salvar você me envie para o céu...





A gente não erra em amar uma pessoa. A gente erra em esperar que ela nos ame da mesma maneira que a amamos. Foi assim desde a primeira vírgula até a vírgula e ponto. Ponto final eu não digo, embora eu o queira. Mas ninguém sabe as voltas que a vida dá e não serei louco em dizer que comigo nunca acontecerá. A verdade é: te amei da forma mais pura e verdadeira que um homem poderia amar uma mulher. E não recebi nada do que quis, pois caí na besteira das expectativas. Não soube ver suas surpresas, não soubemos esperar a hora certa, quisemos e fizemos tudo apressadamente, com medo de não dar tempo. Não, esse não foi nosso erro, foi a nossa característica, a cara e a lógica do nosso amor. Eu precisei do seu tempo assim como um dia você precisou do meu. Mas que irônico, o tempo das pessoas são diferentes. Enquanto eu vivi um dia você viveu um mês. E não me esperou. Mas por que esperar se eu larguei tua mão? Ninguém foi culpado, ninguém. Assim como o sol se deita sobre a montanha para entardecer e formar o cenário que conhecemos, os acontecimentos se deitaram sobre o que passou e formaram uma nova verdade. Se eu ainda te amo eu não sei. Sei que sinto falta e tenho medo de não encontrar um amor com a cara que já me acostumei. Mas ainda não a quero de volta porque sei que pra você a superação foi mais fácil em público e mais difícil pra você; já eu, não tive essa sorte, foi uma junção de dificuldades. Sei apenas que canto o amor. Canto para as pessoas prestarem mais atenção enquanto estão juntas, enquanto podem fazer alguém feliz. Em mim não penso tanto mais. Eu vivo. Desistir de um grande amor pode ser fatal, mas se estou aqui é porque sobrevivi. E você também...


(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Não pratico o desapego

"Eu acredito que tudo acontece por um motivo. As pessoas mudam para que você consiga deixá-las para lá. As coisas dão mal para você aprender a apreciá-las quando estão boas. E às vezes, coisas boas se separam para que coisas melhores ainda se juntem." (Marilyn Monroe)





Não acredito no desapego. Praticar o desapego é procurar razões pra odiar aquilo que mais se amou. Eu quero paz, só isso. Diariamente, recebemos e-mail e lemos coisas que já se tornaram clichês. São frases, pensamentos, parágrafos e textos que nos conduzem a ver o que passou da forma mais estúpida e hipócrita que possa existir. Talvez o que eu escreva não seja diferente, mas acredite, aqui está o meu melhor. Longe de mim fazer pregações de bondade e caridade, não quero isso. Muito menos te fazer se sentir melhor. Estaria no caminho da fábrica do narcisismo, do bem estar único, individual, e foda-se pro resto. Não, esse não sou eu. Procuro me entender escrevendo. E escrevo sem me entender, apenas com o mínimo de conhecimento adquirido ao longo de minhas vivências.

Não são as palavras desaforadas que me farão perceber o que passou de uma forma diferente. São os significados que dei a cada sentimento, a cada escolha, a cada culpa. O que passou foi ruim e foi bom, mas isso não interferiu em sua marca nas lembranças. O que passou tem seus motivos pra ser passado, mas com certeza nem sempre foram escolhas nossas. Os amores, os amigos, os momentos. Pobre de nós que queremos sempre ter a razão, racionalizar o quanto for preciso pra livrarmos da culpa e mantermo-nos psicologicamente saudáveis. A verdade é essa, muitas vezes agimos erroneamente e não sabemos assumir ou aceitar isso. O orgulho é nosso pai, a vergonha nossa mãe, a culpa nossa irmã caçula e a tristeza a irmã mais velha. E nós, quem nos tornamos? Fazemos parte dessa família de sentimentos e vivemos em conflitos. Seguimos as ordens do nosso pai, respeitamos nossa mãe, queremos controlar nossa irmã caçula e somos controlados por nossa irmã mais velha. Não é essa a lei?

Não pratico o desapego, acho isso impossível. Quando me lembro de esquecer, percebo que continuei a pensar. Apenas altero a ordem das minhas prioridades. Quando a ordem está refeita, aí sim tento mais uma vez. E se não deu certo, não me limito a sorrir uma lágrima nem a chorar um sorriso. Se eu tiver uma boa noite de sono, faço tudo diferente, isso se houver o amanhã...


(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Onde está seu amor?

"Eu sofro sendo assim, eu sofro porque, quando você acha mais da metade do mundo babaca, você passa muito tempo sozinho..." (Tati Bernardi)





Tenho sonhos incríveis às vezes, tão reais que me fazem acordar confuso. Principalmente em se tratando de amor. Sonho com pessoas reais que nunca vi. Sim, sonho com meu par, meu amor, e tenho certeza do meu sentimento que ali existe. Quando acordo, logo vejo, não passam de desejos. Para Freud, todo sonhos simboliza um desejo de acontecer ou não. E mais, para ele, sonhos são manifestações do inconsciente, resolução de um problema, de um tormento. Bom, eu não sou Freud, então não preciso concordar. Para mim, sonhos são mistérios. Podem ser um sinal, um aviso. É bom pensar assim. Lógico que não fico fantasiando amor de novela, música de fundo, clipe em câmera lenta, jamais! Amor pra mim existe sim, talvez eu que ainda não tenha vivido. Minha memória sim, essa tadinha, morre de amores. Quando me lembro das situações que vivi, aí sim vêm as cenas mais fantásticas, mais bonitas que as cenas do Titanic, de Um Amor Pra Recordar, de PS: Eu te Amo. Minha memória ama tanto que não me deixa esquecer. Se ao menos eu pudesse ter um pouquinho do que ela vivencia, aí sim talvez eu pudesse dizer que amo. Eu não. Aprendi a me separar dos meus pensamentos, afinal, sou um ser tão incrível que tenho a capacidade de me desprender do meu corpo e ir a lugares inusitados, principalmente durante as celebrações religiosas. Sou craque nisso! Aposto que você também é! Bom, o fato que me assombra e me dá vida é poder imaginar quem é, por onde anda, como é o meu amor. Será que nossos amores estão à nossa procura, assim como estamos em busca deles? Ou será que atualmente vivem em um relacionamento, sentindo-se felizes, amados? Será que eu convivo com meu verdadeiro amor? Ou será que essa é mais uma carga que tenho que aprender a carregar para depois se transformar em outra bagagem da minha memória? O foda é que com isso minha memória vai se tornando cada vez mais exigente, às vezes até insuportável...

O fato de você começar um relacionamento imaginando um fim quer te mostrar aquilo que você tem: medo. E quem não tem? Talvez essa seja a resposta pra quem tanto procura um relacionamento, mas que nunca encontrou satisfação. Mulheres que procuravam um príncipe, mas que só receberam o cavalo; homens que procuravam fadas, mas que só receberam as asinhas e quiseram de toda forma cortá-la para que sua amada fosse a massa social reproduzida, a mulher submissa, a dona de casa... O medo de estar com alguém especial, mas que te faz pensar na perda do tempo em que poderia encontrar alguém melhor, sua 'alma gêmea'. Contudo, muitas vezes você então acaba deixando de aprender a amar e respeitar quem te quer bem. Onde está o seu amor? Bem, se você não sabe, quem sou eu pra saber? Eu procuro o meu também, e caso você o ver por aí diga que mandei um 'oi', e que estou esperando ele lá no final da linha do trem...


(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Qual o seu medo?

"Meu maior medo é viver sozinho e não ter fé para receber um mundo diferente e não ter paz para se despedir. Meu maior medo é almoçar sozinho, jantar sozinho e me esforçar em me manter ocupado para não provocar compaixão dos garçons. Meu maior medo é ajudar as pessoas porque não sei me ajudar. Meu maior medo é desperdiçar espaço em uma cama de casal, sem acordar durante a chuva mais revolta, sem adormecer diante da chuva mais branda. Meu maior medo é a necessidade de ligar a tevê enquanto tomo banho. Meu maior medo é conversar com o rádio em engarrafamento. Meu maior medo é enfrentar um final de semana sozinho depois de ouvir os programas de meus colegas de trabalho. Meu maior medo é a segunda-feira e me calar para não parecer estranho e anti-social. Meu maior medo é escavar a noite para encontrar um par e voltar mais solteiro do que antes. Meu maior medo é não conseguir acabar uma cerveja sozinho. Meu maior medo é a indecisão ao escolher um presente para mim. Meu maior medo é a expectativa de dar certo na família, que não me deixa ao menos dar errado. Meu maior medo é escutar uma música, entender a letra e faltar uma companhia para concordar comigo. Meu maior medo é que a metade do rosto que apanho com a mão seja convencida a partir com a metade do rosto que não alcanço. Meu maior medo é escrever para não pensar." (Fabrício Carpinejar)





A gente vive cada bobeira que às vezes tenho vontade de rir e de chorar. Vivemos como se fôssemos os donos do mundo, pisando em cada ser humano que consideramos pequenos, e julgamo-nos sempre os melhores. Somos seres dignos de compaixão. A cada dia a gente aprende um pouco mais, mas não internalizamos esse pouco porque queremos o muito. O muito, o diferente e o exótico, quando belos aos nossos olhos, nos atrai. A gente se cansa fácil uns dos outros, a gente quer tudo aquilo que nossos olhos não conseguem ver, e não percebemos que estamos a todo momento desistindo de tudo aquilo de lindo que já possuímos em busca daquilo que acreditamos existir. Porque você estica tanto o pescoço quando está em uma roda de amigos, porque você se desliga durante as suas conversas e sua mente viaja para longe, um lugar extremamente vazio? Porque você tem facilidade de amar tudo o que vem de lugares desconhecidos, mas não é capaz de amar aquilo que foi feito com esmero e você conhece bem a procedência? Porque você vive dizendo que isso aqui, esse lugar, essas pessoas, esse universo, é pouco pra você? Não, não quero que fique, não quero que ninguém crie raízes, muito menos que abra mão dos seus sonhos. Quero apenas que você olhe uma vez de fora pra dentro, esqueça um pouco esse olhar de dentro pra fora, esse olhar que nos ensinaram a ter desde criança, um olhar narcísico no qual só nos ensinou a ver a vida do seu ponto de vista. Se eu não aprendi a olhar primeiro o que está em minha volta, eu não aprendi a selecionar o que é bom pra mim. Se eu estou tão acostumado a me ver e espelhar o que tenho nos outros, eu então desisti de crescer. Eu banalizei o sofrimento e a alegria alheia, eu aprendi a culpar os outros pela falta que sinto de mim mesmo. O meu medo não é ficar sozinho, é desistir de mim. E essa é a pior das solidões!

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Não quero mais ser Feliz

"Não quero mais ser feliz. Nem triste. Nem nada. Eu quis muito mandar na vida..." (Tati Bernardi)





Em tempos modernos, levamos uma vida em que temos a obrigação de sermos felizes. Sim, obrigação. Nossos pais ou cuidadores nos criam para isso, sermos sempre felizes. O problema é acertar na felicidade para que eles nos deixem aproveitá-la. Para que o mundo nos deixe aproveitá-la. Você está sempre correndo em busca dela que já não consegue olhar para o lado e entender quem é essa felicidade. Mas a massa comunicativa, a tecnologia flutuante, essas sim conseguem te dar um caminho a seguir. E o caminho é 'comprar'. O melhor celular para que você tenha a melhor conversa, a melhor roupa para que você tenha os movimentos mais sensuais, o melhor relógio para que você otimize seu tempo, o melhor carro para que você faça as melhores viagens e tenha a estrada só pra você, só pra você, Só Pra Você. Literalmente, que viagem! Que viagem, porra! Acooorda! Celular é pra falar com quem se ama, isso quando a distância é maior que a saudade; roupa é pra te cobrir de cores, não pra te sufocar em 12 vezes sem juros; relógios são pra te mostrar quanto tempo você pode aproveitar suas vivências, não pra te afastar delas com o risco de atrasar suas conquistas; carro é pra te levar a lugares onde suas pernas não são capazes, e os demais lugares são feitos pra colocar quem a gente ama; a estrada não é só sua, em cada 'per capta' há sonhos, dores, prioridades, por mais oligofrênico que um ser possa parecer...  A minha felicidade me garante que eu não preciso disso pra ser feliz. Meus passeios 'socráticos' pelos shoppings me ensinam quanta coisa não preciso pra ser feliz. No fundo, o que queremos é reconhecimento, e ser reconhecido pelo que temos pode até acontecer, mas sua durabilidade é 1/100 dos 3 anos que tudo aquilo que é produzido funciona bem. Felicidade é subjetiva, mas uma coisa é certa, ninguém a TEM. Felicidade a gente Vive. Não quero mais ser feliz, não dessa forma. Quero é viver feliz, viver bem. Como? Bom, aí já é demais.

E quem disse que apenas a felicidade vai me ensinar alguma coisa?

'Eu quero é saber me querer com toda beleza e abominação que há em mim' (8)

É confuso explicar em poucas linhas aquilo que se aprende em distintos momentos uma vida. É impossível explicar em mil caracteres o que o Amor me ensinou. Mas garanto que em cada passo será possível encontrar muito de mim e um pouco de você... :)


(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)