quinta-feira, 14 de julho de 2011

Restaurando o coração - Viver intensamente

"Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. O romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando, porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu" (Luís Fernando Veríssimo).




Depois de alguns tombos, a vida exige da gente mais disciplina, melhores condutas, mais respeito com a gente mesmo. Após a arte de se entregar às relações, de vivenciá-las e de perder todas as boas expectativas possíveis, um caminhão de ideias tenebrosas perambulam sobre nossas cabeças. Inclusive a ideia de não se importar mais com os sentimentos dos outros, de não ser mais bobo, não ser feito de otário, não cair na lábia de ninguém. Nos transformamos em pessoas, ou coisas, ou sei lá o que, amarguradas. Perdemos o sentido de algum ponto que antes acreditávamos existir. Mas acredite, ainda existe. O amor, a amizade ou o parentesco não termina porque você teve más experiências. Ou melhor ilustrando com a velha frase de que 'mesmo que seu coração esteja em pedaços o mundo não para'. Na certa, levaremos algum tempo para deixar curar essa ferida que se formou. E nesse tempo, outras mil maravilhas podem sim acontecer. O que nos fará encontrá-las é a escolha, sempre. Você pode escolher caminhos que já percorreu algum dia, momentos especiais que já não se lembrava mais: ver tv na cama dos pais, pintar o rosto de uma criança e deixar ser pintado, visitar um asilo, tomar chuva sem pressa ou medo de se molhar, comer na cama, sair com amigos, mandar uma mensagem pra alguém que há tempos não conversava, puxar papo com um ex-colega de classe, aprender algo que nunca pensou em fazer, destrinchar de cada música o som de um instrumento e tentar reconhecê-lo, passear de bicicleta, subir num local bem alto só pra admirar a vista, fazer um desenho livre, dançar no quarto, tomar cerveja no bico, escutar muitas piadas, assistir a filmes que goste, ler coisas que lhe agradem, roubar uma flor e dá-la pra alguém... Sabe quando você vê no perfil de uma pessoa, ou que seja no msn, a frase 'vivendo intensamente'? Então, acredito muito nisso. Ninguém precisa fazer muito pra se viver intensamente, basta fazer aquilo que goste sem a intenção de prejudicar alguém. Claro que não é possível uma pessoa com característica introvertida sair fazendo mil loucuras, mas é óbvio que todo mundo tem a capacidade de correr atrás daquilo que lhe faz bem. Ao certo, o sentimento que não é cultivado deixa poderosos mecanismos que nos afastam do mundo, do bem estar, da vida. E lutar contra isso não será tarefa de ninguém além de nós mesmos. As pessoas se esquecem o quão breve é a vida, e de que dela nada se levará. Se esquecem que os pais, os amigos, os irmãos, os colegas de trabalho não estarão conosco por mais de 50 anos, e que o tempo passa, e que iremos nos separar. Triste e desesperador, não?! Mas essa é a vida, e se você é do tipo que procura não pensar nessa hipótese, pode ter certeza que você nunca aprenderá a viver intensamente por achar que as coisas são para sempre, mas sinto muito, não são...

Não me tire a solidão sem em troca me oferecer a verdadeira companhia... Essa é a frase que eu gostaria de carregar na testa. Mas logo penso que seria apenas pra me defender. Ninguém, absoltamente ninguém, tem o manual de como agir perante a gente. E vice versa. Só assim vou entendendo que as pessoas que aparecem em nossas vidas têm intenções parecidas com as nossas, principalmente a de ser feliz no amor. Acredito que ninguém seja bobo o bastante pra perder seu tempo fazendo mal a alguém, afinal é o mesmo tempo que poderia se encontrar o amor da sua vida! E hoje só não confundo mais amor com orgulho ferido. É quase a mesma coisa. Você passa um tempo se relacionando com alguém mas sempre desejando que essa pessoa mude, ou que venha outra melhor pra ocupar o lugar. Ué, até então não há amor, pois amor é também entender os defeitos do outro, e principalmente saber lidar com eles. Mas aí essa pessoa decide ir embora, e o que acontece? Sentimos falta, sofremos, queremos de volta. Mas no fundo só queremos ter a chance de dar a cartada final, talvez em outra ocasião; queremos estar sempre por cima! Pobre de nós, mais uma vez perdemos a oportunidade de encontrar o amor de nossas vidas por criancice, por orgulho, por não saber otimizar nosso tempo. E não deixamos o outro ir por que não queremos sofrer. Quanto egoísmo...

A partir de hoje prometi sempre me perguntar se é amor ou orgulho ferido... Prometi me amar mais, cuidar dos meus pensamentos para que meu corpo também fique feliz. Prometi deixar tudo aquilo que quer ir seguir seu rumo, e mais ainda, prometi pedir para que fique apenas uma vez. Prometi notar onde foi que eu errei e pedir desculpas olhando nos olhos, como também prometi dar uma única chance e deixar as pessoas também terem a oportunidade de se desculpar. Prometi ligar no outro dia uma única vez, e esperar; se não houver respostas, prometi sentir-me bem em pensar que sempre haverão outras pessoas, outras ocasiões, outros amores. Prometi odiar por um dia, e dormir com a certeza de que outro dia novinho em folha existirá pra que eu possa recomeçar sem rancor. Prometi ficar bem com as pessoas que amo a cada anoitecer, pois não sei se o dia de amanhã virá para todos nós. Assim também, prometi ter muito cuidado com as palavras que deixo a alguém, podem ser as últimas e também aquela que me definirá caso eu não esteja aqui pra me defender. Prometi ir a lugares desconhecidos, experimentar novos sabores, sem medo de sair de fininho caso eu não goste. Mas prometi a mim mesmo ser sincero e dizer sutilmente que não gostei. Prometi aproveitar todas as festas e abandonar a dor pra dançar um pouco. Afinal, a dor pode nos esperar chegar em casa. Prometi amar menos vezes, mas sempre com mais intensidade. Prometi me decepcionar, viver a perda, me emocionar. Prometi deixar de ser a sombra das pessoas pra ser protagonista da minha história. Prometi deixar de ser vítima nas diversas situações e, principalmente, entender que se eu quis, eu também fui culpado. Prometi me aceitar do jeito que sou. Prometi me calar quando alguém gritar comigo, as coisas só poderão piorar se eu quiser. Prometi sorrir e responder 'porque você quer saber?' quando eu não estiver afim de contar algo pra alguém. Prometi me preocupar apenas com a opinião dos meus pais, eles sim são pessoas que não pretendo decepcionar. Prometi amar mais meus irmãos e suportá-los, eles também deve me achar entediante às vezes. Prometi ser mais amigo dos meus amigos, e além de tudo, tentar entendê-los, principalmente quando eles não quiserem a minha companhia. Prometi dar o máximo de mim em tudo o que eu fizer, e me orgulhar de mim mesmo, e me envergonhar de mim também. Prometi ser mudança constante. Enfim, a minha maior promessa foi não ser obrigado a fazer tudo aquilo que prometi, pois não pretendo me acorrentar a crenças nem tampouco a opiniões, e sei que sempre farão parte da minha vida os erros, os acertos e a aprendizagem...

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

2 comentários:

  1. Amei esse texto, me encaixei perfeitamente! Tá de parabéns Júnior *-*

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  2. Obrigado, Ana! Seja bem vinda sempre!!!

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