domingo, 9 de setembro de 2012

Lamento e reencontro



Por me preocupar tanto com o belo e com o leve para a alma, percebi que me esqueci jogado num cantinho sem nome. Um cantinho úmido, sem luz, habitado por vozes que não falam, por pensamentos que não fluem, por forças que não movem nem uma pena. E quanta pena! Até que desacreditei no amor pra mim. É lindo esperançar os dias, mas mais bonito seria se não houvesse essa pressa de ser feliz. Gosto de ouvir histórias de quem deu certo, e sou apaixonado inclusive por aquelas que trazem essas palavras: enfim deu certo, mas eu esperei muito, e também sofri muito até aqui. Por isso, hoje abandonei qualquer racionalização que queira me acalmar. Permiti me sentir infeliz por uma noite...

Eu tenho vivido de quases que muitos nem sonham entender. Quase amor é uma dádiva para aqueles que sabem contá-lo, escrever sobre ele. E se você não se cansou das minhas palavras, pode ser que tenhamos algo em comum.

Sou muito fácil em gostar, sou sincero em sentir, mas não sou bom em lutar pelo amor de ninguém. Valorizo tanto os sinais humanos que quase faço contato que seres desconhecidos. E percebo que quanto mais eu falo, quanto mais eu penso, e quanto mais eu escrevo, mais distante fico daquilo que quero dizer. Portanto, é preciso ser direto: desapegar dos sentimentos dói tanto! Segurar a emoção, o choro, o suor, o coração é uma tarefa árdua. Quase amar alguém é uma idiotice, mas percebi que tornou-se um hábito que me sustenta no mundo. Há uma forma de ignorar a dor e seguir suportando a minha neurose.

O que quero não está escrito, não pode ser explicado, mas hoje tive uma certeza: não é nada do que eu vivi. Um amor que se parece com o conhecido é pouco, é mínimo, é bobagem. Esqueci mãos, pés, olhos, dentes, pele, cheiro, timbre. Mas não palavras. Ah, aquelas palavras de desculpas tolas para se tentar explicar aquilo que não se formalizou. Percebi que a quantidade de estímulos é o que me segura, o que me faz querer ficar, morar, resistir. Explicações geralmente me provocam o oposto. E por me respeitar, por me amar, por me considerar, por conviver com minha essência e por ainda estar em processo de autoconhecimento, decidi me dar o devido valor. É claro que com muitos deslizes, mas sempre com a tentativa de acerto. Se eu tentei com tantas pessoas, por que eu não tentaria comigo? E assim, após essa discussão nem um pouco inteligível - pelo menos do ponto de vista de leitor - que resolvi abandonar as expectativas, a busca, a esperança, a fé, o amor. Mas só por essa noite, sabe por que? Porque viver pensando demais cansa. Porque amar sozinho dói. Porque o tesão só acontece depois de rituais de gentileza. E porque me tornei, in-felizmente, um comerciante, que oferece amostras grátis de sentimentos a quem chega e só pergunta as horas. E comerciantes, como eu, que têm estampado na cara que pratica-se o "fiado", acabam sendo usados enquanto vale a pena, enquanto convém. E convenhamos: preciso de sorte. Preciso de orações. Preciso de muita luz, muita fé, muita esperança, muito amor. Preciso reencontrar agora todos os afetos que me afetam, que me compõem, para que eu possa me recompor. E foi isso que fiz. Me despi até chegar à minha nudez de sentimento, para que eu pudesse entender qual a minha essência. Há a possibilidade de um vaso de barro não conter barro? Pois é isso que me norteia: embora eu ainda não o tenha, continuo feito de AMOR.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Partir



Sabe quando você passa muito tempo sentado de mal jeito, sobre a perna, e depois não consegue se levantar? Aquela dormência chatinha, que te faz parecer rir de tão sem graça, mas trata-se de um quase choro? É por aí que quero falar. Porém, sobre outra parte do corpo. O coração. O órgão do corpo que a gente menos sente quando "formiga". Debruçamos expectativas sobre o peito que quase nem bombeia sangue pra sobreviver. E a gente cuida de quem está fora, e vai deixando de perceber a importância que se tem por dentro. As batidas do coração enfraquecem, ou não são mais sentidas por causa dessa dormência. E dormem sonhos. E dormem vontades. E dormem aqueles sorrisos de paz. Lembra aquele momento em que você faz uma compra e sai sem o produto? Daí você sente que falta alguma coisa, que está esquecendo de alguma coisa. Até perceber que faltava você! Caramba, como pude esquecer o produto mais valioso, pelo qual gasto minhas energias, meu tempo, meu trabalho? Onde está a gente na hora que a gente mais precisa, meu Deus? E a gente pensa em cair fora, pensa em ficar, pensa se suporta, até que criamos coragem, uma linda coragem de dizer "basta"! Então os órgãos do sentido voltam a trabalhar com a intuição, coisa que nunca, nunquinha, deveria ter deixado de acontecer. E o ouvido melhora, e é claro, a gente ouve melhor até o que não é dito. Pois a gente sabe direitinho quando o coração de outra pessoa não está batendo no ritmo do nosso. Então você decide ir embora, mesmo com medo, mesmo com vontade de ficar, mesmo com vontade de desaparecer, mesmo com aquele Para Sempre transformado em Nunca Mais, mas no fundo algo diz que será melhor. Porque se a gente não escuta os "nãos" do amor a tempo, se a gente não desliga daquilo que não funciona, ou se a gente persiste em algo sem futuro bonito, corremos o risco de perder a história que sempre esperamos viver.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Flor azul



A cada acontecimento, procurava uma explicação para o seu alívio. E ignorava os maus sentimentos, porque para si não era permitido senti-los. Até que ficou cheio, abafado. E se viu no espelho brilhante demais, trabalhado demais, feito um lustre de fino porte. Colorido, bonito, atraente, engraçado, meigo, amoroso, leve aos outros olhares, feito um balão. E vazio, feito um balão. Procurava entender de onde vinha essa tristeza, e a nomeou angústia, pois angústias são sentidas, não explicadas. E começou a perceber suas atitudes diante de dias ruins. Deixou um pouco de lado as explicações e se permitiu decepcionar, chatear, ter raiva, ódio, chorar. O susto pela permissão desses sentimentos paralisava cada músculo da sua face. Foi lindo sentir tudo isso - pensou. Trocou subitamente a palavra lindo por importante. Engrandecedor talvez. E necessário. Não como uma forma constante de olhar as coisas, mas como uma maneira sincera de se viver. E compreendeu que sorrisos sinceros são sementes delicadas, que precisam ser cultivadas com pequenas e cuidadosas doses de sofrimentos elaborados. Estava tornando-se fiel a si. 'Mas pra onde foi essa pessoa que aprendeu a ser gente?' - Alguém perguntou. Regar a flor azul que enfim nasceu.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Semear e colher



Não mereço isso, não poderia ter acontecido aquilo, há algo de errado na minha vida. Obrigado por tudo, a cada dia uma nova surpresa, isso foi a melhor coisa que me aconteceu nesses últimos dias. Te amo, não te suporto, fica, vai. Me ajude, bem feito pra você, eu te avisei, estou contigo. Não desista, siga em frente, abra mão, você não vai conseguir. Pensamentos. Atitudes. Energia. Vibração. Por tudo isso, como já disse o poeta, a regra é simples: "se você quer saber o que vai colher amanhã, basta observar o que está semeando hoje."

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Manhã de terça-feira



Era manhã ainda, e havia uma certeza bonita de que o dia seria melhor. As coisas seriam feitas sem aquela porcentagem de exigência que até ontem pairava em tudo e em todos. Como pode sorrir tranquilizar? E então, esqueceu todos os sapatos apertados e passou a caminhar descalço, sem medo de se cortar ou se machucar em algum espinho. A vida estava mais natural. A luz do dia acariciava a pele. Aquelas gotas de tinta acidentalmente derramadas sobre uma ou duas cartas serviram apenas como um sinal para um obsessivo que é escravo da perfeição: melhor não enviá-las, não ainda, não agora. Porque ela poderia fugir ou se assustar. Talvez chamaria isso de liberdade, se não existisse uma vontade de se amarrar, de ficar, de persistir. Mas foi chamado de amor, um lindo amor, e com entrega.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 12 de agosto de 2012

Sentimento presente



Somente quando duas vidas se cruzam por completas é que abre-se a possibilidade de ficar. E completude significa caminhar com o lado certo e errado, sem medo da entrega, sem medo dos diversos rumos que se pode tomar um coração. E aquele momento da escolha, aquele momento em que você percebe que havia tudo para dar errado e dá certo, é que caracteriza uma bela história. A nossa história.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Essência



Por mais que a vida insista em me mostrar seus espinhos, eu prometi voltar meu foco pras flores. Então canto, em todos os cantos. Sorriso é pouco, o que quero e espero espalhar por aí é quase que feitiço bom, serenata de paz, luz multicor. Pr'aqueles que me ofereceram mentiras, tenho minhas verdades guardadas, num cantinho especial chamado esperança. Com um remo chamado amor, navego num barco de fé. Prometi gostar a cada dia mais das pessoas, por mais que algumas insistam em me fazer perder a confiança. Por mais que algumas desfaçam minhas expectativas sobre os sentimentos puros. E por mais que algumas me façam esquecer quem sou. Um dia, a gente entende que enquanto houver perfume, a beleza das flores continuará nos encantando. Mas sem essência, que fique claro, meus olhos não brilham mais.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Os "clicks" da vida




Gosto dos clicks que a vida faz. Em um click você finalmente percebe o que é duradouro e o que é passageiro, o que é com ternura e o que é aventura. É no click que você entende quando está se levando uma vida que te tira a paz. Aprendi que mover céu e terra para alguém é lindo, mas a gente tem que se respeitar. Se lembrar dos nossos valores, princípios, e o essencial: nossos sonhos. Por isso parei de remar contra a maré em mim mesmo. Quem sempre sonhou com a completude, não espera e nem suporta metades. Porque quando você reconhece o seu valor, definitivamente, não é qualquer pouco que te satisfaz.

(Por Geraldo Viela Mano Júnior)

Tempo




Procurei o Tempo para que curasse minha ansiedade, ou me desse a mão para atravessar meus diversos momentos difíceis. Pedi ao Tempo apoio nas horas de pouca fé e desilusão. Gritava por socorro diante da perda da esperança, suplicava para que me fizesse esquecer, implorava bom amor, e o Tempo o tempo todo ali, atento, olhando nos meus olhos. O Tempo me esperou secar as lágrimas e, com um leve sorriso, colocou suavemente a mão direita no meu ombro e disse: - Deixe-me passar...

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Cuide do que você tem



Cuidar do que temos nas mãos. Valorizar sentimentos oferecidos, pois ao contrário de flores, estes não morrem com tamanha facilidade. Olhar pro céu e agradecer é pouco, é preciso ir além. A regra é simples: o velho ditado 'Tudo que vai, volta' não funciona mais comigo. Se eu for, meu bem, acredite... eu não volto.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Quando se vai um amor



Impossível não seria, se você soubesse me olhar nos olhos e enxergar amor transbordando em mim. De tão intenso, talvez eu não pudesse demostrar que adoraria te ter ao meu lado com aquele Para Sempre que aprendemos logo na infância. Tudo bem. De nada vai adiantar eu ficar fazendo careta pras outras pessoas que entram e saem da sua vida. Vou repetir: entram e saem. Já não acredito mais em paixão que anula, porque a partir de agora você me ensinou a amar. A me amar. E a dar um passo de cada vez, respeitando o tempo que me chama pra ser feliz sempre que sol aparece ou que uma nuvem paira no céu. Não estou abrindo mão desse amor bonito de saborear, gostoso de viver, e um pouco doído de sentir. Deixo a vida trazer os melhores presentes. E por saber que alguns presentes veem com defeito, te deixo voltar de onde veio, para que venha ser perfeito como jamais deixei de acreditar. Vá com Deus, ok? Não se esqueça que vou te esperar... só que agora pelo tempo que eu quiser.


(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

O Presente



De repente, bateu uma sensação de que hoje é um dia especial. Não por hoje ser hoje, nem por hoje ser mais um dia. Hoje é O Dia. O momento presente, aquele que não te oferece nada, mas que espera que você o oferte algo bom. Inúmeros sentimentos, todos espalhados sobre a mesa. Difícil decisão sobre qual desses presentes escolher e oferecer. Fiz um embrulho bonito, com laço verde mata, de cetim. Embalagem azul brilhante, feito céu. Dentro coloquei a fé, que ocupou quase todo o espaço. Ao redor, coube algumas sementes: sorrisos, amores, esperanças, verdades, gentilezas. E rezei baixinho, só pra Deus ouvir. Tudo feito, entreguei o presente ao meu Presente. E por incrível que pareça, tive a sensação de que uma criança no mundo sorriu.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Sinais



Entender cada gesto, cada mudança, cada atitude. Silêncios também dizem muito. Embora o coração insista, a alma sabe quando é a hora de partir. Por mais que sejamos um pouco pessimistas, acreditar é o que nos move, no guia, nos orienta. Tem dia que é preciso ser e se mostrar frágil, para que as pessoas entendam de uma vez o que somos e o que queremos. Seguir as pistas, enxugar o rosto, sorrir sozinho mesmo quando o que se quer é desabafar. Um dia me ensinaram sobre o trânsito: verde - siga em frente, amarelo - atenção, vermelho - pare. E assim aprendi a ler os sinais. Sinais não mentem. Pessoas... talvez.


(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

terça-feira, 24 de julho de 2012

Voar



Reinventei o amor levando a vida devagar, sem muita bagagem e sem pegar carona no desespero. Abri a porta dos sentimentos nobres e decidi esquecer essa mania de amar demais, querer demais, esperar demais. Aceito metades e me tranquilizo toda vez que imagino-as se transformando em inteiros. Dei tempo ao tempo, fechei os olhos e rezei. Um dia me disseram pra manter os pés no chão e, de distraído que sou, retirei toda a poeira da pureza que em mim habita e coloquei alguns grãos de esperança no bolso. E voei.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Aceito e agradeço



Foram muitos dias tentando decifrar cada desencontro, cada perda, cada esquecimento. Até entender que decifrar não era a tarefa principal, mas sim aceitar e agradecer. Pois só foram possíveis as poesias porque alguém se dispôs a se entregar até o seu limite. Fecho os olhos e vejo fé. Vejo luz. Vejo anjos. Um dia a gente entende que cada minuto perdido em prol de um sonho se reveste na realização do mesmo. Porque esperar não é perder tempo. É querer o melhor.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Tesouros




Que não percamos a fé nas pessoas, nos sentimentos, nas atitudes. Porque carecemos constantemente de brilhos nos olhos, produzidos pela esperança. Que possamos espalhar luz pelos caminhos, e que sejamos mestres em ensinar e aprender a renovar. E que o destino se encarregue de trazer ao nosso encontro nosso próprio interior, para que possamos distinguir os bons. Tem muita gente bacana no mundo... gente tesouro, eu diria, porque é cavando que a gente encontra.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Florir





Continuar acreditando é o que nos resta depois de tantas dúvidas, tantas desilusões, tantas decepções. Fazer brotar de novo a confiança é a única saída para dar espaços aos bons sentimentos. Que sejam menos penosas as nossas relações, e que um escudo protetor nos afaste de pessoas que nos querem para brincar de sofrer. E se essas pessoas aparecerem, desejo imensamente que não as levemos a sério, e que o anjo mais puro desça e nos proteja. Que possamos cuidar de quem nos ama e nos apaixonar a cada dia mais por essas pessoas, que se preocupam e se importam com a gente. Dar um desconto a essa carência, que nos permite deixar a porta do coração sempre aberta, sem tranca e sem segurança. Que tenhamos sabedoria para distinguir amor de mero encanto. Nada de paixões avassaladoras, porque somos de um tempo em que se acredita em amor bonito e sereno. E se não aparecer a gente inventa, enfeita o caminho e se rega por dentro, até outro amor novinho florir pra gente.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Quando a gente decide viver




Te tirar de vista: aos poucos meu coração me dizia que era a forma mais bonita de te esquecer. Lembrar de você sorrindo, ao invés de tê-la por perto, indiferente. Tornar o que sinto mais calmo, até que descanse, porque não acredito na morte dos sentimentos. Mas acredite, não há mais condições para apertos no peito. Por isso decidi viver com o que a vida me oferece, e não mais com a esperança de ter aquilo que tanto implorei...

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Talvez



Talvez Deus queira que você conheça muita gente errada antes da pessoa certa, para que quando conhecê-la, afinal, saiba estar verdadeiramente agradecido.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Desejo...




Que minha ânsia por querer dar certo se transforme em paz, e que só me faça vibrar aquilo que for de essência pura, leve e transparente.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Coragem



Lembre-se todos os dias de cada emoção pela coragem que teve em cuidar e se preocupar com alguém. Porque ser feliz é só pr'aqueles que não se acovardaram, mesmo que tantas vezes com todo medo do mundo.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Esperança




Nenhum ontem me fará mudar de ideia em relação ao amor e ao que espero dele. Nenhum. Pois só os desiludidos abrem mão de chegar a algum destino. Eu não. Faço paradas obrigatórias se for preciso, mas prometo não perder a crença de que existe pureza mesmo depois de enfrentar tanta lama. Porque enquanto eu tiver pés para calejarem, terei coração para me encher de Esperança.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Adiante



Preencher espaços de luz. Perseverar na fé. Se há pratos sujos é porque tínhamos o que comer. Se há coração partido é porque tínhamos o que amar. Agradecer e aceitar, mas nunca acomodar-se. Entender que o bom da vida é tirar um tempinho para o que realmente é importante. Deixar o tempo e o amor cuidar de cada passo dado. Esquecer problemas pequenos, mesquinhos, e lembrar que quem tira uma hora do dia para chorar o passado, perde sessenta minutos para viver bem o presente.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Então sorri



Então sorri. Sorri porque o mundo não para diante dos seus problemas. Sorri porque nascemos sozinhos, vivemos na tentativa de nos unir aos outros e deixamos essa vida também só. Sorri porque o amor que você deposita em alguém, de toda forma, só pertence a você. E as lágrimas que você derrama são confidenciais a você e ao seu travesseiro, ou a você e ao espelho do banheiro enquanto você se penteia. Sorri porque você aprendeu a ser forte e se acostumou a viver sem alguém pra te segurar, embora você deseje isso quase sempre, mas desaprendeu a depender das pessoas. Sorri porque a vida é breve, o tempo é curto e as dores e as alegrias, passageiras. E as pessoas, por mais que você não queira, te deixarão. E os sonhos ganharão sempre a cara do seu presente. E não vale mais sofrer por pouco, nem por ninguém que não queira seu bem. Sorri porque é tudo o que lhe resta depois de tanta despedida, de tanta desilusão. Sorri mais que queira e mais que suporte. Porque sorrir é o melhor remédio e a melhor maquiagem. E esqueça um pouquinho por dia, não por hipocrisia, mas por opção, essa solidão que te persegue e te atormenta. Escolhe sorrir. Porque a escolha te tira o direito de culpa e te mostra quem está no comando da sua vida: você. Então sorri...

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 3 de junho de 2012

Sentimentos



Confuso... É aquele momento que você pede um amor, e recebe uma paixão. Você pede alguém pertinho, e aparece alguém de longe. Você sonha com alguém mas não vê seu rosto. Você tem pré-selecionadas músicas lindas, mas sua mente estaciona no meio do caminho por não ter pra onde ir. Um dia me disseram que a apaixonar é bem melhor que amar. Discordei. Mas a vida tem uma forma tão irônica de nos ensinar sobre amores, amizades, vida e morte, que comecei a perceber seus sinais.

Primeiramente, aquela frase de que "Quando um não quer dois não brigam" só serve para os apaixonados. Isso é mais que fato! Porque vai amar e o outro não querer pra você ver o rumo que sua vida toma: dor. Dor elevado a 44! Desilusão. O amor é mais brando, corre menos riscos, desenvolve mais a razão e te faz viver coisas habituais como se fosse sempre a primeira vez. Amor é câmera lenta. Amor é casa. Paixão é barraco. É momento. É dia-a-dia. É breve e intenso. É querer e não querer. É dar rumo aos pensamentos mais intensos. É respiração...

Você aprende a vida inteira que será feliz se encontrar um amor. Mas não te ensinam nada sobre a paixão. Te mostram que o amor está ligado à virtude, enquanto a paixão promove o pecado. O que somos, em grande parte de nossas vidas, então? Pecadores em busca da santidade? Por isso tenho deixado de lado todos os ensinamentos sobre o que sentir. E por isso, também me sinto um grande confuso.

Às vezes tenho vontade de perguntar à vida: caramba, por que tu faz isso comigo? E, aos poucos, ela me mostra que para amar não basta querer, tem que estar preparado. Tem que haver reciprocidade. Tem que haver meta, cuja mais importante seja viver para o outro, fazer o outro feliz, anular-se de vez em quando, mas tudo sem perceber, tudo sem se importar, tudo sem se prejudicar. E que se apaixonar é fácil, mas que em alguns momentos haverá um ligeiro desejo de amor. Haverá dias de silêncio e desejo incessante de ser procurado, até não aguentar mais e dar um passo adiante, onde se quer chegar. Amor e paixão têm preços. E pagamos por isso. Um preço inexplicável. E coisas inexplicáveis não são perda de tempo. Na maioria das vezes é o que faz a vida valer a pena.

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Então é isso, dê cores aos sentimentos! Perceba a tempo quão nobre é amar alguém, mesmo que lhe custe sua paz. Lembre-se de cada promessa que fez quando se magoou com alguém, e trate de (des) refazê-las, porque a vida lhe trará frutos parecidos, mas sempre com sabores diferentes. Lembre-se que, assim como livros, a vida também pode ser reinterpretada, e o que um dia enxergamos como dor pode dar espaços à aprendizagem. Acredite na bondade dos corações, mesmo que a maldade também faça parte da condição humana, e dê uma chance a si mesmo. Limpe seu coração para que haja espaço para outro amor entrar. Ou espere. Porque o que é realmente feito para você não terá pressa de chegar.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 27 de maio de 2012

Gosto de você




A vida tem um jeito engraçado de nos mostrar o amor da vida. Porque o amor da vida não tem necessariamente um rosto pré-definido, nem mesmo o corpo, o estilo do cabelo, o cheiro. O amor da vida chega junto com as palavras. Se bem ditas, algo bonito acontece. O amor da vida vem com um olhar. Se estamos dispostos a encontrá-lo, um olhar tranquilo serve. E sobrepõe todos os outros. A vida tem um jeito engraçado de nos mostrar os verdadeiros amigos. Chega daquele clichê de que amigo é pau pra toda obra. Amigos verdadeiros se distanciam, afinal, o mundo não gira em torno da gente, ninguém quer viver sob a sombra de alguém, queremos construir a nossa própria história e ponto. Então amigo de verdade tem lá seus momentos sem a gente. E assim como amigo ajuda, amigo também precisa. E se alguém te procura sempre em busca de um favor, é sinal de que você está melhor que ele. Sem a hipocrisia de amigos interesseiros, porque no final das contas o que vale são as companhias. E a vida também tem um jeito engraçado de realizar nossos sonhos. Você corre atrás de um objetivo por dez anos, e quando desiste, ele vem. Será que é preciso não querer para ter?

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Então é isso. Me sinto um pouco doente, um pouco sem graça, um pouco sem motivo pra vibrar. E sem você. Talvez eu não pareça normal ao querer te dizer tudo o que sinto, mas a verdade é que nem digo. Apenas sinto. Calado. E sigo adiante. Toda vez que meus olhos te veem acontecem coisas que nem palavras traduzem. Coisas muito boas, acredite. E, felizmente, gostar de você não envolve desespero. Não envolve tristeza. Não envolve aquele mini infarto, aqueles olhos tristes. Gostar de você significa saudade. É querer ter perto o que já existe aqui dentro. E lutar para que isso aconteça... Você não é tudo o que quis, mas se parece com aquilo que procuro. Simplicidade. Não é desejo que você venha fácil, mas desejo de que nos encontremos no tempo por muitas e muitas vezes, sem ter medo de partir. É confiar nos sentimentos que aos poucos deposito em você, mesmo que tu não tenhas pedido, trabalhado para conquistá-los ou ao menos faz ideia do que anda acontecendo.

Não me importa se você não sente o mesmo por mim, não pretendo gritar aos ventos que sofro sem você. Porque desistir é uma escolha, e escolhas são silenciosas. Não ligo se eu gosto mais de você, se eu sei muito sobre sua vida, mesmo que não seja você quem tenha me contado. Não me surpreendo se ainda não falamos de alguma coisa que eu queria. Nem me dói saber que em algumas vezes e fui apenas mais um. Porque se não for amor o que eu sinto, é de uma família bastante nobre e especial. Gosto de você, e de quando você só fala de você. E de quando você vai embora sem dizer adeus. E de quando você ressurge do nada. Gosto muito de você por me fazer gostar de mim. Por me fazer lembrar que estou sozinho, e que preciso encontrar alguém especial. Gosto de você porque no dia em que a pessoa especial chegar, você será minha maior lembrança, e serei muito grato, pois talvez você se transforme no degrau em que permaneci por mais tempo até chegar onde sempre quis chegar: no amor a dois.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

sábado, 12 de maio de 2012

Que chegue a primavera!

"Aprendi com as Primaveras a me deixar cortar, para poder voltar sempre inteira." (Cecília Meireles)




Tenho motivos para escrever sobre algo que não pode ser substituído por palavras. E a maior verdade de todas é: me permiti. Estou me permitindo. Permito. Assim como nem sempre lembramos como começamos novas amizades, não me lembro quando foi a primeira vez em que tive essa sensação de "ter" e "faltar". Tenho você em pensamento. Falta a sua constante presença. Quem inventou a ambivalência, que pare de brincar com os corações, por favor!

Pensar positivamente, em dias atuais, é tarefa para os fortes. Os céticos denominam "tarefa para os lunáticos". Amo a lua, só para problematizar. E tenho fortes sentimentos pelas distâncias que vivemos, sabe porque? Porque amar é gratuito. Não gosto de você pelo que você possui, mas pelo que você me apresenta. Porque você tem o dom de me ensinar mesmo fazendo tudo errado, mesmo esquecendo de mim, mesmo me chamando pra conversar uma vez no mês. Gosto de você pelo cheiro que você me faz sentir, mesmo que seja apenas uma criação minha. Gosto de você pelo seu jeito criança de ser, porque é esse mesmo jeitinho que me lembra o quão fui feliz quando criança, e o quão feliz ainda posso ser. Gosto de você pela paz e tormento que me dá, e por me fazer acreditar que fomos feitos para caminharmos juntos, embora cada um esteja seguindo rotas diferentes. Gosto de você porque toda vez que eu te vejo eu sinto (me iludo, talvez) que você também gosta um pouquinho de mim. E nota minha presença, mesmo que não demonstre. E sente minha falta, mesmo que não perceba. E me quer além de amigo, mesmo que não aceite. Como eu gostaria de poder citar seu nome todas as manhãs para as pessoas que conheço! E como eu gostaria que você tivesse a certeza de que o que eu escrevo tem a ver com vc...

Que chegue a primavera! Que venha logo essa vontade de amar de novo, de cantar sem motivos, de vestir colorido. Que chegue logo a hora de mostrar o coração pra depois mostrar as pernas. Que as atenções se voltem para as mãos dadas, ao invés da colcha de retalhos solitária que nos esquenta e nos sufoca sem que percebamos a cada inverno. Que desapareça o medo de ser feliz a dois. Que nenhuma bebida tenha mais valor que qualquer relacionamento. Que possamos aprender a deixar partir, assim como as árvores aprenderam a abrir mão de suas folhas a cada troca de estação. Porque tudo tem um tempo de validade, e tomar doses de amores vencidos também pode fazer mal à saúde. E que as pessoas sejam livres para se separarem, mas que antes tenham a consciência do que querem realmente. E saber o que se quer toma muito tempo da gente. Muito.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

sábado, 14 de abril de 2012

Saudade



Hoje eu acordei bem assim: uma saudade, uma infinita saudade de tudo o que vivi. Aquela saudade que chega a doer o maxilar, os dentes, as mãos, os dedos dos pés, o couro da cabeça, a ponta do nariz. Saudade do que não vivi. Saudade de quem não apareceu. Saudade de ter saudade de alguém, algum lugar, algum sentimento. Saudade de sentir aquele alívio na garganta após apertá-la sem querer. Hoje me bateu aquele olhar indiferente pra mim mesmo, como se eu não me quisesse mais assim, sozinho. Saudade de ter alguém com quem me preocupar, mais que comigo mesmo. Saudade de uma voz que ainda não ouvi, de um abraço que nunca senti, de alguém que de tão especial, não apareceu. Talvez tenha se esquecido de vir. Talvez tenha perdido as horas. Talvez desconheça relógios, é tanta gente que acha que qualquer coisa no braço incomoda! Talvez tenha me visto sendo feliz com outro alguém, e resolveu voltar depois. Talvez tenha voltado ao remetente, vai saber como andam as entregas pelos correios... Não é todo mundo que sabe dessa saudade que eu tô dizendo, eu sei. Saudade de Natal. Uma saudade diferente, que chega a esfriar a barriga, chega a doer as costas, chega a entupir o nariz. Uma saudade que não significa apenas carência afetiva, mas carência de momentos, de acontecimentos. Sim, essa saudade existe, porque é o tipo de saudade que sinto. Saudade de proteção, de proteger. Saudade de fixação de dois olhos por uma boca, de uma mão por uma cintura, entre quatro pés gelados. Saudade essa que me sustenta mais que a gravidade, que me joga pro alto quando caio, tipo uma mola no fundo de um poço. Saudade de um tudo que se tornou um nada, de uma melodia que perdeu o sentido, de um grito que calou. Saudade de um 'você'. Saudade do destino me pregar peças, de me dar um presente maior do que pedi. Saudade de um 'de repente', de um 'te encontrei', de um 'até que enfim', sei lá. Saudade de saber enxergar quem está ali, bem perto, o tempo inteiro, sem que eu tenha percebido. Saudade de uma coisa mais fácil, de um sentimento mais puro, de um querer estar junto custe o que custar. Saudade de sair dessa inércia, de desacreditar em ilusão e acreditar mais no amor. Saudade de chorar de alegria, de ter um lugar calmo onde eu saiba me perder...

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

A pessoa errada


"Não existe uma pessoa certa pra gente. Existe uma pessoa que se você for parar pra pensar é, na verdade, a pessoa errada. Porque a pessoa certa faz tudo certinho: Chega na hora certa, fala as coisas certas, faz as coisas certas… mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas. Aí é a hora de procurar a pessoa errada. Aquela que te faz perder a cabeça, perder a hora, morrer de amor… A que vai ficar um dia sem te procurar que é pra na hora que vocês se encontrarem a entrega ser muito mais verdadeira. A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa. Essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas. Essa pessoa vai tirar seu sono. Essa pessoa talvez te magoe e depois te encha de mimos pedindo seu perdão. Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado, mas vai estar 100% da vida dela esperando você. Vai estar o tempo todo pensando em você. A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo, porque a vida não é certa. Nada aqui é certo."

(Por Marcos Mello)



... Saudades de você, garota errada! (:

terça-feira, 10 de abril de 2012

Talvez




Talvez tenha sido por um olhar…Talvez por um sorriso…Talvez tenha sido por aquelas palavras ou talvez aquele instante contigo…Talvez um dia estaremos juntos e talvez tudo será esquecido…Talvez possa existir outros momentos e aí quem sabe…Nem tudo estará perdido.


Que você acredite que não me deve nada simplesmente porque os amores mais puros não entendem dívida, nem mágoa, nem arrependimento. Então, que não se arrependa. Da gente. Do que fomos. De tudo o que vivemos. Que você me guarde na memória, mais do que nas fotos. Que termine com a sensação de ter me degustado por completo, mas como quem sai da mesa antes da sobremesa: com a impressão que poderia ter se fartado um pouco mais. E que, até o último dia da sua vida, você espalhe delicadamente a nossa história, para poucos ouvintes, como se ela tivesse sido a mais bela história de amor da sua vida. E que uma parte de você acredite que ela foi, de fato, a mais bela história de amor da sua vida.


(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

terça-feira, 3 de abril de 2012

O que fazer com o Aquele amor

"O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções. O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades e a gente avança porque é da natureza humana avançar. Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice. Paixão termina, amor não. Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa." (Martha Medeiros)




Ninguém nunca me pediu pra não cultivar um amor no peito. Nem cultivar uma paixão reprimida. Eu mesmo me peguei puxando minha própria orelha diante de um sentimento sem amarração. Mas faz(ia) bem. É sempre bom ter alguém a quem direcionar o pensamento discretamente salpicado por um suspiro. Não amava porque achava atraente, mas porque acima de qualquer coisa eu necessitava. Não de uma outra pessoa, mas de provar a mim mesmo que ainda era capaz de gostar de alguém. Jamais perdi meu tempo lamentando por romances que não deram certo, ao contrário, sempre os agradeci. Agradecia a "fila andando", literalmente. E agradeci, acima de qualquer realidade, ao poder da imaginação. Vivi momentos fantásticos, amores platônicos, surpresas inusitadas, risos bobos, términos com ar de amizade. Na imaginação tive quem eu sempre quis, o que eu sempre quis, e nunca me neguei isso. E acredito que imaginar um amor é poder se aproximar ao máximo dele sem medo, porque quando a gente acorda só fica a sensação de que foi bom, e nem notamos que era apenas uma brincadeirinha com a gente mesmo...

Às vezes peço a Deus desculpa por esse sentimento menor, mesquinho. Dói, mas tem poesia. Dói, mas tem verdade. Dói de vaidade. Mas logo a dor dá espaço aos novos dias, porque de repente bate um vento e nos lembra que a vida é breve e leve. Logo vem um amor novinho em folha para nos relembrar daquele amor do passado, e pra sacudir a gente pelo braço e dizer rigidamente que agora se trata de uma outra pessoa. Em breve, de alguma forma, aprendemos onde erramos, e o essencial, tentamos não errar tanto. Aliás, desaprendemos a nos culpar e passamos a nos Responsabilizar. Um dia, aquele amor que parecia não caber mais dentro do peito ganha a forma de uma concha que cabe na palma da mão. E o que importa não é o que faremos com ela, mas onde a guardaremos. E em se tratando de conchas, talvez o melhor a se fazer seja devolvê-las ao oceano, do contrário teremos a sensação tê-las perdido por pequenos e insignificantes grãos de areia...


(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 1 de abril de 2012

Saber amar



"Não consigo imaginar nada mais satisfatório do que amar, e mesmo não sabendo o que o amor significa, sei o que representa. É o que nos faz, no meio de uma multidão, destacar alguém que se torna essencial para nosso bem-estar, e o nosso para o dele. É receber uma atenção exclusiva e ofertá-la na mesma medida. Ter uma intimidade milagrosa com a alma de alguém, com o corpo de alguém, e abrir-se para essa mesma pessoa de um jeito que não se conseguiria jamais abrir para si mesmo, porque só o outro é que tem a chave desse cofre. O amor é uma subversão, e seu vigor nunca será encontrado em amizades ou parentescos. Todas as palavras já foram usadas para defini-lo: magia, surpresa, visceralidade, entrega, completude, requinte, deslumbre, sorte, conforto, poesia, aposta, amasso, gozo. Amar prescinde de entendimento. Por isso não sei amar... porque sou viciado em entender."

(Por Martha Medeiros)

sábado, 3 de março de 2012



E quem nunca esperou demais do mundo, e quem nunca estava em paz até alguém colocar uma bomba em suas mãos, e quem nunca teve que se virar com suas dores e transformá-las em sua realidade, modelando-se ao que o mundo impõe? O jeito é: ou conformamos com nossa neurose, ou enlouquecemos sem ela...

Quando acreditei que não havia mais nada que eu pudesse fazer, eu fiz;
Quando julguei impossível alcançar tal coisa, eu busquei;
Quando achei não haver mais esperanças, eu as mantive;
Quando me iludi pensando não restar tempo para mais nada, eu lutei até o último minuto;
Quando me disseram que não daria certo, eu insisti;
Quando a última palavra foi dada, eu ainda assim falei;
Por muitas vezes senti na vida as coisas se fechando para mim. Mesmo assim a felicidade resistiu em ficar. Se acredito que nada tenho, sei que por tudo lutei. E sem me arrepender de absolutamente nada, num futuro poderei dizer: Sempre Tentei. Hoje vejo o passado como uma lição pra meditar, não pra se reproduzir. E somente as tentativas nos possibilitam a conquista, ou nos levam próximo à ela. Pessoas especiais passaram por minha vida. Quando as conheci houve um lugar no tempo e um sentimento. O tempo ficou marcado, o lugar sempre lembrado, o sentimento jamais apagado... Se eu tivesse que resumir minha vida em momentos felizes, resumiria no dia em que conheci todas essas pessoas. Minha família, meus amigos, minha turma de faculdade, meus amores, meus colegas de trabalho, meu amigos internautas. Aprendi a não chorar diante do fim de momentos felizes, mas a trocar minhas lágimas por um sorriso pelo fato desses momentos terem existido. Porque lembrar é fácil pra quem tem memória, mas esquecer é impossível pra quem tem coração. Prometi me permitir amar todas as vezes que me machucarem feio. Porque o amor é algo delicado, porém não há força no mundo capaz de destruí-lo. Prometi também nunca perder a fé nas pessoas, mesmo sabendo que muitas delas são como gotas de água suja no oceano, e elas sabem bem disso. Me permiti sonhar alto, pois nos meus sonhos tive tudo aquilo que a realidade me negou. E aprendi na marra que a maior dor não é estar longe das pessoas que amamos, mas sim estar perto e não conseguir alcançá-las. Por esse motivo não me afastarei de vocês e nem cansarei de dizer: EU VOS AMO!

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Cuide de você



Dizem que é quando estamos mais tristes que as mais belas palavras podem ser transcritas... Descordo. Na tristeza falta cor, falta brilho, falta ritmo, falta vontade, sobra desperdício. Desperdício de vida, de tempo, de sorrisos, de sonhos, de tudo. Há um espaço paralelo entre ser e existir. Faltam motivos qualitativos, sobram motivos quantitativos. Faltam pessoas ao nosso redor, sobram pessoas em nossa volta. As más línguas chamariam de solidão, e eu de "Motivo Especial".

Motivo Especial é aquele que você passa a se sentir ali, presente. Percebe que tá na hora de cuidar de você, ser sincero com você, entender você. Por esse Motivo Especial, a gente se desprende do mundo, entra em um descompasso e percebe-se diferente dos demais. Permite-se doer de forma leve. A gente sobra. Nosso corpo fica maior, desajeitado, expansivo. O vento é mais forte, mesmo com o ar parado. Os ruídos incomodam mais. Nossa percepção aumenta. Tudo ganha um cheiro diferente. As cores se embaralham, o preto e o branco se sobrepõem. Momento Especial não tem hora, nem dia pra acontecer. Simplesmente acontece. É quando a gente toma aquele susto e percebe que o tempo todo estávamos indo a favor da correnteza. Literalmente, deixando a vida nos levar. A cabeça pesa. A angústia perpassa sobre o pescoço, o peito, alojando-se no coração. Difícil existirem pessoas que atualmente permitam isso acontecer. Vivemos em um mundo que, com tanto analgésico, não nos permitimos mais sentir qualquer dor. E esquecemos que é a angústia que nos faz crescer. A perda elaborada nos faz mais fortes. A dor vivida se transforma em cicatriz, marca esta que apenas os vivos possuem, e que significa "eu sobrevivi". Motivo Especial aparentemente parece-nos assustador, mas se não nos permitimos vivenciá-lo, seremos eternas crianças necessitadas de adultos que nos deem algum tipo de medicamento...

Medicar-se faz bem quando é caso de medidas extremas. Coração partido, por exemplo, precisa no mínimo de um porre e de música bem alta. Cada risada sem motivo é uma alfinetada, cada grito uma costura, cada amigo um nó. Mas no outro dia, ainda dói. Talvez doa até mais. Mas logo arrumamos um meio de mudar o rumo do pensamento. Talvez seja saudável sim, mas uma hora a "casa cai". Uma hora a lembrança vem, nas mínimas coisas, e aí percebemos que a ferida não cicatrizou. Pra quem busca um amor pra esquecer outro, fica o meu conselho: se antes era apenas uma pessoa machucada, logo poderá ser duas, caso ainda doa em você...

Não condeno nenhuma felicidade repentina. Afinal, é o meio mais absurdo que encontramos pra suportar os danos em existir. O que não gosto é de gente que diz que nos ama e depois vem com aquele papo de que estava confuso. O que não aturo é companhia por pena ou falta de opção. O que não quero é ser a preocupação de alguém, porque preocupação incomoda, traz danos, e está muito distante de ser amor. Nada de ligações pra não parecer que sumiu, porque de obrigação já bastam os trabalhos e os estudos. Aliás, quero é que tudo seja prazer pra alguém, inclusive minha companhia. Não admito que não haja erros, só não preciso que eles sejam intencionais. Quero datas especiais a mais em meu calendário, mas não quero brigar pra lembrá-las a alguém. Quero amor na mesma medida, nada de um gostar mais que o outro. Quero família, cachorro, gato, papagaio, periquito. Quero segredo. Quero significado maior que o de um anel. E quero a mim primeiro, pra depois querer alguém. E se não for pedir muito, que chegue de mansinho, porque só tem pressa pra começar quem tem medo de acabar...

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Bastar-se




Aos poucos me libertei daquele amor exigente. Nada de desespero por presença, nem tampouco choro por solidão. Aprendi a me completar com meia dúzia de bons amigos. Aquela vontade de estar sempre junto ainda existe, mas o abandono tem lá suas regalias: nos ensina a "se bastar". Me bastei no amor, no beijo, no toque, na presença. Há tanto tempo não me abraçava de frente ao espelho, e hoje vejo o quão isso é importante. Aposto que muitas pessoas nunca sentiram tamanha experiência: utilizar os próprio braços, colocar as próprias mãos, cruzadas, sobre os ombros, tombar a cabeça para a direita, fechar os olhos, sentir o próprio cheiro e, além de tudo, sentir-se especial. Nunca foi hipocrisia ser feliz sozinho quando não se encontra alguém "à altura". Hipocrisia seria aceitar, por mera carência, uma pessoa qualquer, permitindo-a ocupar um espaço especial reservado para alguém especial...

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Confiança




Encantar. Quem nunca? Com uma fotografia, um andado, um cumprimento, um sorriso, um texto, uma música, um olhar. Diferentemente do que estamos acostumados a pensar o que seja amor a primeira vista, encantar requer abertura aos nossos olhos e aos sentimentos. Encantar requer confiança em um futuro, agradecimento ao passado, desafio com o presente. Requer também esvaziamento breve de espaços, o que muitas vezes não o fazemos para fora. Muitas vezes, é como se jogássemos o lixo pra debaixo do tapete, o que nos impossibilita de aproveitar ao máximo da pureza de um sentimento pelo "simples" medo de perder. Perder o que não se tem, mas que se pretende "conquistar". Porém, aos poucos vamos entendendo que conquista tem mais a ver com maturidade do que sensualidade...

Na busca por uma companhia, por mais que queiramos alguém definitivo na vida, existem contratempos. Nem vejo mais o medo impedindo as pessoas de serem felizes, mas a disponibilidade. Disponibilidade de tempo, de investimento de energia e de pensamentos. Trata-se mais de como lidamos com nossos pensamentos em alguém naquele momento corrido do dia-a-dia, do que o que pretendemos fazer a respeito das nossas horas livres. Refere-se mais ao esforço de se mostrar presente do que estar fisicamente juntos. É saber manter a chama acesa mesmo que não haja mais fogo ou lenha, simplesmente por acreditar que podemos ter o coração aquecido por doces lembranças (ou lembranças que geram aprendizados)...

Lembra daquele sumiço? Com ele aprendi a me guiar não para onde costumávamos ir, mas onde eu nunca iria sozinho por medo de me encontrar. Lembra quando descobri que existia uma outra pessoa em sua vida? Foi o mesmo momento em que entendi que as pessoas que mais sofrem são aquelas que não sabem o que querem, e neste caso era você. Lembra das melhores festas, dos melhores restaurantes, dos melhores parques, das melhores praias? Tudo isso só valia a pena porque era a única hora em que eu percebia seu verdadeiro sorriso e sua verdadeira satisfação, e o mais magnífico, éramos só eu e você. Lembra do pôr-do-sol juntos, do beijo na chuva, de rir até a barriga doer, de correr descalço, de passear com os cachorros? Nunca se lembrará, pois era apenas parte do meu sonho e da vida que eu desejava - e pretendia - viver contigo. E quando me dizia que viria me ver, mas sempre arrumava uma desculpa, também se lembra? Aprendi a arrumar desculpas pra mim também, dentre elas a de ter a certeza de que você nem sempre merecia a minha espera, a minha preocupação, o meu melhor. Aprendi a ter forças diante de cada fraqueza, inclusive nos momentos em que prometia não mais te procurar, e procurava; e aprendi a viver depois de quase morrer por medo de te esquecer um dia, apagando de vez aquele amor puro. Aprendi a desconfiar de tudo, me fechei para o mundo, e te agradeço por isso. Se eu não aprendesse a me fechar, talvez eu vivesse sempre com aquele romantismo sem graça, sem cor, sem consistência, sem insistência, sem exigências, sem reticências... Como disse Aristóteles, "Talvez eu seja enganado inúmeras vezes. Mas não deixarei de acreditar que em algum lugar alguém merece a minha confiança."


(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Amanhã pode ser tarde


Esqueça a convicção de que dará tempo pra fazer tudo, porque não dá. Os dias voam, e quem ainda não percebeu isso está no mundo a passeio, não a trabalho. Família é um bem importante e que não escolhemos. Amigos são essenciais, mas ainda assim sabemos com quais podemos contar sempre. Pensar que o perdão virá com o tempo não é a melhor saída pros sofrimentos. Não é o tempo que cura a dor, é o amor. O amor em contraponto ao nosso orgulho, o amor à cura das feridas que muitas vezes criamos sem uma razão. A cada dia que fica pra trás, mais tenho certeza de que com ele deixamos chances de ser mais tranquilo com a gente mesmo. E de deixar alguém tranquilo também. Concordo com você, ninguém sabe o que se passa dentro da gente. E ninguém saberá como resolver nossos problemas, senão nós mesmos...

Escolhas são essenciais para sairmos da mesmice. Mas ignorar o passado, as raízes, é querer desfazer de quem somos, porque querendo ou não, cada medo, cada insônia, cada lágrima, cada sorriso, cada vitória, cada pedido de ajuda tem a ver com a nossa história. Até os "não's" foram grandes geradores de vitórias na vida, pois o fechar de portas nos permite, muitas vezes, buscar - e encontrar - outras melhores. Perdoar é ato de gente forte, porque conviver com mágoas de quem nos causou algum mal não é fácil. Oferecer flores a quem sempre nos ofereceu espinhos é um ato de amor e coragem. Nunca seremos nós os criadores de justiça, porque justiça terrena não existe, apenas o "mal terreno". Esqueça as pessoas que lhe fizeram sofrer, chorar, querer desistir. Sai mais barato do que levá-las pra sua cama, deixá-las deitar em seu travesseiro, junto a você. Lembra da história dos dois lobos - um bom e um ruim - que temos dentro de nós? Sobreviverá aquele que você alimentar... Abandone a raiva, porque se você optar por carregá-la, ela pesará sobre seus ombros e te fará encurvar-se diante da vida, te fará sentir dores de cabeça por pensar demais, atacará seu estômago, caso você a engula. Perdoar não significa saber dizer Eu Te Perdoo, é conviver, é suportar, é olhar com os olhos do coração, é tentar entender os motivos que a outra pessoa possui pra viver em função da tristeza, e auxiliá-la em silêncio. Afastar não significa resolver a angústia. Viver bem, mesmo diante de impossibilidades, talvez seja a solução mais conveniente. Não ficamos tristes sem motivos? Que saibamos ficar felizes sem motivos também! Direitos iguais para sentimentos diferentes, SEMPRE...

Amanhã pode ser tarde. Tarde para agradecer a Deus por tudo o que temos, tudo o que sentimos. Tarde para manter um sonho aceso. Tarde para sentir a chuva nos cabelos sem se preocupar com o resfriado. Tarde para conseguir amar com uma pitada de desespero, tarde para subir no lugar mais alto pra ver o sol nascer ou se por. Tarde para dizer a uma pessoa o quanto ela é especial, ou o quanto ela te machucou. Tarde para ensinar alguma coisa pra alguém mais velho, e aprender com alguém mais novo. Tarde para fazer o dinheiro render. Amanhã pode ser tarde para dar aquele abraço, sentir aquele cheiro, sorrir junto e chorar junto também. Tarde pra ser correspondido no sentimento, tarde para dançar sem música, tarde para cantar no chuveiro, tarde para sair com os amigos por aí, sem destino. Amanhã pode ser tarde para a vida, e cedo demais para a morte. Não vamos viver para o arrependimento. Que lá na última "pontinha" que nos restar possamos no mínimo dizer: A felicidade é como uma peça de teatro; se não consegui apresentá-la ao mundo, pelo menos ensaiei a vida inteira!

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 29 de janeiro de 2012

Minha forma de amar no final de janeiro

"Eu amo tudo o que foi, tudo o que já não é, a dor que já não me dói, a antiga e errônea fé, o ontem que a dor deixou, o que deixou alegria, só porque foi e voou. E hoje já é outro dia." (Fernando Pessoa)



Tinha uma convicção de que tudo o que gerasse dependência não me faria balançar quaisquer sentimentos bons. Sempre corri de pessoas fracas. Nunca amei pessoas dóceis. E nem me lembro de despertar interesse por tudo o que fosse "bonzinho". Ao olhar para trás, enxergo apenas imaturidade...

Não sei por qual motivo a gente ama uma pessoa, mas acredito que amar envolva o "como nos sentimos diante de alguém". Alguns amam companhia, outros amam solidão, outros autoafirmação e outros, desafios. O fato de você amar de verdade uma pessoa é o maior mistério! Mas o fato de continuar amando, mesmo depois de anos, é a maior dádiva.

Por muitas vezes, antes de qualquer relacionamento, existe entre os casais uma discussão serena para a construção do elo. Somos seres de palavras difíceis e compreensão duvidosa em se tratando de sentimentos. Evitamos pensar às vezes, é melhor deixar a angústia adormecida. Hoje eu percebo que explicar como amamos é uma grande perda de tempo, afinal, não temos fórmula certa para amar. Aos poucos, compreendi que cada pessoa que aparecia na minha vida me fazia dar uma resposta diferente ao sentimento, o que me assustou diversas vezes. Dizer que é muito tranquilo, sente pouco ciúmes, não é de ligar nem mandar SMS, não é romântico, não cobra nada, entre outras coisas, me faz refletir que tipo de situação estamos criando para nossas vidas. Por mais que tentemos surpreender ou ser surpreendidos, penso que há algo em nós que se não o fizermos, não sustentamos a tranquilidade: a programação. Programar quando e como a outra pessoa aparecerá nos nossos dias não diz respeito a nenhuma surpresa. Eu ligo, ela atende; eu mando SMS, ela responde; eu digo que estou amando, ela também. Viver apenas de respostas nunca foi legal. Viver esperando atitudes também não. Viver no estilo "cada dia um liga" parece algo forçado, ou combinado, ou sei lá, programado. Acredito também que quando a razão toma conta das relações, quando a cautela bate mais forte que o coração, quando o medo é maior que a vontade de se ver e se ter, não exista amor - ainda. Amor programado não tem graça, pelo menos pra mim. Se existe amor estilo "avassalador" eu não sei, mas que seria bom viver um, ahhhh... isso seria!

Sou do tipo que se entrega aos relacionamentos, sejam eles quais forem. Me "ferro" mesmo. Mas até agora não apresentei nenhuma depressão séria por causa deles. Amo e odeio aquela falta de resposta, aquela ligação perdida, aquele sonho que não aconteceu, aquele biotipo desejado, aquele beijo negado. Amo e odeio aquele não com cara de sim, aquela música que fala por mim, aquele cheiro que me lembra a primeira vez. Amo e odeio amar a inteligência, completar com a aparência, e principalmente aqueles quilômetros a mais. Amo e odeio a dificuldade do encontro, o abandono passageiro, a falta de carinho e compreensão, as brigas, as implicâncias, a culpa e até a infidelidade. Mas amar e odiar não construíram nenhum "para sempre" na minha história.

Aos poucos vou aprendendo algo sobre mim, inclusive minha forma de amar no final de janeiro. Amo com intensidade, quero ligar o tempo todo, quero ficar junto o dia inteiro, quero logo perder de vista tudo o que me lembre a solidão. Ainda não sei amar com liberdade. Ainda não sei o que é amar com o uso pleno da razão. Não sei amar calçado, não sei chorar apenas no final, não sei disfarçar a dor da ausência, nem mesmo a alegria da presença. Não sei responder a relacionamentos tranquilos, não sei. Nunca soube esperar um "eu te amo". Não sobreviveria a um namoro sem uma ponta de loucura, porque não sei - e nem quero - me controlar. Não sei terminar aquilo que nunca se começou, nem começar aquilo que mais parece uma continuação do último relacionamento de um dos dois. Não sei não desejar alguém que nunca teve um amor na vida, porque minha vontade de ser o primeiro é intensa. Não sei não perguntar sobre os ex e não sofrer depois. Não sei amar com paz, com confiança, sem medo de perder, porque se dizem que o amor contagia é porque ele mais parece um vírus perigoso, e se não cuidarmos... ele adoece...


(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Sempre em frente




A cada pôr-do-sol, você vai perdendo sua vontade em se doer, mas não em se doar. Perde sua fome por felicidade breve, mas não seu apetite por longas esperanças. Nem sempre temos tudo o que queremos, mas lutamos por tudo o que acreditamos. Erros fazem parte de cada trajeto, mas só a ignorância pode limitar nossas viagens. Por isso existe o perdão, para fazer brotar novos sentimentos em solo infértil. Por isso existe o tempo, pra nos mostrar que o poder das horas caminha junto com o da reflexão. Por isso existem a distância e a saudade, pra lembrarmos os bons momentos que passamos juntos. Por isso existe a maturidade, pra nos ensinar a dar valor enquanto temos algo nas mãos. Corra atrás do que acredita. Se imponha diante do que lhe faz mal. Pare de ser a vítima da sua história, todo sofredor tem uma porcentagem de culpa, seja ela a mera permissão em deixar o outro lhe fazer sofrer. E pare de fantasiar o que alguém pensa de você, porque ninguém sabe realmente o que se passa na imaginação do outro. Aprenda que "dar o troco", literalmente, tem muito mais a ver com o que sobra do que com o que falta. Na prática, quem quer pagar com a mesma moeda está na verdade brincando (brigando) apenas consigo mesmo, pois não consegue aceitar a falta que o outro lhe faz. Aprenda a conhecer quem é uma pessoa, e não tentar cavar o que espera dela. Até uma criança sabe que em tantas buscas ao tesouro, vários piratas já morreram na praia. Viva a sua vida, ao invés de se preocupar com a dos outros. Seguir cada passo de uma pessoa não diz respeito a sentimentos nobres, mas a uma doença da alma - ou falta de amor próprio, sabe-se lá. Quer se arriscar? Faça novos amigos. Quer correr perigo? Roube uma flor e a dê a quem mais admira. Quer um amor de verdade? Use muito querosene pra queimar seu orgulho. Ao meu lado, a partir de agora, quero apenas pessoas abertas. Porque de fechadas, já bastam as portas de cada coração que encontrei até aqui...

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012



"Nem sempre levamos na mala tudo o que queremos, mas sim o que é essencial à nossa sobrevivência. Por isso, creio que não poderia ser diferente com as nossas escolhas (ou com a escolha de uma outra pessoa em relação a gente): ao dar um passo para frente, é impossível não deixarmos algo importante para trás. Então, de 'pirraça', tentarei ser feliz a cada Agora só para ser feliz Sempre."

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 15 de janeiro de 2012

Deixa ir



Uma mistura! De repente, aquele sentimento que se encontrava escondidinho pula da caixa surpresa e me assusta. Aquele único encontro, o mais bonito e importante, é desenterrado, tirado na marra, quase um parto. Precisava sair. E me lembrei de cada promessa, cada sorriso, cada suspiro, cada emoção. A pele respirou intensamente e os olhos brilharam como já não fazia há algum tempo. Já não sabia se era o amor me chamando, ou a dor do abandono praticando o tão famoso bullying. Senti a falta daquele afeto. Já não acreditava que ele voltaria, mas insistia em esperar. Insistia em dizer o que sentia, enquanto as respostas eram objetivas. E fantasiava cada palavra seca, cada interjeição, cada ponto final. Lia suas cartas com doçura, mas não lia sua alma. Fui feliz por instantes. Foram perfeitos aqueles minutos ao lado daquilo que acreditei ser meu eternamente... mas não foi...

Então chega. Chega de priorizar aquilo que não quer ter mais brilho. Chega de buscar o silêncio, correr atrás de vazios, amar para dentro. O que eu quero vai além de qualquer forma de conhecimento, ultrapassa qualquer frase feita, derruba qualquer clichê. Chega de pensar naquilo que não tem mais volta. Agora é hora de dar espaços, limpar a casa, e preencher cada vazio com sentimentos novos. O que ficou pra traz também teve sua porcentagem de culpa, e não sou eu quem vou me desgastar cultivando flores mortas. Já estou farto de relâmpagos e chuvas estragando a paisagem, agora é hora do vento fazer sua parte, levar pra longe qualquer grão de ressentimento que insiste em cegar meus olhos. Acredito mesmo é no calor da alma que pretende chegar, que vive em alguma praia vendendo sorrisos, olhando olho por olho em busca do meu olhar. É hora de respeitar o tempo das pessoas e desrespeitar um pouco o meu comodismo. A espera já ocupou muito tempo, tá na hora de tocar a felicidade pra dentro, como se ela fosse uma criança teimosa, e segurar apenas o que colore a vida e apaga as sombras, ao invés de cuidar de pássaros feridos sabendo que em breve eles irão me deixar...

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)