segunda-feira, 25 de julho de 2011

Recomeçar

"Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário. Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas. Se achar que precisa voltar, volte! Se perceber que precisa seguir, siga! Se estiver tudo errado, comece novamente. Se estiver tudo certo, continue. Se sentir saudades, mate-a. Se perder um amor, não se perca! Se o achar, segure-o!" (Fernando Pessoa)



Como quase todo fã de tabloides, também encontramos pessoas em redes sociais desamparadas de algo que possa estar na promoção. Barato, prático, belo, sem muito trabalho pra se conseguir, e o mais interessante: bem pertinho de você! E que irônico, logo nos sentimos parecidos com elas. Isso quando essas pessoas não somos nós mesmos. Esperamos sempre algo legal cair na nossa rede. Às vezes cai. Às vezes somos nós que caimos. E aí começa a novela da vida online. Levar adiante algo que veio fácil pode parecer banal, mas acredito sim em grandes acontecimentos. Grandes e especiais. Uma vez disse Bob Marley: "Sozinho, meu pensamento focaliza em alguém. Deixo-o livre, e de repente meu coração aperta. Mas não estou triste, pelo contrário, deixo escapar um sorriso [...]" Claro que ele não tratava do mesmo assunto, a frase continua, mas aqui ela aparece para dar continuidade à minha oratória. Não, não procuramos ninguém para matar o tempo. Mas é invitável pessoas assim aparecerem. Queremos e gostamos de atenção. E quando decidimos nos entregar é tarde, afinal, qualquer um se cansa de tentar, tentar, tentar e apenas tentar. Pra ser mais exato, dói muito dar murros em ponta de faca, e é uma grande perda de tempo nadar para morrer na praia. Mas, de fato, é gostoso sim, tanto pra quem insiste quanto pra quem é procurado. Isso é viver, meu! Aí eu começo a me entender... Procuro pessoas para as minhas horas vivas. E mais que isso, as quero para preencher minhas necessidades. Necessidades, mas jamais o meu vazio. Há coisa mais especial que o vazio da gente? Claro. Mas é real a importância que nosso vazio tem, pois é algo desconhecido até para nós mesmos; e tolice a nossa querer que o outro preencha aquilo que nem sabemos o que nos falta...

Bom, digamos que nós, humanos, vivenciamos coisas parecidas. A perda é uma ladra, nos tira o mapa das nossas mãos. Nos perdemos sim, é inevitável. E necessitamos colocar algo no lugar. Tá entendendo porquê uma pessoa pode mudar tanto após a perda de algo? Mas isso não significa que nosso entendimento deva significar aceitação. Não é algo comum a nós gostar do sofrimento, mas lá no fundo existe uma pontinha de esperança. Esperança na mudança, inclusive do outro. Mas e a nossa mudança, será que alguém espera? O fato de você perder aquilo que mais amou, amar sem ser amado, entender sem ser entendido, pode te levar à infelicidade. Mas acredite, é algo passageiro. Quando acostumamos com uma vida de perdas logo entendemos o quão forte podemos ser, ou parecer. E as pessoas talvez nunca entenderão se estamos realmente sendo ou parecendo fortes, mas admito de uma vez por todas que só quem vive pode saber.

Por muitas vezes me vi apegado demais a pessoas. E elas não tinham a menor culpa disso. Para tê-las, era fácil, bastava fechar os olhos. Mas eu não era apegado a mim. Não havia nem apaixonado por mim ainda. E não iria me apaixonar se não fossem por cada uma que não pude ter perto de mim. Aí percebi que cinco dias trancados no meu trabalho, na escola, em casa, me traziam preocupação com tudo, menos comigo. E percebia que era a hora de recomeçar. Já tentei de diversas formas recomeçar. E muitas vezes 'ré'-comecei, quando me vi 'voltando' a coisas que me fizeram mal, na busca de resolver de uma vez por todas minha vida e desintalar o que até então escondia meu sol. Pobre de mim que não entendia que se tratava de mortal versus mortal. Sim, um combate entre mortais na certa teria um ferido, que era eu. Hoje só não busco vencer no amor. Vencer uma pessoa que quero que me ame, quanta burrada! Vira uma busca obcessiva, doentia, não vivo e nem deixo o outro viver. Agora sim comecei entender qual é a jogada. E finalizo esse post com uma frase conhecida: "Não  permita que nada te desanime, pois até mesmo um pé na bunda de empurra para frente." Não é?

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

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