sábado, 3 de março de 2012



E quem nunca esperou demais do mundo, e quem nunca estava em paz até alguém colocar uma bomba em suas mãos, e quem nunca teve que se virar com suas dores e transformá-las em sua realidade, modelando-se ao que o mundo impõe? O jeito é: ou conformamos com nossa neurose, ou enlouquecemos sem ela...

Quando acreditei que não havia mais nada que eu pudesse fazer, eu fiz;
Quando julguei impossível alcançar tal coisa, eu busquei;
Quando achei não haver mais esperanças, eu as mantive;
Quando me iludi pensando não restar tempo para mais nada, eu lutei até o último minuto;
Quando me disseram que não daria certo, eu insisti;
Quando a última palavra foi dada, eu ainda assim falei;
Por muitas vezes senti na vida as coisas se fechando para mim. Mesmo assim a felicidade resistiu em ficar. Se acredito que nada tenho, sei que por tudo lutei. E sem me arrepender de absolutamente nada, num futuro poderei dizer: Sempre Tentei. Hoje vejo o passado como uma lição pra meditar, não pra se reproduzir. E somente as tentativas nos possibilitam a conquista, ou nos levam próximo à ela. Pessoas especiais passaram por minha vida. Quando as conheci houve um lugar no tempo e um sentimento. O tempo ficou marcado, o lugar sempre lembrado, o sentimento jamais apagado... Se eu tivesse que resumir minha vida em momentos felizes, resumiria no dia em que conheci todas essas pessoas. Minha família, meus amigos, minha turma de faculdade, meus amores, meus colegas de trabalho, meu amigos internautas. Aprendi a não chorar diante do fim de momentos felizes, mas a trocar minhas lágimas por um sorriso pelo fato desses momentos terem existido. Porque lembrar é fácil pra quem tem memória, mas esquecer é impossível pra quem tem coração. Prometi me permitir amar todas as vezes que me machucarem feio. Porque o amor é algo delicado, porém não há força no mundo capaz de destruí-lo. Prometi também nunca perder a fé nas pessoas, mesmo sabendo que muitas delas são como gotas de água suja no oceano, e elas sabem bem disso. Me permiti sonhar alto, pois nos meus sonhos tive tudo aquilo que a realidade me negou. E aprendi na marra que a maior dor não é estar longe das pessoas que amamos, mas sim estar perto e não conseguir alcançá-las. Por esse motivo não me afastarei de vocês e nem cansarei de dizer: EU VOS AMO!

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Cuide de você



Dizem que é quando estamos mais tristes que as mais belas palavras podem ser transcritas... Descordo. Na tristeza falta cor, falta brilho, falta ritmo, falta vontade, sobra desperdício. Desperdício de vida, de tempo, de sorrisos, de sonhos, de tudo. Há um espaço paralelo entre ser e existir. Faltam motivos qualitativos, sobram motivos quantitativos. Faltam pessoas ao nosso redor, sobram pessoas em nossa volta. As más línguas chamariam de solidão, e eu de "Motivo Especial".

Motivo Especial é aquele que você passa a se sentir ali, presente. Percebe que tá na hora de cuidar de você, ser sincero com você, entender você. Por esse Motivo Especial, a gente se desprende do mundo, entra em um descompasso e percebe-se diferente dos demais. Permite-se doer de forma leve. A gente sobra. Nosso corpo fica maior, desajeitado, expansivo. O vento é mais forte, mesmo com o ar parado. Os ruídos incomodam mais. Nossa percepção aumenta. Tudo ganha um cheiro diferente. As cores se embaralham, o preto e o branco se sobrepõem. Momento Especial não tem hora, nem dia pra acontecer. Simplesmente acontece. É quando a gente toma aquele susto e percebe que o tempo todo estávamos indo a favor da correnteza. Literalmente, deixando a vida nos levar. A cabeça pesa. A angústia perpassa sobre o pescoço, o peito, alojando-se no coração. Difícil existirem pessoas que atualmente permitam isso acontecer. Vivemos em um mundo que, com tanto analgésico, não nos permitimos mais sentir qualquer dor. E esquecemos que é a angústia que nos faz crescer. A perda elaborada nos faz mais fortes. A dor vivida se transforma em cicatriz, marca esta que apenas os vivos possuem, e que significa "eu sobrevivi". Motivo Especial aparentemente parece-nos assustador, mas se não nos permitimos vivenciá-lo, seremos eternas crianças necessitadas de adultos que nos deem algum tipo de medicamento...

Medicar-se faz bem quando é caso de medidas extremas. Coração partido, por exemplo, precisa no mínimo de um porre e de música bem alta. Cada risada sem motivo é uma alfinetada, cada grito uma costura, cada amigo um nó. Mas no outro dia, ainda dói. Talvez doa até mais. Mas logo arrumamos um meio de mudar o rumo do pensamento. Talvez seja saudável sim, mas uma hora a "casa cai". Uma hora a lembrança vem, nas mínimas coisas, e aí percebemos que a ferida não cicatrizou. Pra quem busca um amor pra esquecer outro, fica o meu conselho: se antes era apenas uma pessoa machucada, logo poderá ser duas, caso ainda doa em você...

Não condeno nenhuma felicidade repentina. Afinal, é o meio mais absurdo que encontramos pra suportar os danos em existir. O que não gosto é de gente que diz que nos ama e depois vem com aquele papo de que estava confuso. O que não aturo é companhia por pena ou falta de opção. O que não quero é ser a preocupação de alguém, porque preocupação incomoda, traz danos, e está muito distante de ser amor. Nada de ligações pra não parecer que sumiu, porque de obrigação já bastam os trabalhos e os estudos. Aliás, quero é que tudo seja prazer pra alguém, inclusive minha companhia. Não admito que não haja erros, só não preciso que eles sejam intencionais. Quero datas especiais a mais em meu calendário, mas não quero brigar pra lembrá-las a alguém. Quero amor na mesma medida, nada de um gostar mais que o outro. Quero família, cachorro, gato, papagaio, periquito. Quero segredo. Quero significado maior que o de um anel. E quero a mim primeiro, pra depois querer alguém. E se não for pedir muito, que chegue de mansinho, porque só tem pressa pra começar quem tem medo de acabar...

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Bastar-se




Aos poucos me libertei daquele amor exigente. Nada de desespero por presença, nem tampouco choro por solidão. Aprendi a me completar com meia dúzia de bons amigos. Aquela vontade de estar sempre junto ainda existe, mas o abandono tem lá suas regalias: nos ensina a "se bastar". Me bastei no amor, no beijo, no toque, na presença. Há tanto tempo não me abraçava de frente ao espelho, e hoje vejo o quão isso é importante. Aposto que muitas pessoas nunca sentiram tamanha experiência: utilizar os próprio braços, colocar as próprias mãos, cruzadas, sobre os ombros, tombar a cabeça para a direita, fechar os olhos, sentir o próprio cheiro e, além de tudo, sentir-se especial. Nunca foi hipocrisia ser feliz sozinho quando não se encontra alguém "à altura". Hipocrisia seria aceitar, por mera carência, uma pessoa qualquer, permitindo-a ocupar um espaço especial reservado para alguém especial...

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Confiança




Encantar. Quem nunca? Com uma fotografia, um andado, um cumprimento, um sorriso, um texto, uma música, um olhar. Diferentemente do que estamos acostumados a pensar o que seja amor a primeira vista, encantar requer abertura aos nossos olhos e aos sentimentos. Encantar requer confiança em um futuro, agradecimento ao passado, desafio com o presente. Requer também esvaziamento breve de espaços, o que muitas vezes não o fazemos para fora. Muitas vezes, é como se jogássemos o lixo pra debaixo do tapete, o que nos impossibilita de aproveitar ao máximo da pureza de um sentimento pelo "simples" medo de perder. Perder o que não se tem, mas que se pretende "conquistar". Porém, aos poucos vamos entendendo que conquista tem mais a ver com maturidade do que sensualidade...

Na busca por uma companhia, por mais que queiramos alguém definitivo na vida, existem contratempos. Nem vejo mais o medo impedindo as pessoas de serem felizes, mas a disponibilidade. Disponibilidade de tempo, de investimento de energia e de pensamentos. Trata-se mais de como lidamos com nossos pensamentos em alguém naquele momento corrido do dia-a-dia, do que o que pretendemos fazer a respeito das nossas horas livres. Refere-se mais ao esforço de se mostrar presente do que estar fisicamente juntos. É saber manter a chama acesa mesmo que não haja mais fogo ou lenha, simplesmente por acreditar que podemos ter o coração aquecido por doces lembranças (ou lembranças que geram aprendizados)...

Lembra daquele sumiço? Com ele aprendi a me guiar não para onde costumávamos ir, mas onde eu nunca iria sozinho por medo de me encontrar. Lembra quando descobri que existia uma outra pessoa em sua vida? Foi o mesmo momento em que entendi que as pessoas que mais sofrem são aquelas que não sabem o que querem, e neste caso era você. Lembra das melhores festas, dos melhores restaurantes, dos melhores parques, das melhores praias? Tudo isso só valia a pena porque era a única hora em que eu percebia seu verdadeiro sorriso e sua verdadeira satisfação, e o mais magnífico, éramos só eu e você. Lembra do pôr-do-sol juntos, do beijo na chuva, de rir até a barriga doer, de correr descalço, de passear com os cachorros? Nunca se lembrará, pois era apenas parte do meu sonho e da vida que eu desejava - e pretendia - viver contigo. E quando me dizia que viria me ver, mas sempre arrumava uma desculpa, também se lembra? Aprendi a arrumar desculpas pra mim também, dentre elas a de ter a certeza de que você nem sempre merecia a minha espera, a minha preocupação, o meu melhor. Aprendi a ter forças diante de cada fraqueza, inclusive nos momentos em que prometia não mais te procurar, e procurava; e aprendi a viver depois de quase morrer por medo de te esquecer um dia, apagando de vez aquele amor puro. Aprendi a desconfiar de tudo, me fechei para o mundo, e te agradeço por isso. Se eu não aprendesse a me fechar, talvez eu vivesse sempre com aquele romantismo sem graça, sem cor, sem consistência, sem insistência, sem exigências, sem reticências... Como disse Aristóteles, "Talvez eu seja enganado inúmeras vezes. Mas não deixarei de acreditar que em algum lugar alguém merece a minha confiança."


(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Amanhã pode ser tarde


Esqueça a convicção de que dará tempo pra fazer tudo, porque não dá. Os dias voam, e quem ainda não percebeu isso está no mundo a passeio, não a trabalho. Família é um bem importante e que não escolhemos. Amigos são essenciais, mas ainda assim sabemos com quais podemos contar sempre. Pensar que o perdão virá com o tempo não é a melhor saída pros sofrimentos. Não é o tempo que cura a dor, é o amor. O amor em contraponto ao nosso orgulho, o amor à cura das feridas que muitas vezes criamos sem uma razão. A cada dia que fica pra trás, mais tenho certeza de que com ele deixamos chances de ser mais tranquilo com a gente mesmo. E de deixar alguém tranquilo também. Concordo com você, ninguém sabe o que se passa dentro da gente. E ninguém saberá como resolver nossos problemas, senão nós mesmos...

Escolhas são essenciais para sairmos da mesmice. Mas ignorar o passado, as raízes, é querer desfazer de quem somos, porque querendo ou não, cada medo, cada insônia, cada lágrima, cada sorriso, cada vitória, cada pedido de ajuda tem a ver com a nossa história. Até os "não's" foram grandes geradores de vitórias na vida, pois o fechar de portas nos permite, muitas vezes, buscar - e encontrar - outras melhores. Perdoar é ato de gente forte, porque conviver com mágoas de quem nos causou algum mal não é fácil. Oferecer flores a quem sempre nos ofereceu espinhos é um ato de amor e coragem. Nunca seremos nós os criadores de justiça, porque justiça terrena não existe, apenas o "mal terreno". Esqueça as pessoas que lhe fizeram sofrer, chorar, querer desistir. Sai mais barato do que levá-las pra sua cama, deixá-las deitar em seu travesseiro, junto a você. Lembra da história dos dois lobos - um bom e um ruim - que temos dentro de nós? Sobreviverá aquele que você alimentar... Abandone a raiva, porque se você optar por carregá-la, ela pesará sobre seus ombros e te fará encurvar-se diante da vida, te fará sentir dores de cabeça por pensar demais, atacará seu estômago, caso você a engula. Perdoar não significa saber dizer Eu Te Perdoo, é conviver, é suportar, é olhar com os olhos do coração, é tentar entender os motivos que a outra pessoa possui pra viver em função da tristeza, e auxiliá-la em silêncio. Afastar não significa resolver a angústia. Viver bem, mesmo diante de impossibilidades, talvez seja a solução mais conveniente. Não ficamos tristes sem motivos? Que saibamos ficar felizes sem motivos também! Direitos iguais para sentimentos diferentes, SEMPRE...

Amanhã pode ser tarde. Tarde para agradecer a Deus por tudo o que temos, tudo o que sentimos. Tarde para manter um sonho aceso. Tarde para sentir a chuva nos cabelos sem se preocupar com o resfriado. Tarde para conseguir amar com uma pitada de desespero, tarde para subir no lugar mais alto pra ver o sol nascer ou se por. Tarde para dizer a uma pessoa o quanto ela é especial, ou o quanto ela te machucou. Tarde para ensinar alguma coisa pra alguém mais velho, e aprender com alguém mais novo. Tarde para fazer o dinheiro render. Amanhã pode ser tarde para dar aquele abraço, sentir aquele cheiro, sorrir junto e chorar junto também. Tarde pra ser correspondido no sentimento, tarde para dançar sem música, tarde para cantar no chuveiro, tarde para sair com os amigos por aí, sem destino. Amanhã pode ser tarde para a vida, e cedo demais para a morte. Não vamos viver para o arrependimento. Que lá na última "pontinha" que nos restar possamos no mínimo dizer: A felicidade é como uma peça de teatro; se não consegui apresentá-la ao mundo, pelo menos ensaiei a vida inteira!

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 29 de janeiro de 2012

Minha forma de amar no final de janeiro

"Eu amo tudo o que foi, tudo o que já não é, a dor que já não me dói, a antiga e errônea fé, o ontem que a dor deixou, o que deixou alegria, só porque foi e voou. E hoje já é outro dia." (Fernando Pessoa)



Tinha uma convicção de que tudo o que gerasse dependência não me faria balançar quaisquer sentimentos bons. Sempre corri de pessoas fracas. Nunca amei pessoas dóceis. E nem me lembro de despertar interesse por tudo o que fosse "bonzinho". Ao olhar para trás, enxergo apenas imaturidade...

Não sei por qual motivo a gente ama uma pessoa, mas acredito que amar envolva o "como nos sentimos diante de alguém". Alguns amam companhia, outros amam solidão, outros autoafirmação e outros, desafios. O fato de você amar de verdade uma pessoa é o maior mistério! Mas o fato de continuar amando, mesmo depois de anos, é a maior dádiva.

Por muitas vezes, antes de qualquer relacionamento, existe entre os casais uma discussão serena para a construção do elo. Somos seres de palavras difíceis e compreensão duvidosa em se tratando de sentimentos. Evitamos pensar às vezes, é melhor deixar a angústia adormecida. Hoje eu percebo que explicar como amamos é uma grande perda de tempo, afinal, não temos fórmula certa para amar. Aos poucos, compreendi que cada pessoa que aparecia na minha vida me fazia dar uma resposta diferente ao sentimento, o que me assustou diversas vezes. Dizer que é muito tranquilo, sente pouco ciúmes, não é de ligar nem mandar SMS, não é romântico, não cobra nada, entre outras coisas, me faz refletir que tipo de situação estamos criando para nossas vidas. Por mais que tentemos surpreender ou ser surpreendidos, penso que há algo em nós que se não o fizermos, não sustentamos a tranquilidade: a programação. Programar quando e como a outra pessoa aparecerá nos nossos dias não diz respeito a nenhuma surpresa. Eu ligo, ela atende; eu mando SMS, ela responde; eu digo que estou amando, ela também. Viver apenas de respostas nunca foi legal. Viver esperando atitudes também não. Viver no estilo "cada dia um liga" parece algo forçado, ou combinado, ou sei lá, programado. Acredito também que quando a razão toma conta das relações, quando a cautela bate mais forte que o coração, quando o medo é maior que a vontade de se ver e se ter, não exista amor - ainda. Amor programado não tem graça, pelo menos pra mim. Se existe amor estilo "avassalador" eu não sei, mas que seria bom viver um, ahhhh... isso seria!

Sou do tipo que se entrega aos relacionamentos, sejam eles quais forem. Me "ferro" mesmo. Mas até agora não apresentei nenhuma depressão séria por causa deles. Amo e odeio aquela falta de resposta, aquela ligação perdida, aquele sonho que não aconteceu, aquele biotipo desejado, aquele beijo negado. Amo e odeio aquele não com cara de sim, aquela música que fala por mim, aquele cheiro que me lembra a primeira vez. Amo e odeio amar a inteligência, completar com a aparência, e principalmente aqueles quilômetros a mais. Amo e odeio a dificuldade do encontro, o abandono passageiro, a falta de carinho e compreensão, as brigas, as implicâncias, a culpa e até a infidelidade. Mas amar e odiar não construíram nenhum "para sempre" na minha história.

Aos poucos vou aprendendo algo sobre mim, inclusive minha forma de amar no final de janeiro. Amo com intensidade, quero ligar o tempo todo, quero ficar junto o dia inteiro, quero logo perder de vista tudo o que me lembre a solidão. Ainda não sei amar com liberdade. Ainda não sei o que é amar com o uso pleno da razão. Não sei amar calçado, não sei chorar apenas no final, não sei disfarçar a dor da ausência, nem mesmo a alegria da presença. Não sei responder a relacionamentos tranquilos, não sei. Nunca soube esperar um "eu te amo". Não sobreviveria a um namoro sem uma ponta de loucura, porque não sei - e nem quero - me controlar. Não sei terminar aquilo que nunca se começou, nem começar aquilo que mais parece uma continuação do último relacionamento de um dos dois. Não sei não desejar alguém que nunca teve um amor na vida, porque minha vontade de ser o primeiro é intensa. Não sei não perguntar sobre os ex e não sofrer depois. Não sei amar com paz, com confiança, sem medo de perder, porque se dizem que o amor contagia é porque ele mais parece um vírus perigoso, e se não cuidarmos... ele adoece...


(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Sempre em frente




A cada pôr-do-sol, você vai perdendo sua vontade em se doer, mas não em se doar. Perde sua fome por felicidade breve, mas não seu apetite por longas esperanças. Nem sempre temos tudo o que queremos, mas lutamos por tudo o que acreditamos. Erros fazem parte de cada trajeto, mas só a ignorância pode limitar nossas viagens. Por isso existe o perdão, para fazer brotar novos sentimentos em solo infértil. Por isso existe o tempo, pra nos mostrar que o poder das horas caminha junto com o da reflexão. Por isso existem a distância e a saudade, pra lembrarmos os bons momentos que passamos juntos. Por isso existe a maturidade, pra nos ensinar a dar valor enquanto temos algo nas mãos. Corra atrás do que acredita. Se imponha diante do que lhe faz mal. Pare de ser a vítima da sua história, todo sofredor tem uma porcentagem de culpa, seja ela a mera permissão em deixar o outro lhe fazer sofrer. E pare de fantasiar o que alguém pensa de você, porque ninguém sabe realmente o que se passa na imaginação do outro. Aprenda que "dar o troco", literalmente, tem muito mais a ver com o que sobra do que com o que falta. Na prática, quem quer pagar com a mesma moeda está na verdade brincando (brigando) apenas consigo mesmo, pois não consegue aceitar a falta que o outro lhe faz. Aprenda a conhecer quem é uma pessoa, e não tentar cavar o que espera dela. Até uma criança sabe que em tantas buscas ao tesouro, vários piratas já morreram na praia. Viva a sua vida, ao invés de se preocupar com a dos outros. Seguir cada passo de uma pessoa não diz respeito a sentimentos nobres, mas a uma doença da alma - ou falta de amor próprio, sabe-se lá. Quer se arriscar? Faça novos amigos. Quer correr perigo? Roube uma flor e a dê a quem mais admira. Quer um amor de verdade? Use muito querosene pra queimar seu orgulho. Ao meu lado, a partir de agora, quero apenas pessoas abertas. Porque de fechadas, já bastam as portas de cada coração que encontrei até aqui...

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012



"Nem sempre levamos na mala tudo o que queremos, mas sim o que é essencial à nossa sobrevivência. Por isso, creio que não poderia ser diferente com as nossas escolhas (ou com a escolha de uma outra pessoa em relação a gente): ao dar um passo para frente, é impossível não deixarmos algo importante para trás. Então, de 'pirraça', tentarei ser feliz a cada Agora só para ser feliz Sempre."

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 15 de janeiro de 2012

Deixa ir



Uma mistura! De repente, aquele sentimento que se encontrava escondidinho pula da caixa surpresa e me assusta. Aquele único encontro, o mais bonito e importante, é desenterrado, tirado na marra, quase um parto. Precisava sair. E me lembrei de cada promessa, cada sorriso, cada suspiro, cada emoção. A pele respirou intensamente e os olhos brilharam como já não fazia há algum tempo. Já não sabia se era o amor me chamando, ou a dor do abandono praticando o tão famoso bullying. Senti a falta daquele afeto. Já não acreditava que ele voltaria, mas insistia em esperar. Insistia em dizer o que sentia, enquanto as respostas eram objetivas. E fantasiava cada palavra seca, cada interjeição, cada ponto final. Lia suas cartas com doçura, mas não lia sua alma. Fui feliz por instantes. Foram perfeitos aqueles minutos ao lado daquilo que acreditei ser meu eternamente... mas não foi...

Então chega. Chega de priorizar aquilo que não quer ter mais brilho. Chega de buscar o silêncio, correr atrás de vazios, amar para dentro. O que eu quero vai além de qualquer forma de conhecimento, ultrapassa qualquer frase feita, derruba qualquer clichê. Chega de pensar naquilo que não tem mais volta. Agora é hora de dar espaços, limpar a casa, e preencher cada vazio com sentimentos novos. O que ficou pra traz também teve sua porcentagem de culpa, e não sou eu quem vou me desgastar cultivando flores mortas. Já estou farto de relâmpagos e chuvas estragando a paisagem, agora é hora do vento fazer sua parte, levar pra longe qualquer grão de ressentimento que insiste em cegar meus olhos. Acredito mesmo é no calor da alma que pretende chegar, que vive em alguma praia vendendo sorrisos, olhando olho por olho em busca do meu olhar. É hora de respeitar o tempo das pessoas e desrespeitar um pouco o meu comodismo. A espera já ocupou muito tempo, tá na hora de tocar a felicidade pra dentro, como se ela fosse uma criança teimosa, e segurar apenas o que colore a vida e apaga as sombras, ao invés de cuidar de pássaros feridos sabendo que em breve eles irão me deixar...

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 8 de janeiro de 2012

Prefiro a Liberdade



Nem sempre é amor. Às vezes é apenas orgulho ferido, ego dilacerado. A vontade de ter de volta cega-se a ponto de querer ter por ter, e poder fazer o mesmo, "descartar". Prefiro a liberdade. É perder muito tempo estar do lado de uma pessoa que não se tem a pretensão de fazer feliz. É jogar fora a oportunidade de encontrar alguém bacana, que nos dê aquilo que precisamos em troca do prazer de só de ouvir a nossa voz. Gente existe pra unir forças, não lamentos. A cada dia mais me convenço de que destino é escolha, é caminho, é acerto e erro. Não busco sabedoria nem aprendizado por detrás de relacionamentos, busco amor. Racionalizar é sobreviver, mas meu momento é meio suicida. Por isso, chega de dar explicações pros acontecimentos. Se for pra amar sozinho, me contento com um espelho.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Felicidade



Felicidade é o preço que se paga por chorar por certas coisas e se tocar a tempo de entender o pequeno valor que elas tinham. É abrir mão de procurar o que se está fora quando, na verdade, percebe-se que a satisfação deve primeiro partir de dentro. Ser feliz é a única coisa que nos resta quando não temos aquilo que queríamos, mas que ao menos tentamos, cuidamos e demos nosso melhor. Felicidade é um prêmio insignificante ao primeiro olhar, costumeiro e rotineiro, que só ganha sentido quando se perde. Felicidade não é estado, é acontecimento, memória e laços. Felicidade é aquilo que fazemos do que se foi. Para os que a abandona é tempo passado. Para os que a ignora é tempo perdido. Para os que a carrega, é tempo eterno...

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Ano Novo



Esperar um Feliz Ano Novo para os outros e para nós mesmos é universal. Os pessimistas chamariam de clichê. Os indiferentes, de mera educação. Os otimistas, de Esperança. Esperança de 365 dias e 6 horas melhores, com mais amor, mais grana, mais realizações... menos mortes, fome, guerras, desavenças... mais atitudes e menos palavras = O clímax dessa mensagem!!! Acredito que é isso que necessitamos colocar em prática a partir deste momento em que é escrita por mim e lidas por vcs essas palavras bobas, mas que no fundo carrega um sentido que construí. A gente espera tanto um ano melhor que esquecemos de nos lembrar que o ano espera por pessoas melhores. E o que fazemos para sermos melhores?

Vejo constantes frases de "desapego", "afastar a inveja", "gente ruim"... Interessante, mas é como se não existissem pessoas ruins (ou APENAS pessoas ruins), porque TODO MUNDO pensa assim, em afastar o mal de si. E se todos pensam assim, quem é esse mal? Ele realmente existe? Ou faz parte das ideias fixas que temos do mundo? Não adianta, sempre seremos vítimas dos outros. Reparem quando contamos um fato a alguém, sempre, sempre somos os feridos, ou melhor, quase nunca os culpados. Lembramos pouco do que fazemos, de quem machucamos (diariamente, sem perceber, machucamos alguém), e nos perdoamos facilmente quando temos "consciência" de que nossos atos são sem querer. Do outro também, igual ao nosso, pode sim ser sem querer. Mas pra gente é tão "foda" que torna-se um motivo único para doer.

Penso que, mais que esperar um Ano Novo, é acreditar em Anos Novos. Iniciar um novo ano com hábitos velhos, tzzzz... Não vejo nada de novo aí, apenas uma continuidade de erros, ou talvez a continuidade de superproteção de si próprio. Perdoar rapidamente porque o ano está acabando, tsc tsc. Vejo a coisa mais pelo lado da construção. Construir dias melhores, sem parar, mesmo que custe muito, mesmo que nos cansemos, mesmo que queiramos desistir. Amar mais e se importar menos com o depois, porque o depois é feito de "agoras". Trabalhar mais, estudar mais, sorrir mais, dançar mais, beijar mais, abraçar mais, suportar mais, tentar mais, elogiar mais, AGRADECER MAIS. Um Ano Novo requer mentes novas, almas novas, corações novos. Um Ano Novo nos pede mais brilho nos olhos, mais amizades (de preferência na vida real). Desejar Feliz Ano Novo só não basta. É preciso mais que promessas para fazê-lo ser um ano bom... Pensem nisso!

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 11 de dezembro de 2011

Memórias

"Depois de um tempo, você ainda vai lembrar dessa ferida que rasgou fundo o teu peito. Mas vai saber também que foi apenas uma página do capítulo passado. E que o capítulo que você está agora, ah, esse sim é o mais interessante." (Caio Fernando Abreu)



Tudo bem. Típica frase utilizada nas aceitações da vida. Pelo menos, a utilizada por mim, às vezes. Um tudo bem daqui, um ok dali, e a gente vai levando. Nem sempre com aquele sorriso original no rosto, é claro, mas com um sorriso parecido. Porém, o que me estremece são as perdas, ou do que me livrei, sei lá. E diversos atos, muitas vezes repetitivos, vão ganhando maior espaço ao longo dos dias, como se houvesse em mim alguma resistência. Acredito que quando a gente reluta em cima de algo a se fazer, tem um peso de angústia que pode a qualquer momento desencadear reações que nos paralisem. Os meus dias, digamos que quando não há trabalho a se fazer, são do tipo paralisantes. À noite, não. A saudade do que passou nos movimenta. Sair um pouco, conversar, conhecer lugares e pessoas, tudo isso nos possibilita a chance de encontrar algo diferente. Não digo melhor, porque a gente só tem saudade do melhor. Mas algo pra se distrair. Lembranças a gente guarda. Entender que hoje é melhor, bem, acredito que isso acontece só quando o momento passa. Mas alivia saber que o momento está ali para ser vivido, e coisas boas existem para serem lembradas. Mas, seguindo os conselhos de uma amiga, o legal é fazer planos para uma vida sozinha. Se aparecer alguém, a gente acrescenta nos planos. Se não, a gente executa os planos...

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 20 de novembro de 2011

Uma breve definição

"Nada do que eu já fiz me agrada. E o que eu fiz com amor, estraçalhou-se. Nem amar eu sabia, nem amar eu sabia." (Clarice Lispector)



É bem triste o fato de um dia, quando estamos em contramão com a esperança, não acreditarmos que alguém tão especial seja capaz de gostar de alguém como a gente. Esses são os piores dias, aqueles que gostaríamos mais de encontrar um par do que encontrar a nós mesmos. E a gente vai caminhando, devagar, olhando sempre para os lados, às vezes para trás, o que, por diversas vezes, nos faz confundir foco com objetivo. Nos perdemos. Passamos o tempo com algumas caras desconhecidas só pra dizer que tentamos nos apaixonar. Já me questionei algumas vezes se estou à esperar ou se sou a própria espera. Afinal, nunca se sabe que tipo de posicionamento em relação ao mundo é o que me põe pra "trabalhar". Mas não... não admito ser alguém que espera, que fica esperando. Não admito que me escolham por eliminação, porque o que busco é ser a primeira escolha de alguém. Aí sim eu acredito que se possa viver um sentimento de verdade, uma história a dois...

Muitas vezes, embora não seja amor, temos a sensação que seja. Talvez seja apenas saudade daquele sentimento de ter encontrado algo para se lutar. Talvez seja apenas saudade de ter com o que se preocupar, com o que chorar, com o que sonhar. Ou talvez seja só saudade de você se sentir vívido. Tanto faz. Porque amor mesmo, eu não acredito que coloque uma pessoa trancada no quarto quando se está sofrendo por ele. Porque amor, em um sentido completamente diferente do que aprendemos, faz bem pra alma, mesmo que não seja correspondido. Amor mesmo é bonito, a gente que estraga ele. A gente que erra em moldá-lo, quando na verdade já existe uma forma - e não fórmula - pronta de amor. Tentamos colocar o amor no bolso, quando na verdade ele é bem maior que uma mala daquelas gigante, de rodinha. Acredito demais que o amor faz bem pra gente, nos faz sair de casa mesmo com o peito doendo, e nos faz buscar uma pessoa melhor, ou só uma pessoa bacana, pra ver se ela se encaixa com esse sentimento maravilhoso. E não, não precisamos de alguém para sentir amor... Precisamos de amor para sentir alguém...

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Dor: por que?

Chico Xavier tinha em cima de sua cama uma placa escrito: "Isto também passa". Então perguntaram a ele o porquê disso. Ele disse que era para que quando estivesse passando por momentos ruins, se lembrar de que eles iriam embora, que iriam passar, e que por alguma razão ele teria que passar por aquilo. Mas essa placa também era para lembrá-lo de que quando estivesse muito feliz, não deveria deixar tudo para trás e se deixar levar, porque esses momentos também iriam passar e momentos difíceis viriam novamente. É exatamente disso que a vida é feita, momentos. Momentos bons ou ruins que temos que passar, por algum motivo, para o nosso próprio aprendizado. Porque nada é por acaso...



Esconder a dor. Sou do tipo que faço isso muito bem. Insisto em olhar pra tudo o que passou, e a dor, essa eu aprendi a vê-la diferente. Lembro 'um pouco' de pessoas que abandonei. Lembro 'perfeitamente' de pessoas que me abandonaram. (Notou a diferença?) [...] E sinto que gosto de me lembrar... Com a dor aprendi a me curar. Com a dor aprendi a me proteger. Com a dor aprendi a voar mais alto, a cair com tudo, porque quando escolho eu sei muito bem pra onde estou indo. Dor de amor... Aprendi que posso compará-la àqueles relógios que passam de geração a geração. E quando não quero mostrá-la a alguém, guardo-a no bolso e sigo. Não é todo mundo que está preparado a ver a dor do outro. E nem sempre queremos mostrar como fomos machucados, porque algo de extraordinário, de uma ordem oculta, nos faz tentar parecer fortes, felizes, uma boa companhia. Medo da solidão? Talvez... Aprendi também que foram bonitas as histórias que vivi, e que nunca será o final que definirá uma relação. Aprendi a dar valor a cada momento junto. Aprendi que esperar o fim não me faz alguém sem otimismo. Ao contrário do que se pensam, inevitável é pensar no fim logo de cara, quando já estamos cansados. E com a dor também desaprendi... Desaprendi a me colocar em primeiro plano, já que meu investimento por longos dias têm sido em tudo o que é externo e, sendo assim, não há como dar atenção a duas essências simultaneamente. Com a dor desaprendi a gostar de alguém com tudo o que posso, porque aprendi a ter medo. Com a dor desaprendi a me calar diante de tudo o que eu não gosto, porque um dia aprendi que as pessoas precisam partir quando não estão felizes. Com a dor desaprendi a dar mais de duas chances, porque aprendi que a mentira existe pra ser usada pelas pessoas que não sabem o que querem. E desaprendi a sorrir de tudo. E desaprendi a dançar sozinho. Desaprendi a escolher. Desaprendi prejulgamentos, porque aprendi a deixar a outra pessoa se mostrar não da forma que eu gostaria, mas da forma que ela realmente é. Desaprendi a praticidade da pegação, do amor por uma noite, do beijo por um dia, do abraço que mais parece uma despedida. Mas tornei-me exigente demais com o que procuro pra minha vida. Acredito sim que não podemos abandonar nossos sonhos, que o que buscamos sempre existirá em algum canto. Acredito em amor, mesmo que pareça antiquado, e acredito que eu posso viver uma bela história acompanhado... e se não for de amor, vai ser de família e amigos!

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 23 de outubro de 2011

Carência

“Você não tem que ter alguém pra ser completo. Você precisa ter você, não se perder, não perder sua essência. O resto vem!” (Mariana Lobo)



Fico com a ideia de que tudo o que eu aprendi ajudou na construção da dor. Se sinto medo do amor, de alguma forma, ele deixou uma marca não muito bonita de se ver. E assim me constituí gente, com aquela sensaçãozinha de dúvida em relação ao mundo. Vejo que foi o que aprendi desde cedo, e para além disso, não pretendo jamais me culpar ou culpar alguém. Faltou confiança nas minhas relações. Palavras marcaram. Atitudes também. E se não tenho facilidade em acreditar, em confiar, percebo que tudo veio das minhas primeiras relações. É exatamente por entender isso que dou sempre uma chance às pessoas. Afinal, a culpa também é minha. Aí deixo-as se mostrarem sempre. Mas confiar demora... e como demora!

Talvez se eu fosse mais 'frio', não morreria de ansiedade à espera de um simples 'oi'. E não me perderia tanto quando sinto ciúmes de pessoas que nunca estiveram realmente comigo. Talvez se não falasse tanto de amor o tornaria distante, e talvez essa distância facilitasse o meu sentir. Talvez um dia encontraremos alguém especial que nos faça esquecer o que é a palavra fim. E nos faça confiar. E nos faça recuperar toda alegria e vontade de viver. E nos faça perceber que podemos sim ser fortes sozinhos... O amor tem a capacidade de nos fazer apaixonar pela gente mesmo. O amor nos faz nos cuidar para alguém. Mas só o amor verdadeiro é capaz de nos mostrar nosso valor e nos ensinar a cuidar mais da gente sem colocar o outro em primeiro lugar...

Algumas pessoas passam a vida toda de galho em galho, de relacionamento em relacionamento. Outras passam a vida inteira 'falando' de amor. Não sei se é mais difícil achar que nunca acerta nos romances, ou se é mais difícil ter medo de não encontrar a pessoa que tanto procura. Não importa. Já fomos enganados demais pelas novelas, pelos filmes, pelas histórias, pelos livros. Romance mesmo não tem música de fundo e nem sempre vem com tragédia de brinde. Temos mesmo é que abrir mão desse conceito de que tudo o que é mais difícil de se conseguir é melhor! Às vezes, o destino coloca pessoas tão bacanas em nosso caminho que a ilusão de que alguém melhor aparecerá nos atrapalha na nossa entrega. Claro que já vivi ao lado de pessoas que me faziam pensar que elas não eram aquilo que eu procurava. Mas pensei muito ao abandoná-las, ou me deixar ser abandonado. Porque na vida, se não temos uma balança para mensurar o peso da dor em contraponto com os prazeres, na certa não estamos sendo justos com a gente mesmo.

Se na maioria dos seus relacionamentos você foi a 'vítima do amor' e deu uma chance pra ver o que rolava, bem vindo ao clube! É ótimo ser desejado. Mas, muitas vezes, estamos tão carentes, tão necessitados de um afeto, que damos chance a qualquer pessoa! E a cada erro bobo, pensamos logo em perdoar porque não queremos estar sozinhos. O corpo pede alguém. A alma implora por alguém. E a falta continua. Mas, como disse Fernando Aniteli na música 'Sonho', "descobrir o verdadeiro sentido das coisas é querer saber demais, querer saber demais"...

Que a minha carência não me faça aceitar qualquer pessoa que demonstra a todo momento querer apenas um único encontro.  E que o meu medo de ser sozinho não reflita nos meus atos a ponto de cobrar ou culpar por coisas passadas às pessoas que não merecem. Que as dores ensinem apenas a fazer diferente, e jamais a taxar as pessoas como iguais. Que meus olhos quando lacrimejarem possam falar por mim. Que as pessoas um dia não sejam apenas verdadeiras com o que querem, mas fiéis com o que querem, pois ninguém precisa ter alguém do lado o acompanhando por pena ou por não encontrar nada 'melhor'. Que aprendamos a amar sem medida, e a aceitar que nem sempre esse amor pode acontecer. Pois amar é deixar livre. E que possamos parar de dizer que esperaremos pelas pessoas, porque quem se interessa larga tudo. E dizer isso não é orgulho... É se amar!


(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 9 de outubro de 2011

O que me falta?

"O único silêncio que perturba é aquele que fala. E fala alto. É quando ninguém bate à nossa porta, não há e-mails na caixa de entrada, não há recados na secretária eletrônica e mesmo assim você entende a mensagem." (Martha Medeiros)



O amor tá fazendo falta! E essa falta às vezes vem em alta escala, às vezes vem de mansinho. E é constante. E bate aquela "ruindade", aquele vazio, e me pego ligando a tv... mas não é isso... mastigo alguma coisa... mas não é isso... e ligo pra alguém... mas também não é isso... e tento dormir, e tento ler, e tento escrever. Aí os pássaros lá fora me tiram a concentração. Mas talvez seja só inveja. Aí me questiono: quem disse que os pássaros cantam de alegria? Pássaros engaiolados também cantam, e encantam. E o que incomoda o ser humano é justamente isso, se ver preso. Preso a valores, preso a amores, preso à família, ao lar. Não que isso não seja bom, mas toda essa "cadeia" faz parte das crises existenciais. Por isso faz falta o amor. Essas crises se estreitam, e se alarga apenas numa única direção: a da pessoa amada.

Ah, o silêncio... Bom ele seria se consigo trouxesse respostas, e não novas perguntas, novos medos, novos desejos. Mas nada de fugir, até porque não tem jeito mesmo. E é bom que venham coisas novas, porque de velho já basta o coração...
.
.
.
.
.

Quando se gosta de verdade, qualquer defeito é a característica marcante da pessoa por quem nos apaixonamos. Não são as qualidades que nos seguram, são os defeitos e a maneira como os aceitamos. E muitas vezes eles são reflexos do que não suportamos em nós mesmos. Superar cada coisa que não nos agrada no outro é como vencer todos os dias uma nova batalha, o que nos dá orgulho em saber entender e se colocar no lugar de quem amamos. Abraçar as dores que uma pessoa carrega não é esquecer das nossas angústias, mas trocar experiências, ganhar resistência e conhecimento para as coisas que talvez iremos ou não viver. E caso um dia percamos de vez uma companhia, que fiquem os ensinamentos, são eles que nos mostram o quanto aprender valeu a pena, o quanto nos tornamos fortes, o quanto foi acrescentado em nós. Quem ama não quer mudança, porque se alguém muda por completo perde sua identidade. Quem ama não quer preencher espaços, quer economizá-los para caber sempre mais um pouquinho. Por isso chega de procurar alguém que te complete, chega de procurar uma pessoa que te faça melhor. O que queremos é alguém que nos faça transbordar!

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 2 de outubro de 2011

Saber o que se quer

“O desejo pode ferrar com a sua vida. E por mais duro que seja querer muito uma coisa, as pessoas que mais sofrem são aquelas que sequer sabem o que querem.” (Grey's Anatomy)



Interessante a frase acima. Quando se é principiante em alguma coisa, logo desconfiamos da nossa capacidade em dominar. É sim algo que queremos. Talvez não esteja escancarado em nossa consciência, mas aos poucos, e não de repente, as coisas vão se transformando, acontecendo. Quem um dia disse que pessoas experientes dominam mais as situações se enganou. Inclusive em se tratando de relacionamentos amorosos...

Todo mundo procura a pessoa perfeita. Uma pessoa que conhecemos a pouco é extremamente perfeita! Não se sabe bem o que acontece, mas às vezes um certo desconforto vai tomando conta da situação. O desejo do outro - ou nosso - começa a criar outros rumos, e tem que ser bem imaturo pra não "sentir" isso. O que quase ninguém nota é que é da natureza do ser humano contaminar o outro com os nossos ideais e as nossas fantasias. Acreditamos tanto que a pessoa escolhida é perfeita que passamos a não conhecê-la de verdade, como ela é. Ela passa a ser aquilo que desejamos. Qualidades talvez que gostaríamos de ter. E se alguma atitude (às vezes parecidas com as nossas) emerge, logo caímos o fora. Não suportamos nossos defeitos, mas também não conseguimos nos livrar de nós mesmos. Por isso, é mais prático culpar o outro por defeitos muitas vezes nossos. Mas... o que fazer?

Se permitir...

Não é um trabalho fácil abrir mão do que desejamos para obter surpresas. Não é nada fácil aceitar as pessoas e a vida como elas são. Mas acredito que é mais próximo do chão, o que faz com que o tombo seja menor. Não é pensar no pior antes das coisas acontecerem. Dá uma sensaçãozinha de medo. Tem gente que é tão fixado nessa de "vou me preparar para o pior" que não percebe que tudo o que sabe fazer é encaminhar seus relacionamentos para o abismo só para alimentar sua "vaidade" e dizer para si: Eu sabia que não daria certo. Ou seja, o caminho mais fácil para não sofrer é finalizar antes das coisas se tornem realmente sérias...

Tenho a nítida impressão de que se eu soubesse desses "teoremas" há um tempo atrás, talvez ainda estaria junto à minha primeira namorada. Ou talvez nem teria olhado pra ela. Mas, de fato, o que vale aqui é me deitar tranquilo e todas as noites saber que tentei. Tentei ser feliz, tentei fazer algumas pessoas felizes. Me calei para não magoar, enquanto ouvia sinceridades - crueldades, gosto mais desse termo; e chorei escondido algumas vezes também. O que eu não faço mais é guardar o que sinto só pra mim, morro de medo de somatizações ou algo do tipo (risos).

Chega de correr atrás das borboletas, vou cuidar do meu jardim. Mas nada de culpar as mariposas que pousaram no meu ombro, nada de guardar mágoas por pessoas que não souberam me olhar da forma que sou. Nada de esperar alguém especial chegar no próximo trem, justamente na hora que eu mais preciso, porque a vida não se baseia nisso. É preciso saber o que queremos pra depois pensar no que merecemos. E o que eu não faço é me vitimizar a ponto de culpar as próximas pessoas que virão por coisas que sofri em relacionamentos passados, cobrando coisas que não têm nada a ver com a pessoa escolhida. O que eu não quero é criar limitações para o outro logo de primeira, a ponto de não deixá-lo se mostrar por inteiro. O que eu não curto é me envolver com alguém somente pra tapar buracos, tornando-o escravo das minhas vontades e alimentando meu desespero em estar com a "pessoa certa". O que eu não admito é que eu perca a coragem e a vontade de me apaixonar, de amar perdidamente, e o mais importante, de dar um bom intervalo entre um relacionamento e outro. É tudo muito confuso tanto no início quanto no final. E quando chega o fim vejo a grande importância em entender o que se sente, o que machuca e o que realmente aconteceu. E o que eu espero é que essa parte de analisar os finais se vá, mas nunca deixe de fazer parte desse ciclo "eros-psi-orgânico" que existe no meio de nós.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 11 de setembro de 2011

Desistir

‎"Nada em mim foi covarde, nem mesmo as desistências: desistir, ainda que não pareça, foi meu grande gesto de coragem." (Caio Fernando Abreu)



Por muitas vezes me vi entrelaçado a "quases". Mas o que mais e intriga é o tal do "quase amor". A gente, quando tá fresco e inexperiente nesse lance, se entrega com muita facilidade. E as decepções vão nos fazendo criar armas e armaduras. Esse medo nos limita, nos sufoca, nos retém. Isso não é viver, é se esconder. Assim eu não quero! Acreditar que pessoas boas existem não é inocência não. Seria o mesmo que achar que a esperança causa tristeza eterna. Acreditar em pessoas legais é dar credibilidade ao mundo. E viver bem consigo mesmo...

Só porque alguém te machucou uma vez, não significa que tem que excluir totalmente de sua vida. As coisas mudam. Pessoas crescem. Enquanto as crianças criam seus traumas diante daquilo que as machucou, pessoas bem resolvidas enfrentam as coisas de cabeça erguida, exibindo o coração. E qual o problema se ele estiver ferido? Ter partido o coração é sinal que depositamos força e tentamos alguma coisa. E a única maneira de cicatrizar uma ferida é confiando...

Certas coisas não têm sentido e nem razão para acontecer. Sentimentos bons e ruins sempre vêm e vão, temos que aprender a viver. Precisamos abrir os olhos, seguir em frente, pois nada é pra sempre, e muitas vezes é melhor zerar e recomeçar. Porque um dia descobrimos, mais cedo ou mais tarde, que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais.

O defeito de muita gente é sentir saudade e não correr atrás, de amar e não admitir, de sofrer e não chorar. O medo de demostrar nossos sentimentos muitas vezes nos impede de ser feliz. A maneira mais eficaz de mudar essa rotina é dialogar. O Não já temos, vamos atrás do Sim, pois se não tentarmos nunca saberemos a resposta. Lembremos, a dor que nos machuca é a mesma que nos ensina.

Por minha vida passaram pessoas muito especiais, mas que foram capazes de me fazer permitir perder o equilíbrio, perder a cabeça, me perder. E por ironia, percebi que para continuar vivendo teria que me livrar daquilo que me dava força e, de certa forma, era a minha própria vida - ou pelo menos eu achava que era. Mas não consegui me livrar, por isso apenas desisti. Meio torto, meio bobo, meio manco, meio morto, desisti...

"Não sou ninguém importante, apenas um homem comum, com pensamentos comuns. Eu levo uma vida comum. Nenhum monumento dedicado a mim. Meu nome logo será esquecido. Mas em um aspecto, eu obtive sucesso como ninguém jamais teve. Amei alguém de coração e alma. E isso sempre foi o bastante pra mim."

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Mude, permita-se, experimente!




Por muitas vezes adiamos a felicidade, deixando de viver apaixonadamente cada momento. Por muitas vezes, deixamos grandes pessoas irem embora de nossas vidas por não acreditarmos no nosso potencial em fazê-las felizes. E nem nos tocamos que muitas vezes somos nós que afastamos a felicidade de nós mesmos. É preciso mudança. É preciso experimentar novas atitudes, já que conhecemos o resultado obtido quando agimos sempre da mesma maneira. Lembre-se: uma pérola só é pérola quando sai de dentro do seu porto seguro, da sua própria ostra...

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 4 de setembro de 2011

Uma vida confusa, quem quer, quem tem?

"Não tenho medo de morrer, tenho pena." (Chico Anysio)



Hoje uma amiga me enviou uma música da minha época de adolescência que me fez lembrar muitas coisas. Coisas boas, coisas ruins, e principalmente algumas que eu não queria lembrar. Relutei e reluto muitas vezes por algumas lembranças. Acho natural. Lembro-me quando sentia meus problemas pessoais, lutas caseiras, interferindo na minha vida social, me modelando, me lapidando, me transformando em alguém que eu nem fazia ideia de como terminaria. E por ironia, hoje digo: não terminou. Pode até ser que algumas pessoas passem a vida toda carregando uma imagem daquilo que elas acham que são, mas na verdade não são. E é com essa imagem de pessoa e ocupação no mundo que aprendemos a lidar com o próprio mundo. A partir de estudos em Psicologia, comecei a refletir sobre minha vida, sobre minhas atitudes, sobre o que me traz ansiedade e angústia, sobre o que me faz mal e me faz feliz. E acredite, faz um bem danado tentar se entender! Repito... Tentar. Quantas vezes nos vemos angustiados por não saber agir de outra forma a cada nova situação? E se olharmos bem, as situações tem lá suas margens parecidas. E as nossas respostas aos estímulos também...

Essa introdução é necessária para se chegar a uma questão: estamos feliz com aquilo que somos? Se a resposta for sim, caro leitor, digo para parar por aqui...

Não vou utilizar de teorias, inclusive psicanalíticas, para a elaboração de um texto que produza efeito terapêutico. Apenas tracemos uma rota que talvez leve nossas experiências a cruzar uma coincidência.

Dois são os caminhos que mais nos tomam nossos pensamentos e preocupações: o trabalho e o amor (isso foi tirado de sala de aula). Pois bem, é confuso pensar que ter total sucesso em ambos, simultaneamente, parece pouco provável. O trabalho... O trabalho nos dispõe de ferramentas que jamais imaginamos possuir, nos trazem a lógica, o raciocínio, a esperteza, a amplitude, o individualismo. O trabalho nos faz melhores quando é citado, mas nosso maior desafio é que ele nos faça melhor quando é produzido. Mas deixemos o trabalho de lado e falemos do que eu mais gosto... O amor! Ahh... O amor se estende a qualquer sentimento de posse sem posse, de ter em não ter, de saudade sem ao menos viver. Meu intuito acaba se voltando para as nossas respostas diante das nossas atitudes. Inicialmente, precisamos antes pensar nas perdas que temos por certos atos que cometemos. São muitas nossas demandas de queixas por causa pessoas que se afastam de nós, por não nos tratar como prioridade, de não saberem fazer nos sentir especiais. Nós, nós, nós somos as vítimas sempre. Ser vítima é cômodo, não é mesmo? Pelo menos a vítima tem o direito de chorar, de adoecer, afinal, a vítima ocupa um único lugar: o de vítima. Quantas pessoas se afastaram de nós, nos fazendo sentir sozinhos, e ao mesmo tempo fortes o bastante para não procurá-las? Quantas vezes nos vimos voltando atrás por coisas que nem sequer vemos algum valor, mas por simples medo de não ter ninguém? Na certa, algumas vezes em nossas vidas abrimos mão de quem é realmente importante para preencher esse mesmo espaço com um pouco de luz. E essa luz, muitas vezes, tem o mesmo nome: Ilusão...

Crises existenciais são necessárias para nos lembrar de coisas que relutamos. Como por exemplo, as nossas origens. Nossos cuidadores nos ensinaram a amá-los, mesmo quando eles nos magoassem muito. Mas, sinceramente, não sei o que acontece por não termos essa mesma disponibilidade para com as demais pessoas. Nossos cuidadores nos fizeram fortes quando nos empurraram críticas, medos, dores, disciplina, coragem, responsabilidades. E se nos deparamos com esse empurra-empurra vindo de terceiros, sai de baixo, afaste-se de mim! Não é assim que respondemos à vida? Disse Pe. Fábio de Melo um dia: "Diga-me quem você mais perdoou na vida, e então direi quem você mais amou." E eu completo: Diga-me quem você mais amou na vida, e então questionarei porquê você não perdoou...

Hoje concluo: não foi o amor que me fez sofrer, foi o que eu esperei dele. Acreditei muitas vezes que a felicidade viria apenas quando eu estivesse totalmente feliz. Pensei que seria amizade só quando fizessem as minhas vontades e aceitassem de mãos beijadas os meus defeitos. Jurei que seria amor quando os olhos se cruzassem e não mais quisessem se separar. E também jurei acreditar que o amor de novela existia. Até entender... que pra ser feliz, basta eu fazer algo pequeno, mas que seja escolha minha, para eu ter a oportunidade de me culpar ou glorificar. Que pra ser amizade, eu preciso de um 'amigo espelho' para me dizer o que tem de errado em mim, em minha aparência, em meu caráter, sem medo da verdade, e principalmente sem medo de discordar dele. Porque muitas vezes o outro também quer desabafar e tem lá suas crises existenciais, e é bem mais fácil jogar seus defeitos naqueles que temos afinidades ou que estão por perto. Até entender que conviver com amigos requer abrir e fechar de mãos, mas nunca soltá-las. E entender que vida de novela é fantasia, e que vida real é a minha, e é dela que eu sempre deverei cuidar. Antes que o amor acabe. Antes que o dia termine. Antes que faltem palavras. Antes que seja tarde demais...

Não tenho medo de morrer, tenho pena de morrer. Afinal, é tanta coisa que conquistei, tanto que pretendo conquistar, tanto tempo levando pra aprender, que dá uma enorme dó de abrir mão de tudo aquilo que me proporcionou pequenas e curtas felicidades, mas que foram suficientes pra me fazer sentir pena de deixar, pena de ir embora, pena de partir. Talvez esse seja o último ensinamento de nossas vidas, o de abrir mão. E talvez essa seja a resposta da dificuldade que temos em abandonar um amor que tanto nos marcou...

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Remendado

"Tinha esquecido do perigo que é colocar o seu coração nas mãos do outro e dizer: toma, faz o que quiser." (Caio Fernando Abreu)





Já chorei por pessoas desconhecidas. Fui corroído algumas vezes pelo quase amor. Segui minha intuição achando que fazia o melhor, o correto, achando que percorria o devido caminho, até perceber que se tratava da minha neurose, do meu medo, do meu passado. Fui feito carne e osso, e mesmo assim ainda procuro entender porquê tenho que querer acertar em tudo. Sei perfeitamente me desculpar e faço isso com uma grande dose de verdade. Já confundi saudade com ansiedade. Acreditei que era dor, mas era susto. Pensei ser mágoa, mas percebia um certo orgulho. Afastei a felicidade de mim várias vezes, não por hipocrisia, mas por não me achar merecedor em alguns momentos da minha vida. Sou difícil de lidar, mas fácil de ser conquistado. Sei bem onde, quando e como me encontrar nas entrelinhas. Assim como sei me perder em algumas ocasiões. Assim como sei me perder em algumas. Assim como sei me perder...

Por muitas vezes as pessoas vão querer fazer você se sentir o pior ser humano do mundo. Mas cabe apenas a você decidir se isso tem ou não tem alguma veracidade. Racionalizar alivia, nos faz seguir em frente, mas na boa, não resolve. Cristalizamos alguns sentimentos, engessamos algumas emoções, mas jamais poderemos dizer se, de fato, está tudo em plena paz. Se eu pudesse me resumir em uma única palavra no dia de hoje, essa seria 'Remendado'. Ao menos, sinto que sou o mesmo. E se me sinto diferente, logo entendo que é culpa dos atos, dos sentimentos, dos pensamentos, dos pontos de vista, das palavras... fragilizados e reconstituídos por teimosia e força de vontade por não saber entregar à derrota meus sonhos, que hoje vejo valerem tanto quanto minh'alma...
.
.
.

Às vezes, o que as pessoas precisam mesmo é de um abraço apertado, daquele que te prende, te sufoca, te protege...

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

sábado, 20 de agosto de 2011

Ter vinte e poucos anos...



Enfim, se chega aos 20 anos de idade... 21, 22, 23 e assim por diante. Isto é chamado de "crise de um quarto de vida". É quando você para de sair com a galera e começa a perceber muitas coisas sobre você que você mesmo não conhece e pode não gostar disso. 

Você pensa sobre onde vai estar daqui a um ano ou dois, mas de repente se sente inseguro porque você mal sabe onde está agora. Você começa a perceber que as pessoas são egoístas e que, talvez, aqueles amigos que você pensou que eram tão próximos não são exatamente as melhores pessoas que você encontrou em seu caminho, e pessoas que você perdeu o contato eram algumas das mais importantes. O que você não consegue perceber é que eles percebem isso também, e não estão sendo frios, grosseiros, ou falsos, mas estão tão confusos quanto você. 

Você olha para seu emprego... E não é nem perto do que você imaginava que estaria fazendo, ou talvez você esteja procurando emprego e percebendo que vai começar do zero e isso pode te assustar. 

Suas opiniões se tornaram mais fortes. Você vê o que os outros estão fazendo e se encontra julgando mais do que o usual, porque você percebe que desenvolveu certos limites na sua vida e está constantemente adicionando coisas na sua lista do que é aceitável e o que não é. 

Em um minuto, você está inseguro e no próximo, seguro. Você ri e chora com a maior força da sua vida. Você se sente sozinho, assustado e confuso, de repente, a mudança é sua maior inimiga e você tenta se agarrar ao passado com a vida boa, mas logo percebe que o passado está cada vez mais longe, e não há nada a se fazer a não ser ficar onde está ou caminhar para a frente. 

Você tem seu coração quebrado e pensa como alguém que você amava tanto pôde causar tanto estrago em você. Ou você fica deitado na cama e pensa por que você não poderia encontrar alguém decente o suficiente que você queira conhecer melhor. Ou às vezes você ama alguém e ama outro alguém também e não consegue imaginar porque você faz isso, já que você sabe que não é uma má pessoa. Ficar com alguém por uma noite ou galinhar começam a parecer ridículos. Agir como um idiota se torna patético. 

Você sente as mesmas coisas e enfrenta as mesmas questões de novo e de novo, e conversa com seus colegas sobre as mesmas coisas porque você não consegue tomar decisões. Você se preocupa sobre empréstimos, dinheiro, o futuro e construir sua própria vida... E enquanto ganhar a corrida seria maravilhoso, neste momento você gostaria apenas de participar! O que você pode não perceber é que todos que lêem isso encontram algo em comum.

Enfim, estamos em uma das melhores e piores épocas da vida, tentando o máximo que podemos para ser feliz!


(Fonte: http://www.euodeio2afeira.blogspot.com/)

sábado, 13 de agosto de 2011

Ainda falando de Relacionamento...

Vivemos em um mundo em que os acontecimentos naturais se perderam em meio a tantas coisas artificiais...




Tenho medo daquelas pessoas que começam um relacionamento já pensando no fim, já montando contratos. São pessoas que já sofreram tanto que não sabem mais esperar o melhor. Não são pessoas culpadas, são vítimas das circunstâncias. São pessoas que precisam de tempo, só que ainda não perceberam isso. E é uma árdua tarefa dizer isso a quem gostamos tanto, a quem lutamos tanto, mas que notamos claramente a falta de interesse para com a gente, a reciprocidade. É difícil abrir mão de alguém que mexe tanto com nossos sentimentos, mas às vezes é preciso. A intuição existe para ser usada, para entender o que realmente buscamos. Para mim, o verdadeiro amor possui um pouco de ódio, um pouco de dor acompanhado de angústia. Mas sempre em paz...

Conheço muitas pessoas que não conseguem ficar em um relacionamento por mais de seis meses. Fico admirado pelo motivo do término: 'grude demais'. Fico boqueaberto! Poxa, uma pessoa que manda uma SMS de Bom Dia ou Boa Noite para mim mereceria um Óscar. Em dias corridos, muito trabalho, muitos compromissos, é difícil manter a atenção fixada no telefone. Mas se você recebe uma SMS diariamente, certamente alguém te acha especial. E se você não responde... Bom, há ago de errado com você - não digo 'em' você. Aquela história de 'eu sou frio', 'eu não sou de ligar' é mentira! Quem ama corre atrás, quem gosta cuida, quem quer não arranja desculpas, quem quer ir embora vai pedir 'tempo'. É claro que existem casos e casos, mas se isso existe logo no início, vejo são sintomas de algo que não vai dar certo... Ou vai...

Quando estamos sozinhos, buscamos uma pessoa perfeita, que corresponda às nossas expectativas. Se a encontramos, logo damos um jeito de sumir. Se encontramos alguém que seja o oposto ao que procuramos, logo nos vemos em uma batalha. Queremos modelar as pessoas ao nosso jeito. Isso tá certo? Para mim não... É preciso ser um pouco mais 'desenvolvido' que os outros pra perceber quando temos ao nosso lado uma pessoa bacana. Em outras palavras, metaforicamente falando, só quem é maduro o suficiente sabe dar valor a um diamante e discerní-lo de pequenos cacos de vidro...


(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

E de repente... Relacionamento!

"Lá vem, lá vem, lá vem de novo. Acho que estou gostando de alguém. E é de ti que não me esquecerei..." (Legião Urbana - Giz)



Ultimamente ando parecendo disco velho, arranhado, tocando o mesmo trecho, a mesma música. Relacionamentos tornaram-se jogos. Verdade! Começarei a me explicar com uma palavra mágica: CONFIANÇA. Algo que vem e vai embora fácil, ao meu ver. O que queríamos é ser bem sucedidos em tudo na vida, mas parece que o 'exceto nos relacionamentos' tirou de cena tudo aquilo que estava em minha mente para continuar escrevendo aqui. Não é pessimismo meu, nem seu. São singelas formas de nos machucar menos, criando uma típica zona de conforto que às vezes se parece mais com o muro de Berlim...

Relacionamentos tornam-se jogos quando não nos entregamos por inteiro, por mera desconfiança da reciprocidade. Confiar na lealdade, na fidelidade e até na idade! Tornam-se jogos quando não acreditamos na probabilidade do outro nos amar mais do que nós mesmos. Que feio! É como se duvidássemos da capacidade do outro de amar. Como se só a gente soubesse amar. Muitas vezes, a vontade de ligar no dia seguinte é sufocada pelas experiências passadas. A vontade de procurar é mensurada pelas malditas vezes que não nos procuraram. A atenção oferecida é ligeiramente abandonada só porque ainda não deram sinal de vida pra gente. O que nos mostra que sempre quando achamos que aprendemos com algo, na verdade estamos reproduzindo a dor da dor. Isso não é aprender, é sofrer novamente. É comum a nós mortais encontrar razões até meio ilógicas para o desaparecimento da pessoa que estamos "afim". 'Deve estar sem créditos'. 'Pode estar ocupado'. 'Na certa, vai deixar pra fazer uma surpresa'. Alguém da família morreu'... Racionalizamos os conflitos internos ou desviamos o pensamento; é bem mais fácil lidar com as coisas assim. Porventura, irônico é não saber quando estamos sendo 'amados' também...

Um meio de entrar num bom relacionamento... Um meio, um meio, um meio... Existe? Um meio eu não sei, mas talvez um momento. Talvez quando estiver em paz, talvez quando se cansar e desistir, talvez. Seria um sonho se tivéssemos a certeza de que tudo o que passamos valerá a pena um dia, inclusive no amor. Mas o que vale a pena mesmo é acreditar, só pra gente mesmo, que o amor existe, a pessoa perfeita existe, só pra no final percebermos que tínhamos plena razão. Não precisar contar que acreditamos nisso pra ninguém. Acreditar lá no fundo que a sorte vem, O Dia vem, e que tudo aquilo que sonhamos está bem próximo de ser real. E está.

Verdade sobre mim: me prontifiquei a ser eu. Deixei de esconder palavras que dizem respeito ao que sinto, principalmente em relação às pessoas. Ligo no dia seguinte, dou bom dia, boa noite, olá. Com certeza não sou eu quem perco com isso. O bom de tudo é sentir que se houveram possibilidades para chegar onde queríamos, elas foram usadas. Dó de quem não soube valorizar. E se algumas pessoas se afastarem da sua vida, não fique triste. Pode ser apenas a resposta da oração: LIVRAI-NOS DE TODO MAL... AMÉM!

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)