segunda-feira, 22 de julho de 2013

Sinais



A vida lhe mostrará, por diversas vezes, o quanto ela é breve. Por algum tempo, muitos eventos se apagarão das suas doces lembranças da infância, mas que virão à tona toda vez que encontrar pessoas que souberam guardar as coisas mais simples como as mais grandiosas nesse espaço chamado memória. Elas te ensinarão, outra vez, a dar valor ao que o passado lhe proporcionou, e não somente às marcas rudes que insistiram em ficar. Você perceberá que já não é mais uma criança, mas ainda está longe de ser o adulto que pensou que se tornaria. De toda forma, saberá encantar com seu jeito único, mesmo que queiram te dizer o contrário. E independente daquilo que você alcance, saberá cuidar muito bem de tudo o que for destinado a você, entendendo que nenhuma profissão deverá se tornar a sua definição como pessoa, mas sim aquilo que você faz. Você sentirá um aperto no peito toda vez que fizer coisas que não gosta, mas verá que são apenas atos protetivos, já que muitas vezes sentir raiva é bem melhor do que sentir falta. Você também chorará por não ter ninguém, mas agradecerá por dias e dias a esses momentos só com você mesmo, quando olhar pra trás e ver tudo aquilo que conquistou por mérito seu. Você viverá tempos de muitos amigos e outros com bem pouquinhos, e só restarão aqueles que souberam te perdoar e te ver com todas as suas incertezas, impurezas e imperfeições. Você se apaixonará muitas vezes, mas em uma dessas o amor será avassalador, fazendo-o dizer 'nunca mais'. Demorará muito tempo até você encontrar o beijo, o abraço e o cheiro que foram feitos para você. Nesse grande intervalo você desacreditará em tanta coisa que dirá com toda sua convicção que 'nunca mais'. Até que aparecerá alguém na sua vida que derrubará essas palavras, fazendo-o esquecer o 'para sempre' e, maravilhosamente, acreditar  no 'enquanto durar'. A cada esquina, um novo sinal te mostrando para onde deverá seguir. Basta estar atendo - e se não for pedir muito, sem deixar de amar aos outros e a ti mesmo.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

terça-feira, 16 de julho de 2013

Do que eu gosto?



Gosto do que é feito de levezas, do lado bom das pessoas, de tudo aquilo que me resgata da masmorra onde não existem sonhos ou planos. A porta está sempre aberta para quem acredita que dividir a própria história a deixa cada vez mais bonita, e para além disso, mais nossa. Você sempre terá meu melhor lado, mesmo que me desaponte algum dia. Porque se o seu nome for Bagunça, o meu sempre será Recomeço.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 7 de julho de 2013

Surpresas



Que sejamos surpreendidos pela vida com situações que toda vez que vierem à mente, sejam capazes de nos fazer sorrir.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quinta-feira, 20 de junho de 2013

(DES)limitar-se



Chega o fim do dia e você percebe que só agora se lembrou daquilo que resolveu deixar no passado. Aos poucos criamos asas e ousamos voos mais distantes. O amor deixou de ser um fardo e quase se esbarra naquilo que você quer outra vez para a vida, com muito mais Eu. Você entende que aquilo que te sufocava já não faz tanta falta, e pela primeira vez você se vê melhor. Sobra espaço para preencher a bagagem e isso te torna uma pessoa de leveza admirável. Você começa a achar patéticas as coisas que fez para reter pessoas e coisas que só eram suas porque você tinha algo a oferecê-las. Você aprende a rir dos motivos pelos quais se apaixonaram por você e os começa a contabilizar, chegando à terrível conclusão de que ninguém te amou por aquilo que você era, mas pelo que você proporcionava, pelo que você fazia, porque você não incomodava, porque você transparecia ser alguém infinitamente bonzinho - para os outros. E o sentimento desesperador de não ser amado como gostaria dá espaço à sua forma de exigir o amor. Suas escolhas tornam-se favoráveis a você, e instintivamente aprende a querer, de agora em diante, o seu bem e a sua felicidade. O tempo se torna seu aliado, assim como as ameaças que a vida lhe proporcionou. Os passos dados em falso viram passos de dança para uma nova coreografia, um novo momento, numa era de revoluções. O destino já não possui o total domínio. Você está mais maduro, mais certo do que quer para si. Tudo aquilo que você fez repetidas vezes ganham novos sentidos, e você aposta em um novo caminho. A palavra arriscar já não soa como algo que envolva perdas, mas como uma forma de aprender a vir-a-ser. E aquele sujeito limitado deixa de te prender às rotinas que em nada lhe acrescentam. A saudade já não dói, porque você finalmente descobriu que saudade é um preço que se paga pelos melhores momentos. E dormir não é mais um ato de descanso, mas um gesto de paz.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Mera opinião

O sujeito reproduz todos os mimimi's sobre copa, política e protestos. Mas finge estar dormindo para não dar lugar a uma gestante ou a um idoso; recebe troco a mais e não devolve; fura filas; mente e briga com a operadora de celular ou internet ou tv para se beneficiar; inventa histórias sobre outras pessoas alegando que "ficou sabendo de fontes seguras"; participa de campanhas como se quisesse afirmar "eu não faço isso" mas faz; trai o parceiro e condena a traição em encontros de casais; diz não ter preconceito, mas a qualquer oportunidade refere-se a alguém (para alguém de confiança) como "puta", "viado", "preto" ou "pobre"; adora dizer que todo político é corrupto, mas não se lembra em quem votou nas últimas eleições; utiliza do direito de expressão para dizer coisas sem saber quase nada daquilo que se diz; come escondido e alega não saber porquê engordou; não ajuda nem a própria mãe/pai/cônjuge nos afazeres de casa; deixa o lixo em dias que a coleta não vem, e foda-se os vizinhos com o mal cheiro; responsabiliza as mudanças do nosso país àqueles que "ganham para isso"; desconta suas iras diárias em quem ama; é sempre vítima do mundo, dos outros, das circunstâncias, do destino, do governo, do parceiro, da inveja, do mau olhado, da mandinga e do satanás, porque é mais conveniente colocar a culpa em algo do que abandonar essa atitude passiva, de quem apenas lê os jornais (isso quando lê) e que "ainda bem que está longe de mim". O problema maior não está naquele que pratica o mal, mas naquele que vê o mal acontecer e ignora. E o pior, consegue não ter nem uma gota de compaixão para com aqueles que lutam por seus direitos, custe o que custar, zombando do povo e não se reconhecendo como parte do povo. Eu não sou santo. Mas pelo menos não finjo que estou excessivamente comovido só para ter algum assunto que me coloque em lugar de destaque (reconhecimento), ou em lugar de "informado". Embora sozinhos a gente não consiga mudar o país, sozinhos podemos tentar cuidar do ambiente em que vivemos. Pensando antes de falar ou fazer. Se colocando no lugar do outro. Discutindo ideias. Respeitando. Perdoando. Errando, mesmo sem a intenção. Pedindo desculpas. E tentando outra vez.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Passos



A regra é se colorir todos os dias e levar na memória aquilo que nos trouxe as melhores sensações. Mesmo que o inesperado bagunce a nossa listinha de planejamentos e mesmo que o vento derrube os nossos sonhos mais profundos. Não precisamos culpar o destino, nem inventar histórias banais pelos temporais que vêm sem avisar e nos levam as coisas de grande importância. É preciso continuar com a lembrança viva da nossa origem, da nossa história, das nossas batalhas, mas sempre sem nos agarrar à elas. Valentia mesmo é parar de justificar o presente com o que passou, abrindo possibilidades, reinventando coreografias e quebrando limitações. Porque se a música toca, e a gente se toca que as danças nos exigem passos, não uma explicação.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

terça-feira, 4 de junho de 2013

Bom dia, dia bom



Embora eu seja um adorador dos finais de semana, férias e feriados, ainda é terça-feira, mas eu acordei com a sensação de que algo muito bom (e que desejo tanto) está prestes a acontecer. Ao sair de casa, dei um beijo na mãe. Dei tchau ao meu irmão. Dei bom dia a uma vizinha, bom dia ao motorista e bom dia ao trocador. No ônibus, uma colega de sala sentou ao meu lado, conversamos pouco, mas ela é daquele tipo de pessoa bacana que você fica à vontade até quando está em silêncio. Cheguei no trabalho assoviando, tomei um café quentinho e saboreei um pão de sal estranho, mas que tava bom pra caramba! Sentei na minha mesa, concentrei nas tarefas e consegui adiantar muita coisa. Um rapaz veio receber da empresa mas não tinha troco, então eu me virei para ajudá-lo a "não perder a viagem". Na hora do almoço auxiliei a uma senhora atravessar a rua, fui ao banco, paguei uma conta atrasada (quem nunca? rsrs), voltei e sentei na frente do computador. Pros leitores, eu posso não ter vivido nenhuma emoção fora da rotina. Pode ser um texto estranho, assim como meu pão de sal. Mas escrevo saboreando meu dia. O simples fato de ter a sensação de que algo bom vai acontecer está fazendo meu dia valer a pena. E sensação a gente tem porque a gente espera - e cria. E faz a vida ser boa. Não fiz nada de extraordinário e talvez tenha feito muito pouco em relação ao bem comum. Mas se à meia noite eu ler sobre esse dia pacato, eu vou saber que tudo foi resposta dos meus atos. Interessante porque quase no final desse texto surgiu uma "amolaçãozinha", mas que já foi resolvida. Reli o que escrevi, fiz as correções ortográficas, sorri e pensei: Nada de ser vítima dos acontecimentos. Nada de ser alvo das críticas do mundo. E nada de me limitar diante da submissão do que os outros vão pensar. Estar bem comigo mesmo, sabendo que não usei da má fé pra atingir algum status ou objetivo, isso é o que importa. Como li num post de um amigo - e adorei! - o resto... é treta.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

terça-feira, 28 de maio de 2013

Erros



Todo mundo já errou feio com quem ama. A diferença está em arcar com as consequências ou passar tempos driblando-as para sair 'por cima'. Isso pra mim é mais que falta de caráter - do ponto de vista moral-, é não saber lidar com os próprios defeitos, empurrando-os àqueles que talvez não tenham vontade ou habilidade suficientes para por à prova os nossos erros. O que aprendi com as minhas falhas foi a entender que, queira eu ou não, deverei enfrentar a solidão e a dor de perder a confiança de quem amo. E terei de sobreviver sem tudo aquilo que antes era cômodo e feliz. E terei de aprender a lidar com a saudade e com a culpa, trabalhando arduamente para tentar consertar inclusive os corações que quebrei. Hoje eu posso ver que o tempo é um grande aliado, já que é com o tempo que a poeira abaixa e as coisas começam a ganhar uma menor, e talvez até melhor, importância. O que a vida me mostrou foi a saber sentir a mais profunda dor de perder quem eu amo, mas como recompensa pude conhecer novos lugares, pessoas e sentimentos. Por um lado existe o arrependimento, e imagino que se eu voltasse no tempo, eu agiria diferente sim. Mas não me culpo tanto, uma vez que a verdade sempre dependerá de um ponto de vista. Tenho pena de ter trocado tanta coisa na vida, mas ao mesmo tempo não trocaria meu agora pelo ontem. Por isso, os erros que cometi eu decidi chamá-los de algo mais suave - porém com o peso exato de responsabilidade: Experiência.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Cuide bem



Vai chegar a hora de entender o porquê de tantos desencontros nos nossos encontros, os motivos por cada momento que escorreu entre os nossos dedos, as lágrimas derramadas diante de cada abrir e fechar de mãos, os apertos que ficaram no peito ao simples fato de lembrarmos de alguém, num gesto gentil de adeus. Vai chegar o dia em que os pedidos mais íntimos se tornarão agradecimento, e o coração quase que explodirá de tanta felicidade, e as manhãs de segundas-feiras ganharão um tom azul-anil capaz de nos despertar para o amor e para a vontade de fazer florir. Chegará o momento em que os relacionamentos mal sucedidos terão a forma de um pássaro branco que, voando ao longe, derramará bênçãos à nossa nova história, e que por final das contas seremos capazes de os perdoar, e de nos perdoar também. E toda vez que julgarmos não merecedores de tanta graça, este será o tempo de entregar ao Divino tudo o que Dele veio, e então prometeremos jamais deixar tamanha alegria se perder dentre as desavenças dos caminhos. Chegará a hora em que a troca será o principal motivo para os corações baterem juntos, sem pressa, sem medo, sem se preocuparem em ser aquilo que não se são, e, finalmente, ambos saberão ouvir e viver o que a alma sempre insistiu em dizer: cuide bem do que é seu.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

terça-feira, 21 de maio de 2013

Calmaria



De todas as minhas habilidades, que eu nunca perca aquela que me possibilita acalmar meu coração. Que eu continue acreditando em dias melhores, em pessoas melhores, em momentos melhores. Que eu mantenha minha fé sempre de pé, mesmo que muitas vezes eu pense em desistir. Que os livros continuem me encantando e que eu aceite que minha história não será como nenhum deles - mas que seja bem melhor. Que eu não perca a vontade de me tornar alguém rico em atitudes positivas, principalmente para comigo mesmo. Que o amor e o respeito que tenho por mim continuem me guiando para o lado de pessoas boas, e me afastando de outras não tão boas assim. E que apesar da rotina pesada me tornar alguém cansado, que eu nunca me canse de começar um novo dia, uma nova semana ou um novo ano, com a alma também renovada. Que o amor sempre me aconteça, e que eu aprenda a discerni-lo das paixões avassaladoras que insistem em surgir no meu caminho. Que eu saiba lidar com a expectativa, e que eu a perca de vez em quando também. Que a calma me faça ver melhor os olhares que me querem bem. E que a pressa por ser feliz se transforme em sorrisos, assim como a velha mania de levar a vida tão a sério. Que eu mantenha o equilíbrio sempre que usar o poder da oração. E que os anjos digam Amém.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Mais uma vez, Amor



Me pego outra vez sem você, embora eu te tenha em pensamento quase que nas minhas 19 horas diárias, acordado. Fico pensando no seu sumiço e já não estranho tanto. Apenas sinto: sua falta e por nós. Pelos meus planos que a realidade insiste em me dizer que nunca foram seus. Ou foram, mas seu medo de amar te deixou um pouco frígida. Eu mudaria por você se houvesse um único momento, sabe... Mas seu jeito distante me afirma, de alguma forma, que não posso mais insistir. Eu sei que se você me chamasse eu iria correndo mas, às vezes, pra não dizer sempre, duvido que você faria o mesmo por mim. Foi quando eu me percebi na tentativa de te dar o que não tenho é que entendi o amor. E foi quando eu deixei de te fazer o que eu gostaria que fizesse por mim e passei a ver você que eu aprendi a te amar. Com suas imperfeições e inquietações. Estou me acostumando a te ver passar sem aqueles olhos nos olhos. E também tenho aprendido a suportar a falta que você me faz. Acho que amar é isso, insistir até não ter mais jeito. Se foi pra gostar, eu gastei e gostei tudo o que tinha. Mas agora é hora de dar uma volta, uma arejada talvez. Minhas lutas diárias têm me ensinado tanta coisa... Uma delas é que o amor não é um jogo. Mas quando se torna, acho que sei perder.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Nossa história



Tenho pensado tanto em você que já não consigo passar um dia sequer sem escrever alguma coisa relacionada à nossa linda e breve história. Talvez eu sinta a sua falta, inclusive porque entre tudo o que eu poderia ter sido para você, eu escolhi ser saudade. Talvez, de vez em quando, surja uma revoltazinha por sentir o vento passando entre meus dedos, onde na verdade deveria existir o toque das suas mãos. Talvez o peito aperte, e eu acredite que você poderá voltar, e também duvide que você poderá voltar. Então eu choro discretamente, de uma forma nem Deus possa perceber. Talvez os anos passem, a dor diminua um pouquinho, os sonhos mudem de direção, você perca o meu foco e passe a fazer parte da minha memória mais bonita. Eu deposito todo sentimento que entristece em um emaranhado de papéis amarelados, e aposto mais e mais e mais na fé. Eu anseio pelo futuro, porque é a forma mais atraente que encontrei de me doer menos e me doar mais. Aí me resta sonhar. E seguir. Um dia eu passarei pela graduação, me tornarei um profissional conhecido e bem qualificado, conseguirei amar de novo, tão quanto intensamente, constituirei uma família, conquistarei meu apartamento, também uma casinha na roça, meu carrinho, um cãozinho, um gatinho e um papagaio de estimação. E quando eu estiver bem velhinho, de cabelos brancos, já sentindo as dores fisiológicas do tempo - porque as psicológicas andam comigo desde o dia em que nasci -, eu vou me deitar numa rede e verei a chuva cair de fininho, e terei vontade de esquecer do mundo e me entregar ao meu silêncio, e lembrarei de tudo aquilo conquistei, e me sentirei, mais uma vez, um pouco feliz. E o sol aparecerá, e meus netos chegarão na varanda correndo, e gritarão bem alto: '- olha vovô, sol e chuva, casamento de viúva!' Talvez eu me lembre de você nesse momento, porque será a mesma frase que dissemos juntos da última vez que nos olhamos, sem falar de como corremos pra encontrar um pedaço de madeira primeiro que o outro, para que nenhum dos dois tirasse nossa "sorte". Talvez bata uma vontade de voltar no tempo, de ter insistido mais, lutado mais, me aberto mais, e fizesse mais que tudo para que tivéssemos construído tudo isso juntos, mesmo que um ou outro se perdesse no caminho. Talvez eu me arrependa de não ter feito o impossível para te ter para sempre, até o último dia de minha vida, comigo. Ou talvez essa não seja a minha história, e sim a sua.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Para uma amiga especial em um dia triste




Eu senti um anjo. Não vi, nem ouvi, mas senti. E aprendi que o sentir tem muito a ver com o entender... Eu entendi que hoje é um dia triste, daqueles que tudo o que eu mais quero é chorar. E choro, lendo a mensagem mais boba de alguém que gosta de mim, se preocupa comigo, torce por mim e quer meu melhor. Mas às vezes é pouco, sabe? Tem dias que os desapontamentos batem na porta feito cobradores de impostos. Escondem o sol. Encurtam as esperanças. Apertam o peito. Tem vezes que fugir prum novo cantinho parece ser a melhor saída. E é a melhor saída, porque só eu sei o que se passa, e de verdade, eu não suporto mais. Então tenho sentido, através desse anjo, que suportar é diferente de aguentar. O que a gente não suporta, a gente se afasta. O que a gente não aguenta, a gente pede ajuda. Suportar tem a ver com as levezas escuras que incomodam. Suportar é um ato solitário, por isso eu sei que o melhor a fazer é usar mais um pouco das minhas curtas tolerância e paciência. Aguentar tem a ver com os pesos nos ombros. Portanto, aquilo que a gente não aguenta a gente pede ajuda. Eu pedi, mas esse ato solitário tem me deixado um pouco perdida. É uma mistura de carência e excesso de atenção, sabe? Eu gostaria, um dia, de colocar num livro tudo o que eu já enfrentei, e aí me vem uma luz: o livro da minha história, por mais cheia de lutas que tem sido, é um livro em que eu consigo carregar. É um livro que eu sei de cor. Um pouco rabiscado, com páginas arrancadas, e outras tantas que deixei pra depois. Em branco. Acho que é isso, é hora de preencher minhas páginas em branco. É hora de dar continuidade na MINHA história. É hora de colocar nela um castelo e um príncipe encantado. É hora de dar uma festa, de decorar o salão, de escolher o vestido mais bonito, de cuidar dos cabelos, de me amar um pouco mais. Que o mundo saiba que se eu fiquei nunca foi por comodismo, mas porque eu me preocupo demais com aqueles que amo. E se eu sentia que hoje o dia estava triste, o anjo só apareceu pra me lembrar que chorar é viver. Cicatrizar é viver. Seguir em frente é viver. Eu queria muito começar a fazer minha mudança e ir embora pro meu cantinho. Até que a menina que mora dentro de uma mulher me lembrou das histórias de infância, dos contos de fadas. Eu sinto que esse anjo talvez seja essa menina... Boa noite, vou indo nessa, paro por aqui, porque tenho pressa, já que comecei a mais importante mudança: dentro de mim.


(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

sábado, 4 de maio de 2013

Domingo



Domingo é dia de acordar tarde, degustar o café olhando pela janela, ouvir música alta, tomar de banho de sol. É dia de almoçar fora, ficar com quem a gente gosta, trazer parentes e amigos pra perto. Domingo é dia de ficar de pijama, de ver filme, de comer brigadeiro e pipoca, de deixar o corpo relaxar. Dia de ajeitar as coisas pra segunda-feira, dia de despedir do final de semana. E dia de rezar pra semana ser de paz. Domingo pra mim tem cheiro de jardim florido. Tem cara de paraíso. Tem dedo de Deus.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Propósitos



Nem sempre as coisas saem como planejamos, nem sempre os dias são como esperamos, e por diversas vezes o destino nos trai. É que eu sei que pensar demais me deixou assim, exigente. E me entregar demais me deixou assim, um pouco frio. Juro que tenho me esforçado para ser mais humano e me machucar menos com essa tal de expectativa, mas cá pra nós, é uma delícia esperar atitudes e acontecimentos bonitos, e que no fim acabam não saindo da nossa imaginação. Embora muito do que anseio pareça estar distante, eu sei que essa demora tem o propósito de me tornar alguém melhor. E também a pretensão de me deixar mais humilde, para que lá na frente eu saiba estar verdadeiramente agradecido. Gosto de pensar assim, nos propósitos que a vida deve ter. Eu posso ter me doído diante dos passatempos e imprevistos, ter chorado diante das perdas, ter silenciado diante das asperezas, e até oferecido o coração para alguém pisar. Mas a vida me ensinou que não importa o que me fizeram, mas sim onde eu posso chegar mesmo com a minha história, um pouco pesada, mas ainda sim a MINHA história. E por depositar tanta fé e esperança nos meus dias, ainda mantenho firme a minha capacidade de confiar de novo, acreditar de novo, amar de novo.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Reenconto



Uma hora o amor vem, e com ele a velha mania de encontrar beleza onde não existe. E depois de me embaraçar em outras aventuras, me pego perguntando, em silêncio, até quando irá durar essas lentes que insistem em me fazer ver tudo bonitinho. Ainda não sei se são suspiros por alguém no presente, ou se são suspiros de cansaço. Uma estrada longa, que me levou pro céu, me fez pensar que tinha asas, até o tombo belo e desatino. Recuperei-me, e confesso, com um pouco de medo de amar de novo. E por mais que eu pense no amor quase que durante todo o meu dia, ainda assim tenho minhas resistências. Ser sozinho tem suas regalias, e uma delas é poder partir. Inclusive a cara. Ou talvez seja por isso que as pessoas partem (corações), por não gostarem de amarras.

Eu procurei você nos textos mais bem escritos, e achei que havia encontrado. Li um pouco da sua história por entre suas repetidas palavras. Me surpreendi com sua saberia e sua habilidade incrível em desenhar olhos. Um dia, escondido por entre desconhecidos, fiquei observando seu cuidado ao traçar uma pupila na carteira da escola. Esperei você ir embora, sentei-me no seu lugar e, com tanto esmero, completei teu desenho com uma lágrima. Tive a sensação de que você um dia veria, e talvez pudesse olhar em sua volta, e perceber que além dos que te conhecem existe um, que te ama. Depois de tantas tentativas, fui em busca do convencional, comprei pra você cartão e flores, tulipas, as que você mais adora. E meio que por desavença ou peça do destino, reencontrei um ex-amor, me perguntando pra quem era o presente. - Minha mãe! - sorri -, meu coração voltou a bater forte, besta, bobo, desenfreado, como se tudo o que ele precisasse era de uma proximidade daquele calor, uma temperatura que ele reconhecia o reconfortante trabalhar de sentimentos nobres. Foi aí que tudo (re)aconteceu. E o que eu não procurava, (re)encontrei.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Hoje é só mais um dia



Às vezes o peito aperta, e uma voz que mora dentro da gente nos entristece um pouquinho. Ela diz a verdade, e isso chega a ser bem cruel. Hoje lamento e sinto que é só mais um dia em que as expectativas são bem melhores que a realidade. Um dia, em que prefiro sentar-me à beira de uma calçada qualquer, onde muitas pessoas passam, quase ninguém me olha, e  poucos ficam. Hoje é só mais um dia, em que não quero pensar em nada, só deixar a vida acontecer em algum ponto da cidade. Onde há mais desconhecidos e velhos aposentados do que qualquer sentimento de que a vida é sempre bela. Mais um dia, em que sei que por desavença ou triste destino, perdi pessoas por erros estúpidos e, principalmente, pela estupidez que a morte traz. Hoje é só mais um dia em que me vejo caminhando sem rumo, com a esperança de me esbarrar em alguém com tamanha carência que a minha, para que haja a oportunidade de um amor à primeira vista - embora eu tenha total certeza de que esses desejos que a gente tem, afastam qualquer possibilidade de realização. E mais uma vez a expectativa vence o real e o imaginário. Hoje é dia das coisas inatingíveis, dos sonhos frustrados, dos amores perdidos, da distância dos beijos roubados. Dia também de alimentar o velho e delicioso clichê de se ter saudades de memórias do que nunca se concretizou, e de dizer não a essa vontade imensa de ter pelo que agradecer (porque queria agradecer pelo novo, pelo diferente, pelo que me foge dessa absurda rotina). Hoje eu amanheci pedindo perdão a Deus por não sê-Lo grato por uma vida em quase que pleno equilíbrio, equilíbrio este voltado para todos que amo. Equilíbrio aparente, é claro. Por hoje eu decidi caminhar mais egoísta, e pensar somente em mim, e me esquecer subitamente também. Hoje é dia de me desamar, e não entender porque o pouco insiste em repousar em minhas mãos. Dia de mandar o destino ir catar coquinho, dia de querer gritar pro mundo que sou eu quem manda aqui, nessa minha paradeza, nessa minha vidinha, nesse meu sozinho, nesse meu fim. Uma carta de lamento carrega consigo não só tristezas, mas para além delas a Esperança. De dias melhores. De novidades positivas. De não saber o que pedir com medo de não saberem me interpretar. De nadas, pelo fato da insuficiência de palavras perto do que sinto. Hoje é dia da vontade de que tudo mudasse... pra melhor.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Faíscas



Engraçado como é o amor que a gente sente: por detrás dele há mais do que um simples querer por perto. Há ânsias, sonhos, presentes, presença, vontade de fazer feliz, desejo de completude. Mas que, às vezes, por infeliz ironia, a realidade pousa nos nossos ombros e começamos a perder as lentes dos óculos que antes só viam beleza. Se o amor perdura, e se os defeitos também são apaixonantes, aí sim se fortalece um afeto verdadeiro. Mas se o silêncio insiste em gritar, se a distância aumenta mesmo a poucos passos um do outro, o amor vai se desfazendo em migalhas, até virar pó. Dá muita pena ver um sentimento tão bonito se transformar em uma saudade que insiste nas fotografias. Mas a gente se auto engana, que é pra essa magia boba não passar. Um dia aprendi que ódio é apenas mais uma modalidade do amor... Confesso, ainda restam faíscas de tudo o que vivemos, mas não vou parar o meu caminho por isso. Então vou seguindo, com um rancorzinho bobo, implicado com você, que é pra não acabar tudo de vez.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 7 de abril de 2013

Moradia



Meu coração sempre tem espaços pra mais: mais amor, mais verdade, mais pureza, mais leveza, mais gente nova, mais perdão, mais esquecimento, mais dinheiro no bolso, mais momentos com os amigos, mais abraços, mais sorrisos, mais mensagens no celular, mais palavras bonitas, mais poemas, mais bebidas, mais domingos de sol, mais feriados, mais tempo livre, mais disposição, mais sorte, mais fé, mais saúde, mais conteúdo. E nele, há uma portinha dos fundos que sempre despacha aquilo que é ruim, triste e empoeirado: amizade falsa, mentira, inveja, mau agouro, interesse, gente mal agradecida, mágoa, pesos desnecessários. Fiz do peito moradia, por isso vou logo avisando que aqui só tem espaço pra quem merece e faz por onde, não pra quem quer.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Intervalo



Houve um tempo em que eu amava a todos, mesmo sendo deixado de lado, mesmo sendo enganado, mesmo que me fizessem doer. Eu era mestre, um grande mestre em perdoar. Eu me entregava sem limites, mesmo que o caminho se estreitasse, mesmo que me dessem de bandeja um áspero Não. E nem me importava com as consequências, porque naquele tempo o barato da vida era ela me custar bem caro. Até que a gente se cansa. Cansa não, se esgota. Falta ânimo pra qualquer coisa que me tire o conforto de ser eu mesmo. E como disse Caio, o tempo vai passando e a gente vai encontrando formas de se proteger. Mas uma coisa que não perdi foi essa mania de me entregar, de confiar, de gostar muito, logo de cara, de alguém. Até surgir - sempre com o desejo de que nunca aconteça -, uma atitude que vá contra meus valores. Aí eu já fico com o pé atrás, e não sei nem por onde começar uma reaproximação - isso se houver. Não sou de carregar pesos desnecessários. Mágoa pra mim não tem vez. Não tenho rancor de ninguém, e olha que até poderia vir a ter, já que não sou santo. Mas sou exigente. E uma coisa que acredito é que as pessoas deveriam preservar o mínimo de educação que nem é favor a oferecer, é obrigação. Muita gente nem sabe, mas tem me perdido um pouquinho por dia. E posso até voltar, mas não sei fazer as coisas voltarem a ser como antes. Isso é cara de pau, fingir que nada aconteceu. Por isso prefiro seguir cultivando o que traz paz pro peito, pros dias, pra vida. Sou sistemático sim, mas meu sistema é para além do entendimento: pisou em alguém, mesmo que seja pra me proteger, já mostrou um pouco do seu caráter. E gente assim é melhor só ver de longe. Porque no intervalo entre meu 'oi' e meu 'tchau' só cabem os melhores, os bons e os especiais.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

sexta-feira, 29 de março de 2013

Medos




Do medo, que possamos tirar proveito daquilo que ele nos ensina. Que saibamos valorizar o 'de agora pra frente', e que os ontens sirvam apenas de lição. Que nada nos impeça de ver a luz do dia, e que as dores, o desamparo e o desespero se amenizem a cada nascer do sol. Que tenhamos força para ir além do 'espiar pela janela', que o arrependimento não nos sirva de pedras nos ombros, e que as vontades não realizadas nos ofereçam novos projetos a serem criados. Porque a vida, por muitas vezes não sendo como gostaríamos, não para pra gente se lamentar. Que valha a pena, todo santo dia, ter saudades, mas que jamais nos anulemos ou percamos a vontade de seguir em frente. E que a resposta pras coisas continuem a chegar de mansinho, porque eu sei que nada é por acaso. Aprendi que é sempre importante manter os pés no chão, e por mais que a razão nos mostre o caminho, tenho entendido que é com o coração que devemos pensar. Sempre.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 17 de março de 2013

Quando se ama

Se você ama, você mente, finge, corre, esconde, machuca, magoa, pisa, se arrasta, ignora, joga fora, dá pontapés, inventa histórias, chama de nome feio, ri da cara, faz pirraça, perde, sofre, diz que vai esquecer... Mas não esquece. Cresce. Aprende a tratar como essencial o que antes não lhe fazia falta, não lhe cabia em suas ambições, não pretendia se matar para dar cuidados. Quem ama erra, erra... feio. Quem ama, muitas vezes não merece o perdão, e não o dá. Mas perdoa assim mesmo. Quem ama joga na cara as burradas que o outro fez. Vigia. Perde a confiança. Aprende a ser ambivalente, a estar junto e querer estar bem longe. Mas, acima de tudo e de todos, a precisar. Não banalizo os amores assim, nem os julgo. Os entendo. Compreendo. Sinto compaixão, não pena, e ofereço ombro, doo palavras bobas, ouço com atenção como se fosse uma prece. Quem tá de fora nunca sabe o que é amar-ferindo alguém. Nem eu (ainda bem?). Mas se me dizem é porque existe. E afasto de mim as teorias. Muitas vezes, o querem de nós não é um caminho, uma luz, uma solução. Querem mesmo é nos mostrar que onde há persistência não significa que falte forças para sair. Ao contrário: trata-se de guerreiros da vida, pois restam-lhes forças para ficar.
 
(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Esperas

Havia uma vontade que escorria por entre os dedos feito água, em derramar alegria por onde passava. Não cabia nada mais que levezas em suas peças de roupa, o que combinava perfeitamente com sua alma. Era chegada a hora de dar início à verdadeira vida, aquela provinda de grandes mudanças. Nada repentino, tudo calculado, como mandava o figurino. A organização também sempre fora uma forma de proporc...ionar calmarias. Tudo se encaixava, feito quebra-cabeças, e tudo transpirava maravilhas. O dia de abandonar medos bobos e dar adeus aos ontens que não serviam para contar uma história bonita. O dia de abrir portas, uma atrás da outra, feito criança abrindo presentes no seu aniversário. O dia em que tudo aquilo que sempre quisera estava bem na sua frente, inclusive Deus, que sorria-lhe com saúde e aconchego de mãe. Era chegada a hora das coisas darem certo, de um jeito que a razão por ainda estar vivo tornava-se mais clara. O Quem Sou Eu e o Pra Que Eu Existo estavam postos sobre a mesa, e agora faziam todo o sentido. Quase que a mesma coisa, mas o fato era quem se encaixavam, destino e presente. Perdera a noção do tempo. Abrira a última porta, com uma graciosidade que nunca se viu. Havia somente uma carta, jogada ao chão. Nela dizia: O melhor ainda está por vir. Como, se sentia-se completo? Então desejou com fervor o tal melhor. E até hoje vive de esperas.
 
(Por Geraldo Vilela mano Júnior)

Intervalo

 
 
Sem perceber, a gente carrega a fé por onde anda. A gente aposta nas coisas, nas situações, nas pessoas, por mais que muitas vezes pareça que não vai dar certo. Mas a gente sabe que pode dar. Vai dar. A gente finge que esqueceu de um sonho, mas quando menos espera ele ressurge. O amor também. A gente acha que desgosta das coisas, mas não desgosta. É que o sentimento por aquilo que tanto queremos vezenquando precisa adormecer. O cansaço por lutar tanto pelo que se quer nos faz render. Mas tá ali, eu sei que tá, só esperando um sim, uma nova chance, uma oportunidade. Gosto dos tempos entre os acontecimentos, é o momento de intervalo em que a gente aprende a gostar mais da vida. E a usar a sabedoria adquirida a nosso favor.
 
(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

segunda-feira, 4 de março de 2013

Fechando ciclos



A maioria das pessoas não entende o motivo pelo qual fechamos ciclos, abandonamos projetos, perdemos algo ou somos expulsos, por diversas vezes, do território de paz. O que pretendem de nós, diante de cada possibilidade de mudança, e por mais sofrido que pareça, é que sejamos capazes de rever projetos. Recomeçar. Uma folha não cai por acaso, mas porque seu ciclo termina, e é preciso dar possibilidade a outros. Assim é a vida, e assim somos nós. Podemos, claro, sentir muita pena do fechar de uma porta, mas jamais construir nosso destino por cima das perdas. O que querem de nós é o aprendizado, para que avancemos no campo do saber para além do humano. O que querem de nós é que sejamos o espelho das boas novas, por mais que as perdas insistam em apertar o peito. Quem transforma uma partida em saudade está pronto para receber coisas grandiosas. Quem relembra o fim do ciclo com dor, tem a chance de tentar reconfigurar cada passo dado. Mas se essa chance é desperdiçada, só lhe restará lágrimas, até o último dia. E este, este não poderá dizer que viveu, apenas que passou pelo mundo deixando rastros de lamento.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

De onde mesmo que a felicidade vem?



Quem sabe esse tempo de espera não seja apenas um teste ou uma provação necessária para que eu perca meus medos infantis de ver um amor partir. Ou ficar. Aprender. Semear. Se amar. É nesse tempo sem alguém do lado que entendo que é preciso saber ser feliz sozinho. Porque quem não é feliz consigo mesmo, não é capaz de ser feliz ao lado de outra pessoa. Afinal, felicidade vem de dentro, não do outro.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

O que a gente merece



Uma hora a gente percebe o quanto merece ser feliz. E o quanto as coisas têm que dar certo, têm que entrar nos eixos, têm que funcionar, nem que seja na marra. Quem tá de fora não compreende o quanto a gente se esforça pra merecer cada gesto amigo, cada conquista, cada palavra que soa mais perfumada que flor. Quem não calça os nossos sapatos não vê o tanto que a gente rala pra conseguir respeito, carisma, abraço de quem apareceu há pouco. Por isso temos é que nos ocupar mais com aquilo que provoca a vontade de ser eterno. Temos que dar atenção é pra quem reza pra gente antes de dormir, quem liga pra gente na hora que acorda, quem lembra do nosso aniversário, quem celebra nossas vitórias e estende a mão quando a gente cai. Temos mesmo é que deixar de lado quem só acena de longe, quem esquece da gente quando tá com outras companhias, ou quem tem coragem de dizer que nos ama só quando tá carente. A gente tem é que ter na mente quem nos deu tudo em troca de nada, quem cuida da gente quando falta saúde, quem nos acolhe quando falta dinheiro, quem nos perdoa quando aumentamos o tom de voz, quem nos deu a vida, quem nos ensinou valores, e a amar. Por isso, tô abrindo mão de amizade pingada, de amor mendigado, de sinceridade surrada e de palavra bonita, mas sem verdade. Se é pra ser feliz, tem que ser sem medo e sem dó. Se é pra curtir a vida, que seja com vontade, sem piedade. E se for pra rir, que seja alto, só pras pessoas lembrarem dos lugares de onde a nossa felicidade insiste em brotar: de dentro, do berço, da alma. E de Deus.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Se cuida também



Passei o dia inteiro sem lamentar sua ausência, e confesso que não vivia um dia tão longo desde os meus oito, dez anos. Olhava as horas fingindo que era apenas um ato rotineiro de alguém que tem tantos compromissos, tantos pensamentos, tantos sentimentos, que esqueci de me alimentar, sabe. Não, não foi culpa sua. Não, não quero pena. Foi só um dia um pouco sombrio, mas mantenha a tranquilidade, eu sei que o sol volta amanhã. Me acostumei tanto com a sua presença até criar uma convicção absurda de que você sempre andava comigo, mesmo distante, que eu havia me esquecido de como era saborear meus momentos sem um ponto exato de tentativa de um alcance, meio patético, admito, e que denominei amor. Está sendo bom essa distância, entende? Porque com ela aprendo a me virar, nem que seja pros lados, tentando encontrar vestígios seus. Você sabe, abandonar um livro, ou abrir mão de uma história, nunca foi meu forte. Mas a gente tem que reaprender a viver no mundo real, não era isso que você me dizia? Temos que aprender a 'fincar os pés no chão', mas acho que levei tão a sério que quis ser árvore, criar raiz, ter um lugar fixo ao seu lado. Nossa, como eu quis e sonhei com tudo o que vivemos, foi tudo tão intenso! Aí me desfaço, e me transformo numa árvore frágil e breve, tipo aquelas recém plantadas na porta da escola, e que os moleques não deixam criar vida, crescer, dar frutos. Mas estou bem, acredite. Você pode ter me ensinado a amar, mas também me ensinou a morrer, e eu só sei agradecer por isso. Porque morrer em vida, por dias, meses ou anos, requer sabedoria. Requer silêncio. Requer vontade. Requer elegância, charme, carisma, delicadezas. Escolhi uma morte discreta, confesso, mas de tão discreta que foi, escolhi a vida. Escolhi seguir em frente, voltar, viver outras histórias e deixar pra morrer outro dia. Você nunca mereceu meu fim, mas o meu melhor. Vivemos o melhor. Vai passar, talvez seremos amigos um dia e riremos de muita, muita coisa mesmo. Vou seguir meu caminho agora antes que o dia termine, meio torto, meio bobo, meio perneta. Ah, e aquele 'se cuida' tá de pé, viu? Tão de pé que agora faço algo que ninguém soube fazer: cuidar de mim... Assim como cuidei de você.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Vai passar



Ironia é se doer quando o que mais queríamos era nos livrar daquilo que nos provocou tanta dor. É ver partir o amor da nossa vida levando a certeza de que nunca mais haverá outra vez. É deixar os sonhos escorregarem por nossas mãos e serem quebrados no chão duro da realidade, como se fossem a lousa mais paraguaia do mercado. É desfazer as malas e refazê-la para apenas um. É tentar vender a passagem do outro, pra quem sabe o prejuízo ser um pouco menor, ou ao menos despistar o coração com o trabalho e os negócios. É ter pena, muita pena, mesmo com o peito dilacerado, de quem quer ir. De quem vai. De quem já foi. Uma constante ironia nos faz brindar a perda da pessoa que tanto amamos, e chorar pela mesma perda escondidos, debaixo de um edredom num dia quente de verão, bem baixinho que é pra nem Deus escutar. E mais irônico ainda é ter de acreditar que foi bom, deve ter sido bom e vai ser bom tudo ter chegado ao fim. Se a fé e a esperança são o que nos restam, só cabe a nós usá-las, mesmo com toda dor do mundo, mesmo com toda amargura do mundo, mesmo com toda a nossa andança e desacreditança. Há uma voz na alma que diz que vai passar. Assim como passam os dias. Assim como passa, outra vez, o trem que perdemos. Assim, disse Caio, como passa o vento entre nossos cabelos, sempre nos lembrando a direção a seguir: pra frente.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Vazios



Chega uma certa idade, não muito avançada, em que tornamo-nos mais exigentes com nossos preciosos finais de semana. Nada de hipocrisia, chatice ou frescura: aprendemos a nos valorizar, a dar valor ao tempo, que se mostra mais curto todos os dias. E o mais bonito, damos valor e importância aos nossos vazios. Pra sair de casa agora é assim: não vejo tanta graça em passar a noite segurando copos cheios se, ao meu redor, estiver carregado de pessoas vazias. De vazio basta eu, oras, não por me considerar melhor do que ninguém, mas por não me considerar merecedor de momentos sem sentido. E sim, não faz sentido abandonar meu quarto se for pra mergulhar numa banheira repleta de água com gás acompanhado de pessoas que simplesmente acham chique, legal ou coisa do tipo. Também não pretendo sair com autocríticos e pseudointelectuais, tampouco com moralistas e defensores do partido puritano. Longe de mim. Só quero gente do bem, com ideais, com críticas carregadas de novas soluções, com humor na risada, brilho no olhar e que não precise apontar fulano na mesa do lado pra ficar se achando o cara. Quero companhias que não me troquem pelo facebook, twitter, whatsapp ou outros aplicativos no celular durante um papo ao vivo, entendem? Que não me olhem de ombros, buscando algo ao redor da mesa, que não necessitem contar ao mundo via instagram o quanto a noite está boa, ou que não precisem se autoafirmar o tempo inteiro que estão legais, num lugar bacana e com pessoas demais. Posso parecer patético, mas é que a gente tem que aproveitar nossas epifanias pra por a boca no trombone, pra falar mesmo para, sei lá, arranjar solução pro mundo, pras pessoas, pra vida. Tudo bem, posso estar fazendo tempestade em copo d'água, mas me deixem pensar em como seria bom largar um copo cheio e segurar uma mão com firmeza, pra provar que ali não é mais um momento vazio. Acredito num novo tempo, em que a gente só vá sair de casa quando não for pra repetir nossos nadas, nossos poréns, nossas reticências. E de agora em diante, vazio bem feito é vazio com um livro na mão, com uma pipoca no colo ou com a cabeça deitada em um ombro que bem me quer. Porque meus dias não merecem morrer na companhia de ninguém. Porque meus dias, nossos dias, merecem mais que um copo na mão e um celular na outra. Merecem mais vida gostosa de se viver, vida tranquila, vida com quem possamos contar ou estender a mão. Vida real.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Gratidão



Quando a gente dá-se um tempo para "colocar a cabeça no lugar", logo vem uma ideia brilhante: a de sempre recriar. Viver dias iguais de formas iguais é o que diminui a vontade de ser, crescer, ser feliz. A gente começa a perceber que felicidade é mais simples do que imaginamos: basta estar ao lado de pessoas que nos amam e nos respeitam, reforçando laços e renovando as brincadeiras, o papo, os móveis, o carinho, a forma de demonstrar amor. Gratidão, hoje, é a única palavra que eu consiga definir os meus dias. E que eles sejam cada vez melhores, Amém.

Paciência



Tenho aprendido a ter mais paciência. A esperar sem aquele peso da idade, nos ombros e no peito. Tenho aceitado mais a vida, as coisas, as situações e as pessoas como elas vêm e vão. Talvez seja a paciência quem tenha me ensinado mais bonitesas. Dentre elas, a de largar a mão de quem quer partir e a de acolher quem quer ficar. Agradecer as manhãs cinzas e as noites frias, sem vontade de que fosse diferente, com a arte de encontrar beleza onde todos desaprenderam a vê-la. Podem me chamar de acamodado, mas isso só mostra o pouco que sabem de mim, do tanto que amo, do tanto que sonho, do tanto que faço. Se um dia eu tivesse a chance de dizer apenas duas últimas palavras, diria: "Eu acreditei." E acredito. E confio nas pessoas, por mas que elas demonstrem que não, pois eu sei que a única coisa que posso perder confiando é a chance de ver alguém sendo verdadeiro. Comigo, consigo, para com a vida. Descanso do mundo toda vez que olho pra dentro de mim e vejo aquilo que tenho cultivado. Durmo tranquilo toda vez que, ao fechar a porta do meu quarto, eu consigo ter certeza que dei o meu melhor. E que o melhor, muitas vezes, é só a resposta da vida pra gente. Aquela, de que é preciso aprender a esperar para fazer o nosso julgamento. E saber, no fim do dia, que sim, foi o melhor... pra nós.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Oração



Oração bonita é aquela que a gente faz pensando nos problemas do mundo. Fome, miséria, desigualdade, injustiça, roubalheira e hipocrisia. É aquela reza doída, mas cheia de esperança em um mundo melhor. Tem muita gente boa do nosso lado, mas a correria dos dias nos cega diante dela. Agradeço quem doa sangue, alimento, tempo, dinheiro, roupas, leite, abraços e sorrisos. Mas não vale querer virar estrelinha porque fez o bem ao nosso igual. O mundo não precisa de caridade, gente, mas sim de compaixão. Piedade. O que a sua mão direita faz, a esquerda não precisa saber, lembram disso? Mas um detalhe é essencial: a não ser que usaste a mão pra ferir, mesmo que indiretamente, outro alguém. Oração de verdade a gente faz em qualquer canto, com qualquer barulho, e com todo o amor. É desejar baixinho com que a vida da gente melhore junto com a do amigo ali do lado. É parar de se contorcer diante do que não temos, pra aprender a oferecer o nosso melhor. E o que temos de bom não é pouco não, é só acreditar. E fazer. Que a vida, diariamente, trate de nos oferecer forças pra transformar o mundo num lugar melhor. E nessa oração eu posso contar pra vocês: isso a vida já fez.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Coração



Ironicamente, quando alguém nos abandona, o nosso coração, antes longe, começa a bater dentro da gente. E a gente aprende a se virar com tanta palpitação, tanta exigência, tanto barulho que ele faz. Parece que quanto mais o coração bate dentro da gente, maior ele fica. E mais coisas nele cabem. Mais gente, mais sentimentos, mais esperança, mais fé. E mais trabalho. Coração, de uma hora pra outra, vira chefe: aquele que manda. E manda embora, pra longe. Aquele que ordena. E ordena a bagunça. Aquele que governa desgovernado. Até chover. Até transbordar...


(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A regra é outra



Às vezes penso que essa gente precisa é de ouvir algumas verdades. Aquelas, que as colocam nem que seja por alguns segundos, no devido lugar. Que as faz perceber que ninguém precisa ser da mesma tribo pra aprender a ter fé e fazer chover. Que faça esse povo parar de medos bobos, de desconfiança imatura, de tanto pé atrás. É clichê esperar o pior de quem age bem com as pessoas, porque parece que o que todos querem é que a máscara alheia caia. E que acabe a festa. E que finalize o Carnaval. Gente, qual é o medo? Deixa o outro fazer poesia, às vezes poesia é que mantém o outro são. Deixa as pessoas sorrirem pras outras, pega essas minhocas, que insistimos em colocar na cabeça de quem tá à nossa volta, e vamos todos pescar! Deixa o mundo prometer, no final das contas é ele que não vai dormir sem pensar no que não fez. E vamos tratar de ser feliz. E vamos entender de uma vez por todas que não somos bonzinhos o tempo inteiro, somos é responsáveis pelos nossos atos. Chega de falar que não confia, que odeia inveja, que ninguém é bom o bastante. Gente que vive desse discurso não deve é saber jardinar sem jogar ervas daninhas na plantação do vizinho. Ou não sabe fazer outra coisa senão vigiar, que nem espantalho. Deixa de preocupação, minha gente, ser feliz pode ser facinho. Abraça forte o que ama, e rema pra longe do que te coloca medo. Ou então enfrenta. Em frente. Inseguranças todos têm, não precisa jogar a culpa em ninguém por isso. Esquece a inveja e vá já fazer o bem. Pode se permitir pensar besteira sim, mas não deixa isso te levar pro caminho que você aprendeu que não é o certo. Lembra depressa que ainda dá tempo de dar um beijo na mãe e no pai, um abraço no irmão, um pedido de desculpas ao amigo, um aumento ao patrão, um beijo à moça da padaria, um xô pra lá nos namoros sem futuro, um up no casamento que ficou xué. E esquece depressa essa mania besta de julgar, guardar mágoa, inventar picuinha, perder a cabeça por pouco e provocar mal-estar. A regra é outra, minha gente, é deixar portas abertas, espaços vazios e peito limpinho. É prender pela liberdade e ensinar o outro a voltar. E ser feliz, nem que seja sozinho, só pra no fim das contas ter história boa - e verdadeira - pra contar.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Amores impossíveis, amores imprevisíveis, amores improváveis



Amores impossíveis desenharam-me de uma forma única. Sempre me chamaram a atenção pessoas cuja reputação não necessitasse ser a melhor, mas a mais, digamos que, importante. Não me apaixonei por coisas, não vejo graça. Me apaixonei por pessoas. Pessoas pequenas de coração grande. Pessoas que me mostravam o que fazer sem alguma palavra. Pessoas exemplo, para os meus pais. E é claro que foram amores impossíveis não pelo que havia de bondoso, mas de especial. Me pegava louco de amores por quem atraía mais pessoas que a banda mais famosa da cidade. Sou amante de cheiros, de vozes, de olhares fraternos. E qualquer um pode ser dono disso tudo, quando existe uma outra pessoa buscando alguém para se apaixonar. E sim, eu sempre busquei alguém para me apaixonar. Mas acontece que eu não era a pessoa certa para elas, embora acreditasse que elas fossem feitas para mim. Nossa, como amei loucamente! Como me vi necessitando de um outro alguém para que pudesse encontrar a tal felicidade. Como eu me perdi, meu Deus! E como eu sofri, chorei, esqueci de mim mesmo, me desrespeitei, perdi completamente o valor. Mas criei asas fortes. Criei rios largos. E muros, bem altos...

A gente vai crescendo e quem nos são apresentados? Amores improváveis. Aqueles por quem passamos sonhando grande parte de nossa juventude, e os que vão surgindo em nossas descobertas. O problema em ser um amor improvável é que ele deixou de ser impossível, e passou a ser provável (no sentido "desgustativo" da palavra, se é que me entendem) e improvável (em se tratando da probabilidade de dar certo). Bom, aí sim começamos a aplicar aquelas disciplinas que apreendemos ao longo de nossos estudos, inclusive na Matemática. Cálculos amorosos são o fim, mas é o que nos sustenta. "Eu não vou ligar porque...", "eu não vou procurar porque...", "eu não vou acreditar porque...", "eu não vou insistir porque...". São questionamentos calculistas que nos defendem e nos afastam daqueles que amamos. Somos fartos em racionalizar a essa altura do campeonato. E perdemos o medo dos amores impossíveis. Aliás, julgamos que perdemos esse medo. E nos tornamos uma bola de ping pong em aço, que por pesar tanto quica menos, mal sai do lugar e é resistente, muito resistente. Os amores improváveis, além de tudo, são oferecidos a nós - ou seriam procurados por nós? - nos momentos em que estamos quase nos situando em algum lugar. Só pra nos desviar do caminho...

Ah, os amores imprevisíveis! Fazem parte de uma crença bonita e sem fim. Você se arruma para a escola, para o trabalho ou pr'aquela confraternizaçãozinha na casa do vizinho sempre com a esperança do "vai que...", "e se...", "quem sabe...". Você crê ainda em sorte no amor, mesmo depois de tudo dar errado. Até que você aprende que o segredo não é esperar, é esquecer um pouco essa ânsia de ser dois. É aprender a gostar de você sozinho, a cuidar de você como se fosse - e é - o seu maior amor. Chega um momento na vida da gente que as histórias de amores impossíveis e improváveis ganham charme, ganham espaço nas nossas conversas e até um tom de graça, quando lembramos o quanto éramos imaturos. Amores imprevisíveis existem, ainda que eu não os conheça empiricamente. Podemos perder tudo, mas nunca a fé. Um dia achei que o amor fosse a raiz de todos os sentimentos, mas eu me enganei, sabe... Sinto que o amor acaba, mas a fé de continuar vivendo o amor permanece, enquanto houver ferida, enquanto houver vida. Não é à toa que acho a coisa mais bonita da vida essa capacidade das pessoas seguirem em frente, mesmo com tudo desabando, mesmo com a esperança ao chão.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Gente

"Sobre todos aqueles que continuam tentando, Deus, derrama teu sol mais luminoso." (Caio Fernando Abreu)


 
Hoje eu vim falar de gente. Essa gente mesmo, do nosso dia-a-dia, que gasta mais horas sorrindo, com pensamento positivo fluindo nos olhos, com a auto-estima que mais parece um sol, que ilumina onde passa. Hoje vim ganhar meu tempo desejando sucesso a quem almeja, e paz a quem precisa. Tô desejando paz principalmente pra quem só sabe viver de picuinha, de montar drama, de relembrar feridas. Porque tudo isso só me aponta detalhes de quem se ama pouco e quem não tem coisa verdadeiramente boa pra se preocupar. Vim agradecer os ombros amigos que surgem de esquinas que mal passamos, as palavras amigas de quem nem conhece a gente direito, os elogios vindos de quem a gente nem acreditava que tinha um coração - mas que nos surpreende ao mostrar que tem, e enorme! E não só falar, mas orar mais pr'aqueles que não acreditam em boas intenções e só veem espinhos em buquês de flores. Aplaudir quem segura a língua, a maldade, o rancor, a inveja, e troca tudo por uma boa caminhada ao entardecer, ao invés de deixar o corpo pagar o pato. Vim dizer pra esses amores malucos virem quentes que eu tô fervendo, porque medo de amar é o que tá em falta aqui em casa. Vim dar boas vindas aos viajantes, oferecer carona aos carentes, e apontar novos rumos aos maus intencionados. E é claro, tô passando pra dar até logo e volte sempre pra quem é aventureiro, desejando boa sorte e deixando de lembrança os bons momentos que tivemos. E só espero uma coisa: que os opostos continuem se atraindo, e que o bem prevaleça. Que as cabecinhas difíceis encontrem as melhores companhias, aquelas que são capazes de fazê-las melhores, não no sentido individualista, mas comunitário. O mundo é uma equipe, gente, e é válido o clichê de que não dá pra ser feliz sozinho. Dá trabalho, e muito, seguir o caminho que transborda o bem, mas a gente vai tentando, e relevando, e perdoando, e transformando mágoa em prece, tristeza em esperança, decepção e fé. Acredito mesmo é na vontade de fazer as pessoas felizes, porque é o que está todos os dias em nossas mãos. Somos livres e temos a capacidade plena de transformar, com gestos, com atos, com silêncios e palavras. Conforme a frase - magnífica! - que li recentemente: Pensar antes de fazer é grátis. Não fazê-lo sai caríssimo. Simples assim.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Natal

 
 
Chega de pesos desnecessários, lenga lenga, conversinha de esquina, leva e traz, papo de gente infeliz. Chega de reclamar de fulano ou ciclano, mostrar os pés atrás que tem com alguém, sorrir com demasia pra quem não se suporta. Natal é recomeço, e pra recomeçar é preciso o mais difícil pra se conviver: aceitar e perdoar. Se nenhum desse itens existe, é melhor tocar o barco pra outro rumo. Todo dia é tempo de travessia. Todo dia é tempo de renascimento. Mas só falar ou escrever não basta, tem que viver. Do contrário, é só mais uma das mentiras de natais. O maior ato de coragem é aceitar uma coisa como ela é sem precisar dar significados. Significado também é defesa. Do que vc precisa se proteger? Do amor que não se sabe se é recíproco? Da amizade que não se quer dividir? Das relações profissionais que não podem se transformar em algo mais íntimo? Ou de ser vc? Natal, antes de tudo, é aniversário de Jesus. Não quero falar de fé, nem testar a fé de ninguém. Mas antes de desejar feliz Natal é preciso conhecer as margens desse dia. Natal existe pra nos fazer lembrar de quem viveu e morreu por um único propósito: as outras pessoas. Pra quem temos vivido? Com que propósito temos vivido? Fica a dica de reflexão pra gente, enfim, encontrar o verdadeiro e íntimo significado de feliz Natal!
 
(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

domingo, 2 de dezembro de 2012

O que for pra ser, vigore

"Sentei-me ao chão com as minhas insatisfações. Procurei um baú antigo, nos guardados da casa, pra ver se me trazia de volta uma lista de possibilidades. Fraquejei no momento em que um retrato teu me veio à mente. Mas fechei os olhos com força, até que a imagem se esfumaçasse, e jurei pra mim mesmo que não haveria de ser com você, não mais. Porque pra mim, amor que fere não me acrescenta em nada. O que me faz infeliz, eu descarto na hora." (Cris Carvalho)




Irônica a maneira como que em busca de algo de verdade, nos deparamos com tantas mentiras. Quebramos a cara. Nos iludimos assim, de graça, como quem sabe que não vai dar certo, mas insiste assim mesmo nos erros. Parece que quanto mais difícil, maior a vontade. Amor-desafio, eu diria. E, de corajosos que somos, não desistimos. Insistimos no ato de começar o dia bem e logo encontrar uma pequena fenda aberta, de onde saem aqueles malditos sentimentos de abandono. Mas a cada encontro com a solidão, aprendi a agradecer...

Abençoados sejam os momentos que nos salvam de nós mesmos. Do nosso vício de direcionar energia para a palavra-mágoa, a imagem-mágoa, ou a mágoa da felicidade distante. Abençoados sejam nossos amigos, que nos livram por algumas tardes ou noites desse sentimento inferior. Abençoados os bons drinques, que nos alegram instantaneamente. Abençoados os chocolates, os livros e filmes - de ação e suspense, por favor. Abençoada seja a calça folgada como sinal de que você está entrando em forma, e quem sabe não seja a sua melhor forma de existir. E abençoada seja a maneira de compreender que não é necessário ter tanta pressa. Tudo é aos poucos, assim como o amor. É que a gente tem a mania de viver os melhores momentos como se fossem os últimos, o que nem sempre soa tão bem, então aquela sensação de que tudo o que é bom dura pouco bate na porta. Mas apaixonar demora muito, e como demora! Assim como desamar. Assim como decidir que caminho seguir. Assim como demoram quaisquer memórias que nos façam quase desistir de se fazer feliz, se fazer bonito e se dar o devido valor. Demora muito pra gente ser feliz todo o dia, mas a gente aprende. Tem que ter olho pequeno e enxergar muito bem. Tem que ter ouvido que só capta o essencial, e boca que só diz o que for possível de, caso seja necessário, engolir. E não nos esqueçamos que em qualquer relacionamento que estamos, a felicidade é pouco perceptível, até que percamos algo ali. Não vamos perder pra dar valor, não precisamos. E nem vamos nos agarrar àquilo que nos coloca abaixo de zero. Acredite, tem sempre alguém nos querendo bem. Isso sim importa.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Simplifique





Simplifique sua vida: Se não estiver a fim de sair, atenda ao telefone e diga. Se não está bom, diga também. Se tiver algo acontecendo, seja honesto (pois no final, estará sendo mais honesto com você). Não chame um colega de amigo, nem tampouco vice-versa. Não confie em estranhos. Dê mais valor na sua intuição, e para além disso, desconfie dela. Use manteiga de cacau nos lábios em dias muito quentes ou frios. Não critique pessoas que estão surgindo em seu círculo social (aparências enganam e elas podem se tornar seu maior tesouro). Aprenda que suas exigências mudarão conforme a abertura de sua mente. Escute seus pais quando disserem "leve um guarda-chuva" ou "leve uma blusa de frio" ou "não vá". Não pergunte a uma criança se você está bonito quando você estiver de baixo astral. Não espere ser cortejado por alguém que te serviu somente para tapar buracos (pessoas percebem isso e mudam de atitudes para com você). Crie menos expectativas em relação ao outro (pessoas erram, esquecem, não percebem). Não queime o filme de ex ou amigo com quem ainda pretendes reatar laços. Não espere muito do final de semana ou feriados (boas surpresas adoram o acaso). Não deixe as coisas para a última hora, deixe para, no mínimo, faltando umas duas rs. Não mande e-mails ou mensagens contendo informações de terceiros, algumas pessoas podem usar isso contra você. Nunca esqueça sua identidade em casa. Desconfie arduamente das pessoas que tentam te distanciar dos velhos - e verdadeiros - amigos. Tenha mais cuidado com as palavras que usa para se despedir de alguém, podem ser as últimas de ambos. E por fim, opte por não viver programações: a vida foi feita pra ser mais natural.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

Passagens



Enquanto o dia nascer, virá com ele a certeza de que tudo o que fiz, tudo em que acreditei e tudo o que se foi sempre tiveram o melhor de mim. Nascerá, ao longe, escondida entre as nuvens, uma esperança que ascenderá luzes onde o olhar já se escureceu. E serei capaz de fazer de novo, acreditar de novo e suportar de novo. Quem vai, que leve consigo tudo aquilo que sufoca, que aperta, que trava, que não surpreende. Mas se quiser deixar alguma coisa, que seja apenas as boas recordações, nada de vestígios de sentimentos doídos atrelados às bordas da alegria recriada. E quem vem, que traga consigo somente a capacidade de se colocar no lugar dos outros. Isso sim é dádiva a ser valorizada. Porque o resto, tudo o que sobra, não passa daquela beleza que sai com sabão e água.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Reelabore, reinaure-se, renasça



Não tão rápido, nem tão fácil, muito menos prático como abandonar uma leitura nem um pouco interessante. Amor envolve mil e uma dores, quando não vivido até o fim. Até o último suspiro por um sentimento. Até esvaziar a última gota de sangue dos pulsos - metaforicamente, por favor. Até a mudança das nossas atenções. Se soubéssemos das bolas de neve em que entraríamos, não teríamos aceitado nem um mísero 'oi'. Mas, infinitamente, tá na hora de sair do papel de vítima. Parar de alimentar os pensamentos que nos tornam megalodramáticos, melancólicos, viciados em abstinência de endorfina. E mudar, nem que seja por um minuto, a música de fossa. Que a gente vive em um mundo de expectativas é lógico, embora a todo tempo esqueçamos. Não que gostemos de sofrer, cá pra nós, mas um bocado de sofrimento é como pimenta, diferentemente aproveitada pelos baianos ou pelos japoneses. Cada um sabe como tem que ser temperado, mas aquele velho clichê de que ninguém nasce sabendo é a mais besta verdade que já ouvi. Precisamos sofrer o ardume dos sentimentos pra só assim considerarmos valedor de pena ou não. E não admitamos que sofrer é natural, porque não é, não mais, não neste nosso zeitgeist. O espírito do momento é  o prazer instantâneo, é suportar pouca dor, ou querem abrir mão da eficácia dos medicamentos? Eu quero! E não, não curto sofrimento, nem tampouco aquele provindo das palavras. Mas suporto. Sou resiliente. E creio que todos sejam. Quer uma dica? Elabore seus sentimentos. Suas vontades. Seus planos, suas perdas, seus sonhos, isso mesmo, no pronome possessivo "seu/meu". Elabore não, Reelabore, reinaure-se, renasça. E o "como?" é a frase mais mágica que encontrei em uma quinta-feira nublada de novembro. Não vou dizer que a vida é uma só. Que o tempo passa. Que morreremos. Não mais. Não direi que você é aquilo que você come, que você faz, e não o que você acredita. Precisamos de pouco, sabe... Um pouco que a cada dia se torne mais. Mais paciência ao ouvir. Mais amor ao falar. Mais coragem ao persistir, e ao desistir só aquela coragem que sobrar. Porque sou da geração que persiste porque quer, e depois não precisa culpar ninguém por isso. E que persiste no fácil e ignora o difícil. Essa ideia de que tudo que vem com facilidade se vai com facilidade não me contaminou. E a melhor que consegui produzir foi a de que tudo vai ser diferente se a gente quiser. Se a gente se esforçar. Se a gente acreditar. E o mais essencial, verdadeiro, óbvio, correto, e sei lá mais o que: se a gente fizer. Se a gente se levantar. Se a gente agir. Às vezes, a gente precisa sonhar pra descansar da vida. Mas se a gente não viver e deixar os sonhos descansarem, acho difícil sair do lugar onde tudo dói... até o amor.

(Por Geraldo Vilela Mano Júnior)